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    postado em 01/02/2026 10:25

    Com a liquidação de instituições financeiras pelo Banco Central (BC) desde o fim de 2025, notícias e rumores sobre a saúde de bancos passaram a circular com mais frequência, nem sempre com informações corretas. Para o consumidor e o investidor, saber diferenciar alertas reais de fake news é essencial para proteger seu dinheiro e tomar decisões seguras.

    Existem ferramentas oficiais, indicadores públicos e sinais objetivos que permitem avaliar a situação financeira de um banco em funcionamento no Brasil. Nem toda notícia alarmista sobre instituições financeiras é verdadeira. 

    Antes de agir por medo, o consumidor deve consultar fontes oficiais, analisar indicadores e desconfiar de promessas exageradas. A informação de qualidade continua sendo a melhor defesa contra boatos e prejuízos.

    Confira o passo a passo para conferir se uma notícia negativa procede ou se é apenas desinformação.

    1. Consulte se o banco é autorizado pelo Banco Central

    • O primeiro passo é verificar se a instituição é autorizada e supervisionada pelo Banco Central do Brasil.
    • Isso pode ser feito no site do BC, no caminho: Meu BC → Serviços → Encontre uma instituição.
    • Bancos não autorizados não podem operar no sistema financeiro nacional.

    2. Use bases oficiais de dados

    Três tipos de plataforma concentram informações confiáveis:

    • Central de Demonstrações Financeiras (CDSFN), do Banco Central: na mesma página do serviço Encontre uma Instituição, com o seguinte caminho: digitar o nome da instituição  → clicar no resultado → clicar em Central de Demonstrações Financeiras;
    • Site Banco Data:  organiza dados financeiros de forma acessível, com esquemas visuais e cores (verde, laranja e vermelho) para indicar o risco de cada indicador;
    • Site de Relações com Investidores (RI) de cada instituição: cada instituição autorizada pelo BC é obrigada a manter uma página de relação com investidores, com todas as informações financeiras e com resumos de fácil leitura. Caminho: digitar em qualquer site de busca o nome da instituição + RI.

    Esses sistemas permitem analisar balanços, resultados e indicadores de risco.

    3. Avalie os principais indicadores de solidez

    • Índice de Basileia: mede a relação entre capital próprio e riscos assumidos.

           >> Mínimo exigido no Brasil: 11% para instituições em geral, 13% para bancos cooperativos;

           >> Índice confortável: acima de 15%;

           >> Um índice de Basileia 11% significa que, para cada R$ 100 emprestados, a instituição tem 11% de recursos próprios (dos sócios e dos acionistas);

           >> Quanto maior, mais capacidade o banco tem de absorver perdas.

    • Lucro líquido recorrente: lucros consistentes ao longo do tempo indicam boa gestão.
    • Inadimplência da carteira de crédito: percentual de empréstimos vencidos há mais de 90 dias. Índices elevados são sinal de risco.
    • Índice de imobilização: mostra quanto do capital está preso em ativos fixos (como imóveis que não podem ser vendidos em momentos de crise); valores altos reduzem a liquidez.
    • Rating de crédito: notas atribuídas por agências como Moody’s, S&P e Fitch. Rebaixamentos sucessivos acendem o alerta. No caso do Banco Master, no entanto, várias agências atribuíam nota alta e risco baixo à instituição.

    4. Verifique a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos

    Para quem investe, é fundamental confirmar se o banco é coberto pelo FGC, que garante até R$ 250 mil por Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), com teto global de R$ 1 milhão pago a cada quatro anos.

    O FGC cobre os seguintes recursos e investimentos:

    • Contas correntes e poupança;
    • CDB e RDB;
    • Letras financeiras dos seguintes tipos: LCI, LCA, LC, LH, LCD;
    • Depósitos a prazo;
    • Operações compromissadas com títulos elegíveis.
    • Em caso de liquidação, o FGC é o caminho para recuperar os valores dentro do limite.

    Recursos e investimentos não cobertos pelo FGC:

    • CRI e CRA;
    • Debêntures;
    • Letras financeiras dos seguintes tipos: LF, LI, LIG; 
    • Títulos públicos, porque esses papéis são cobertos pelo Tesouro Nacional;
    • Títulos de capitalização;
    • Fundos de renda fixa: em caso de quebra, têm CNPJ separado da instituição e podem ir para outro gestor;
    • Depósitos no exterior;
    • Depósitos judiciais.

    O correntista deve estar ciente de que perderá esses valores em caso de quebra da instituição.

    5. Desconfie de rentabilidade fora do padrão

    • Bancos pequenos oferecem taxas maiores que bancos grandes e de baixo risco;
    • Bancos em dificuldade podem oferecer taxas muito acima da média do mercado para captar recursos rapidamente;
    • Retornos extraordinários quase sempre vêm acompanhados de maior risco;
    • No caso de CDBs, a taxa máxima recomendada está em 115% do Certificado de Depósito Interbancário (CDI). O Banco Master oferecia taxas de 140% do CDI.

    6. Fique atento aos sinais de alerta

    Não é possível prever com exatidão se um banco será liquidado, mas alguns indícios ajudam:

    • Queda contínua do Índice de Basileia;
    • Prejuízos recorrentes nos balanços;
    • Rebaixamento de rating;
    • Notícias sobre investigações ou intervenção;
    • Ofertas agressivas de captação;
    • Entrada em regimes especiais do Banco Central, como o Regime de Administração Especial Temporária (RAET).

    No caso do Will Bank, liquidado recentemente, o Índice de Basileia estava negativo em 5,3% em junho de 2024. O Índice de Imobilização estava negativo em 1,9% na mesma data, mesmo com lucro líquido de R$ 55,5 bilhões.

    7. Compare com investimentos mais seguros

    Para reduzir riscos, especialistas destacam:

    • Tesouro Direto: risco de crédito considerado o menor do país;
    • CDBs, LCIs e LCAs de grandes bancos, com alta solidez e proteção do FGC.

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