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    postado em 10/02/2026 20:25

    A mãe do estudante Thiago Menezes Flausino, Priscila Menezes Gomes de Souza, foi ouvida nesta terça-feira (10), durante o júri popular dos dois policiais militares acusados de matar o menino de 13 anos, em agosto de 2023, na zona oeste do Rio de Janeiro.

    Os agentes estavam em um carro descaracterizado e deram três tiros de fuzil em Thiago; dois nas pernas do menino, que sonhava ser jogador de futebol.

    O julgamento começou no fim da manhã desta terça-feira no Tribunal de Justiça está na fase de ouvir as testemunhas de acusação. Não há previsão de horário para sair a decisão. São acusados da morte de Thiago os PMs Diego Pereira Leal e Aslan Wagner Ribeiro de Faria, do Batalhão de Choque.

    Acusações

    Os policiais respondem pelo homicídio de Thiago, que estava na garupa de uma moto na entrada da Cidade de Deus, e por tentativa de homicídio contra Marcus Vinícius, o jovem que pilotava o veículo e foi atingido por um tiro na mão.

    No momento do assassinato, a PM fazia uma operação usando um carro particular descaracterizado. As investigações apontam que jovens não estavam armados e não havia confronto no momento da ação.

    Os agentes também são acusados de fraude processual por terem plantado uma arma na cena do crime tentando incriminar a vítima e forjar uma troca de tiros. Eles ainda alteram os depoimentos para confirmar que o carro da abordagem não era uma viatura com sirene.

    Para o Ministério Público, os policiais agiram com torpeza, em uma operação de tocaia ilegal, com arma de alta energia.

    Ao longo do dia, durante mais de seis horas, foram ouvidos o sobrevivente, o jovem Marcos Vinícius, o seu pai, Wagner, além da mãe de Thiago, Priscila Menezes.

    Luto

    Em depoimento, a mãe reiterou que Thiago era um menino "educado, carinhoso sorridente, feliz".

    "Ele não dava trabalho, gostava de ir para escola, se arrumava sozinho para ir e gostava de jogar futebol", contou.  

    O menino frequentava duas escolinhas na comunidade e era um aluno assíduo no colégio. Para comprovar, foi exibido com histórico escolar mostrando mais de 91% de frequência, apesar de notas baixas em português e matemática.

    Priscila reconheceu o filho em várias fotos com amigos, treinando futebol, com a família e também andando de moto. Em uma delas, o menino aparece ganhando um prêmio da escola pelo "caderno mais organizado". "Eu não sei se ele ficou em primeiro ou segundo lugar nessa competição, mas essas é a foto dele (comemorando)", explicou.

    Imagens

    Durante depoimento, a mãe de Thiago demonstrou suspeitar de imagens exibidas pela defesa dos policiais e encontradas no celular do jovem. Os advogados exibiram fotos de armas, de adolescentes encapuzados, com o rosto virado e imagens supostamente de Thiago.

    "Ali aparece o rosto dele, mas esse corpo está muito forte para ser o dele", disse.

    Em outra imagem,  há uma mão segurando uma arma, porém, com uma tatuagem de coração. Thiago não tinha nenhuma tatuagem no corpo, garantiu Priscila. A mãe reconheceu o menino apenas em uma foto com um objeto que aparenta ser uma arma longa, mas demonstrou desconfiança. Ela sugeriu que o objeto poderia ser um objeto para caçar ratos.

    Sobrevivente da ação policial, Marcos Vinícius, o primeiro a ser ouvido, também confirmou que nunca viu Thiago armado.

    Antes do início do júri, o pai do adolescente, Diogo Flausino, afirmou que a expectativa é pela condenação dos reús. "Esperamos Justiça. Eles têm que pagar", disse, durante mais um ato contra a violência policias em frente ao tribunal. Os agentes alegam legítima defesa.

    Para tentar convencer o júri, estão escaladas dez testemunhas, cinco de defesa, e cinco de acusação. O julgamento estava previsto para o fim de janeiro, mas foi adiado pera esta terça-feira.

    Justiça

    Do lado de fora do júri, parentes e amigos de Thiago torciam para um veredicto. Duas colegas de escola do menino, de 15 e 14 anos, relataram que ele era alegre e companheiro. "Era um menino muito legal, que zuava, brincava, sempre usando um pente no cabelo, vaidoso", lembrou uma delas. "Ele era incrível, sempre ia com a gente para [comemorações de aniversários] rodízios de pizza, sempre parceiro, o primeiro a confirmar", acrescentou a outra amiga. "Ele era bom", frisou.

    *Com colaboração da TV Brasil.

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