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    postado em 24/02/2026 15:30

    A Representação Brasileira no Parlamento do Mercosul (Parlasul) aprovou nesta terça-feira (24) por unanimidade o Acordo de comércio entre o Mercosul e a União Europeia. O debate sobre o texto começou no dia 10 de fevereiro, quando o deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP) leu seu relatório sobre o acordo, mas um pedido de vista adiou a análise.

    Com a aprovação, o acordo segue para votação nos plenários da Câmara dos Deputados e do Senado, respectivamente.

    O texto ainda tem que ser ratificado pelos Congressos da Argentina, Paraguai e Uruguai, bem como pelo Parlamento Europeu. A entrada em vigor se dará apenas após conclusão de todos os trâmites.

    Assinado no dia 17 de janeiro, no Paraguai, o acordo foi enviado para análise da representação brasileira no Parlasul pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no dia 2 de fevereiro 

    O acordo cria uma área de livre comércio entre os dois blocos, com redução gradual de tarifas e preservação de setores considerados sensíveis, além de prever salvaguardas e mecanismos de solução de controvérsias.

    O texto contém 23 capítulos que tratam, entre outros pontos, da redução de impostos de importação e da criação de regras para diversos setores. O Mercosul deverá zerar tarifas sobre 91% dos bens europeus em até 15 anos. Já a União Europeia eliminará tarifas sobre 95% dos bens do Mercosul em até 12 anos.

    O acordo estabelece a maior zona de livre comércio do mundo, com mais de 720 milhões de habitantes. A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) estima que a implementação do acordo pode incrementar as exportações brasileiras em cerca de US$ 7 bilhões e ampliar a diversificação das vendas internacionais brasileiras, beneficiando inclusive à indústria nacional.

    >> Confira os principais pontos do acordo:

    1. Eliminação de tarifas alfandegárias

    Redução gradual de tarifas sobre a maior parte dos bens e serviços;

    Mercosul: zerará tarifas sobre 91% dos bens europeus em até 15 anos;

    União Europeia: eliminará tarifas sobre 95% dos bens do Mercosul em até 12 anos.

    2. Ganhos imediatos para a indústria

    Tarifa zero desde o início para diversos produtos industriais.

    >> Setores beneficiados:

    Máquinas e equipamentos;

    Automóveis e autopeças;

    Produtos químicos;

    Aeronaves e equipamentos de transporte.

    3. Acesso ampliado ao mercado europeu

    Empresas do Mercosul ganham preferência em um mercado de alto poder aquisitivo;

    UE tem PIB estimado em US$ 22 trilhões;

    Comércio tende a ser mais previsível e com menos barreiras técnicas.

    4. Cotas para produtos agrícolas sensíveis

    Produtos como carne bovina, frango, arroz, mel, açúcar e etanol terão cotas de importação;

    Acima dessas cotas, é cobrada tarifa;

    Cotas crescem ao longo do tempo, com tarifas reduzidas, em vez de liberar entrada sem restrições;

    Mecanismo busca evitar impactos abruptos sobre agricultores europeus;

    Na UE, as cotas equivalem a 3% dos bens ou 5% do valor importado do Brasil;

    No mercado brasileiro, chegam a 9% dos bens ou 8% do valor.

    5. Salvaguardas agrícolas

    >>UE poderá reintroduzir tarifas temporariamente se:

    Importações crescerem acima de limites definidos;

    Preços ficarem muito abaixo do mercado europeu;

    Medida vale para cadeias consideradas sensíveis.

    6. Compromissos ambientais obrigatórios

    Produtos beneficiados pelo acordo não poderão estar ligados a desmatamento ilegal;

    Cláusulas ambientais são vinculantes;

    Possibilidade de suspensão do acordo em caso de violação do Acordo de Paris.

    7. Regras sanitárias continuam rigorosas

    UE não flexibiliza padrões sanitários e fitossanitários.

    Produtos importados seguirão regras rígidas de segurança alimentar.

    8. Comércio de serviços e investimentos

    >>Redução de discriminação regulatória a investidores estrangeiros.

    >>Avanços em setores como:

    Serviços financeiros;

    Telecomunicações;

    Transporte;

    Serviços empresariais.

    9. Compras públicas

    Empresas do Mercosul poderão disputar licitações públicas na UE;

    Regras mais transparentes e previsíveis.

    10. Proteção à propriedade intelectual

    Reconhecimento de cerca de 350 indicações geográficas europeias;

    Regras claras sobre marcas, patentes e direitos autorais.

    11. Pequenas e médias empresas (PMEs)

    Capítulo específico para PMEs;

    Medidas de facilitação aduaneira e acesso à informação;

    Redução de custos e burocracia para pequenos exportadores.

    12. Impacto para o Brasil

    Potencial de aumento das exportações, especialmente do agro e da indústria;

    Maior integração a cadeias globais de valor;

    Possível atração de investimentos estrangeiros no médio e longo prazo.

    13. Próximos passos

    Aprovação pelo Parlamento Europeu;

    Ratificação nos Congressos do Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai;

    Entrada em vigor apenas após conclusão de todos os trâmites;

    Acordos que extrapolam política comercial precisam ser aprovados pelos parlamentos de cada país.

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