
Na sua jornada independente pelas artes cênicas e pela produção cultural, teve destaque também na revitalização do carnaval de rua do Rio. Em 1985, fundou no bairro de Botafogo, na zona sul da cidade, o tradicional Bloco do Barbas, que se notabilizou como símbolo de um carnaval democrático, crítico e popular.
A partir desse bloco, a cena carioca mudou e os foliões voltaram a se reunir mais nas ruas. O nome do bloco tinha tudo a ver com a barba comprida que Nelsinho cultivou durante a sua vida.
Em nota oficial, o Ministério da Cultura (MinC) destacou que, durante a ditadura militar, Nelsinho foi militante do Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8) e ficou preso por sete anos, período que marcou profundamente sua vida. Ao longo das décadas seguintes, manteve atuação engajada, aliando cultura, memória e participação política, completou.
Ainda na nota, o MinC manifestou profundo pesar pelo falecimento, que considera uma perda para a cultura do país.
Sua partida representa uma perda significativa para o teatro brasileiro, para a produção cultural e para a história do carnaval de rua do país, disse a pasta.
O Ministério concluiu se solidarizando com familiares, amigos, admiradores da obra e do legado do artista, que tanto contribuíram para nossa identidade nacional.
Foliões curtem o carnaval no Bloco dos Barbas, em Botafogo, em 2018 Foto: Fernando Frazão/Arquivo Agência Brasil
No seu perfil no Instagram, o Bloco do Barbas postou uma mensagem em conjunto com o Sebastiana, associação de blocos de rua do Rio, se despedindo de Nelson Rodrigues Filho, o muito querido Nelsinho, fundador do Bloco do Barbas e um dos pilares da Sebastiana.
O texto o classifica como diretor combativo, militante da democracia e apaixonado pelo carnaval de rua. Nelsinho esteve na linha de frente das lutas pelo direito de ocupar a cidade com alegria, crítica e irreverência.
Por décadas, ajudou a organizar o carnaval e a negociar com órgãos públicos. Resistiu, criou, iluminou e manteve vivo o Carnaval de rua. O legado de Nelsinho segue vivo nos desfiles do Barbas, na história da Sebastiana e em cada pessoa que acredita no carnaval, diz o Bloco.
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