Cidades

MAIS LIDAS

    postado em 26/02/2026 12:29

    Uma operação deflagrada pela Polícia Federal (PF) nesta quinta-feira (26) investiga possível desvio de recursos federais do Fundo Nacional de Assistência Social (FNAS) repassados à prefeitura de Lajeado (RS), utilizados em três licitações feitas durante as enchentes que atingiram o município em maio de 2024.

    A Operação Lamaçal teve sua primeira fase deflagrada em novembro de 2025, quando investigou a contratação de empresa para a prestação de serviços terceirizados de psicólogo, assistente social, educador social, auxiliar administrativo e motorista.

    Os contratos teriam movimentados, na época, cerca de R$ 120 milhões.

    Na época, o então secretário estadual de Desenvolvimento Urbano e Metropolitano Marcelo Caumo, ex-prefeito de Lajeado, se disse com sentimento de injustiça e pediu afastamento do cargo para se dedicar a fazer os esclarecimentos sobre a denúncia. 

    A dispensa da licitação foi feita tendo, como justificativa, o estado de calamidade pública declarado pelo município em 2024. Lajeado foi uma das cidades mais atingidas pelas enchentes.

    Hipótese corroborada pela PF

    Segundo a PF, a análise parcial do material apreendido corroborou a hipótese de direcionamento das licitações, informaram os investigadores, ao anunciarem a segunda fase deflagrada hoje, focada em empresas de um mesmo grupo econômico, contratadas para prestar serviços de assistência social.

    A investigação constatou indícios de que os valores pagos estavam acima dos preços praticados no mercado suspeita que foi reforçada pelo fato de a proposta vencedora do certame não ter sido a mais vantajosa.

    Prisões e afastamento de cargos

    Por determinação do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, 20 mandados de busca e apreensão e 2 mandados de prisão temporária estão sendo cumpridos nos municípios de Muçum, Encantado, Garibaldi, Salvador do Sul, Fazenda Vilanova, Novo Hamburgo e Porto Alegre, além de Lajeado.

    Foi também determinada a prisão de dois suspeitos e o afastamento cautelar de cargo público ocupado por dois outros investigados. Durante a operação, a PF apreendeu três veículos, aparelhos eletrônicos e documentos, além de bloquear ativos ligados a suspeitos.

    Se condenados, os investigados responderão pelos crimes de desvio, ou aplicação indevidamente, de rendas ou de verba pública; de contratação direta ilegal, de fraude em licitação ou em contrato, de corrupção passiva, de corrupção ativa, de associação criminosa, de lavagem de dinheiro, entre outros.

    Gostou da matéria? Escolha como acompanhar as principais notícias do Correio:

    Dê a sua opinião! O Correio tem um espaço na edição impressa para publicar a opinião dos leitores. Clique aqui e saiba mais.