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    postado em 28/02/2026 18:35

    O governo federal decidiu revisar as tarifas de importação de smartphones e de produtos eletroeletrônicos. A medida foi aprovada nesta sexta-feira (27) pelo Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex), vinculado à Câmara de Comércio Exterior (Camex).

    O impacto da decisão sobre os preços ao consumidor é praticamente nulo, estimado em um aumento de 0,04%.

    O cálculo é de Uallace Moreira Lima, secretário de Desenvolvimento Industrial, Inovação, Comércio e Serviços do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, que acompanhou o vice-presidente Geraldo Alckmin em agenda neste sábado, em São Paulo.

    Segundo ele, a produção de celulares no país já é majoritariamente nacional: cerca de 95% dos aparelhos comprados pelos brasileiros são fabricados no Brasil. Por isso, as mudanças têm impacto tão baixo para o consumidor.

    28/02/2026 - Secretário(a) de Desenvolvimento Industrial, Inovação, Comércio e Serviços, Uallace Moreira Lima. Foto: MDIC/Divulgação
    28/02/2026 - Secretário de Desenvolvimento Industrial, Inovação, Comércio e Serviços, Uallace Moreira Lima. Foto: MDIC/Divulgação

    O que mudou?

    A decisão do governo envolve um conjunto de 120 produtos. Desse total:

    - 105 itens tiveram o imposto de importação zerado;

    - 15 produtos que haviam tido aumento de tarifa voltaram aos percentuais anteriores. Entre eles, notebooks, smartphones, roteadores, impressoras em braile e mesas digitalizadoras.

    Esses 15 itens, segundo o secretário, tinham sido reajustados para 16% ou 20%, ou passaram de 12% para 16%, por possuírem similares produzidos no país.

    Com a revisão, retornaram às alíquotas anteriores, como 10% ou 16%.

    Na prática, a medida restabelece as condições anteriores para esses produtos e amplia a lista de itens com tarifa zerada.

    Custos baixos

    Segundo Uallace Moreira Lima, o objetivo central da decisão é defender a cadeia produtiva nacional e, ao mesmo tempo, manter baixos os custos de produção.

    O secretário explicou que foi mantido o regime de ex-tarifário, que reduz praticamente a zero o imposto de importação para determinados bens.

    "A lógica é garantir que as empresas continuem tendo acesso a insumos e equipamentos com menor custo, sem prejudicar a indústria nacional."

    Para o governo, a calibragem das tarifas permite proteger a produção, o emprego e a renda, sem gerar aumento de preços para a população.

    Diálogo

    De acordo com o secretário, parte das críticas e da repercussão negativa iniciais ocorreu por uma falta de leitura atenta das resoluções que regulamentaram a mudança.

    Ele ressaltou que ficou acordado com o setor que todos os produtos que estavam com alíquota zero e passaram para 7% poderiam ter o benefício restabelecido imediatamente, mediante pedido das empresas.

    Esse compromisso está sendo cumprido pelo governo, destacou Uallace.

    Para ele, à medida que o setor produtivo passa a compreender os detalhes da decisão, fica claro que a política foi formulada de forma criteriosa, preservando o incentivo à importação de insumos e, ao mesmo tempo, protegendo a produção nacional.

    Como funciona

    Pelas regras estabelecidas, as empresas que tiveram a alíquota elevada de 0% para 7% podem apresentar um pedido de revisão. A partir disso, o governo passa a analisar se o produto possui ou não similar nacional.

    Se não houver produto equivalente fabricado no país, a alíquota permanece em 0%;

    Se, ao final da análise, for constatado que há similar nacional, a tarifa volta para 7%.

    O mesmo procedimento vale para novos investimentos. Caso uma empresa pretenda importar uma máquina ou equipamento que ainda não tenha o benefício da tarifa zero, poderá solicitar o enquadramento no ex-tarifário. 

    O governo, então, verificará se existe produção nacional equivalente antes de conceder o benefício.

    Segundo o secretário, o regime continuará funcionando normalmente, reforçando o caráter técnico e dialogado da política de tarifas adotada pelo governo.

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