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    postado em 09/03/2026 17:52

    Memes, ameaças, dados vazados, deepfakes pornográficos - as estratégias são muitas para transformar mulheres em alvos digitais. O que acontece no ambiente virtual é reflexo da sociedade fora da internet. E vice-versa. Mas com um agravante: o discurso de ódio gera engajamento, vende e rende lucros para misóginos e plataformas digitais.

    O episódio A nova roupa do machismo, do programa Caminhos da Reportagem, da TV Brasil, apresenta a discussão sobre monetização e estímulo ao discurso de ódio contra mulheres na internet. O programa vai ao ar nesta segunda-feira (9), às 23h. 

    Em 2025, o Brasil bateu recordes em casos de feminicídio, com 4 mulheres mortas por dia, segundo levantamento do Ministério de Justiça e Segurança Pública. Embora ainda não seja possível fazer uma correlação com o aumento do discurso de ódio na internet, é possível afirmar que a violência de gênero tem aumentado - dentro e fora das telas. 

    Um levantamento do Desinfo.pop, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), monitorou 85 comunidades virtuais de redes de ódio. Os pesquisadores verificaram que, de 2019 a 2025, houve um crescimento de quase 600 vezes no envio de conteúdo misógino. Para a pesquisadora Julie Ricard, o diagnóstico é que há homens que se sentem atacados pelo poder conquistado pelas mulheres. Eles estão quase numa missão de se proteger, analisa. 

    Brasília (DF), 09/03/2026 - Programa Caminhos da Reportagem. A nova roupa do machismo. Frame: TV Brasil A musicista Bruna Volpi é uma das entrevistadas do Caminhos da Reportagem - TV Brasil

    A musicista Bruna Volpi foi um desses alvos, por ironizar o comportamento masculino nas redes sociais. Em uma das mensagens que recebeu, um executivo de uma empresa da qual Bruna era cliente, disse que tinha os dados dela e a ameaçou. Um homem que se ofende porque eu estou falando que nós merecemos viver, esse homem é um potencial perigo para a sociedade, afirma. 

    A Safernet, ONG referência de proteção de direitos digitais no país, percebeu um aumento de 220% no número de denúncias de crimes online de misoginia entre 2024 e 2025.

    As mulheres não aceitam mais o destino que o patriarcado tinha relegado a elas e isso é compreendido pelos homens como um ataque à masculinidade deles, acredita a escritora Márcia Tiburi. 

    Lola Aronovich é vítima há mais de 15 anos, sofrendo ataques por seu blog feminista. Até mesmo um site foi criado para difamá-la e vazar seus dados. Dois homens foram condenados; um reincidiu e tornou-se o primeiro preso no país por terrorismo digital, hoje cumprindo 41 anos de prisão. O caso impulsionou a criação da Lei 13.642/2018 (Lei Lola), que atribuiu à Polícia Federal a investigação de crimes digitais misóginos.

    Segundo o delegado Flávio Rolim, coordenador de Combate a Crimes Cibernéticos de Ódio, da Polícia Federal, são crimes de discursos e postagens que normalizam a violência e fomentam práticas extremas, como homicídios e estupro, contra a mulher. 

    Avanços e recuos 

    Em janeiro, a Meta, empresa responsável pelo Facebook, Instagram e Threads, passou a permitir acusações de anormalidade mental relacionadas a gênero ou orientação sexual. É um retorno ao tal conceito de liberdade de expressão inicial quando a empresa foi criada para justificar uma menor moderação de temas que eles consideram de minorias, analisa Julie Ricard.

    A gente sabe que ódio gera engajamento e que essa é a máquina deles, de manter as pessoas conectadas o máximo possível, conclui. 

    Brasília (DF), 09/03/2026 - Programa Caminhos da Reportagem. A nova roupa do machismo. Frame: TV Brasil Luciana Zogaib, narradora esportiva da Rádio Nacional e TV Brasil - TV Brasil

    No Brasil, não há ainda uma lei que criminalize a misoginia. Mulheres, como a comentarista e analista de games Layze Pinto Brandão, conhecida nas redes como Lahgolas, e a jornalista esportiva e narradora Luciana Zogaib sofrem com o discurso de ódio, principalmente por estarem em áreas predominantemente masculinas.  Ter uma legislação coibiria um pouco mais, a pessoa passa a pensar duas vezes antes de fazer aquele tipo de coisa, principalmente por conta de valentões que se acham acima da lei, afirma a gamer. 

    Ficha técnica: 

    Reportagem: Ana Graziela Aguiar 

    Produção: Acácio Barros 

    Reportagem cinematográfica: JM Barboza 

    Auxílio técnico: Rafael Carvalho 

    Apoio produção: Hiago Rocha (TV Ufal) 

    Apoio imagens: Jefferson Pastori (SP), Eduardo Domingues (SP), Gilson Machado (RJ), Eusébio Gomes (RJ), Rodolpho Rodrigues (RJ), Eduardo Guimarães (RJ), André Rodrigo Pacheco (DF), Sigmar Gonçalves (DF) e Deco Monteiro (Ufal) 

    Apoio auxílio técnico: Caio Araujo (RJ) e Dailton Matos (DF)  

    Edição de texto: Carina Dourado 

    Montagem e finalização: Rivaldo Martins 

    Arte: Aleixo Leite 

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