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    postado em 17/03/2026 09:50

    O presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, intensificou sua retórica contra Cuba ao afirmar que espera ter a "honra" de tomar Cuba de alguma forma. "Posso fazer o que quiser" com o país.

    As declarações ameaçadoras foram feitas no momento em que Cuba e os EUA iniciaram conversações com o objetivo de melhorar suas relações, em grande parte adversas, que atingiram um de seus momentos mais contenciosos nos 67 anos desde que Fidel Castro derrubou o que era um aliado próximo dos EUA.

    "Acredito que terei a honra de tomar Cuba. Essa é uma grande honra. Tomar Cuba de alguma forma", disse Trump aos repórteres enquanto a ilha enfrenta uma crise econômica sem precedentes, exacerbada por um bloqueio de petróleo que os EUA impuseram depois de capturar o ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro.

    "Quero dizer, se eu a libero, se eu a tomo. Acho que posso fazer o que quiser com ela. Vocês querem saber a verdade", disse Trump aos repórteres em um evento de autógrafos no Salão Oval.

    Após a fala de Trump, o New York Times informou que a destituição do presidente cubano Miguel Díaz-Canel é um dos principais objetivos dos EUA nas negociações bilaterais. Citando quatro pessoas familiarizadas com as conversações, o Times disse que os norte-americanos sinalizaram aos negociadores cubanos que Díaz-Canel deve sair, mas estão deixando os próximos passos a cargo dos cubanos.

    Tradicionalmente, Cuba rejeita qualquer interferência em seus assuntos internos e considera qualquer proposta nesse sentido um obstáculo para qualquer acordo.

    Díaz-Canel, 65 anos, que sucedeu Fidel Castro e seu irmão Raúl Castro como presidente em 2018, disse na sexta-feira que esperava que as negociações com os Estados Unidos ocorressem "sob princípios de igualdade e respeito pelos sistemas políticos de ambos os países, soberania e autodeterminação".

    Mas Trump, depois de remover Maduro do poder e se juntar a Israel para atacar o Irã, cogitou abertamente que Cuba seria "a próxima". Ele intensificou a pressão ao interromper todas as remessas de petróleo venezuelano para Cuba e ameaçar impor tarifas a qualquer país que venda petróleo para Cuba.

    Como resultado, Cuba diz que não recebe um carregamento de petróleo há três meses e que o país impôs um severo racionamento de energia, resultando em interrupções prolongadas de energia. Grande parte de sua economia foi paralisada.

    Nessa segunda-feira, a rede elétrica de Cuba entrou em colapso, deixando sem energia o país de 10 milhões de pessoas.

    No domingo (15), Trump afirmou a repórteres, a bordo do Air Force One: "Estamos conversando com Cuba, mas vamos resolver o Irã antes de Cuba".

    Embora mais de uma dúzia de presidentes dos EUA, ao longo de décadas, tenham se oposto ao governo comunista de Cuba e criticado seu histórico de direitos humanos, Washington honrou sua promessa de não invadir Cuba ou apoiar uma invasão como parte do acordo com a União Soviética para resolver a crise dos mísseis de 1962.

    A Casa Branca ainda não detalhou a base legal para qualquer possível intervenção em Cuba.

    *(Reportagem adicional de Ryan Patrick Jones em Toronto)

    *É probida a reprodução deste conteúdo

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