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    postado em 20/03/2026 15:51

    O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, classificou como banditismo e criticou postos de combustíveis que aumentaram o preço do óleo diesel nas últimas semanas.

    Isso é banditismo de postos de gasolina e distribuição, que estão cometendo crime contra a economia popular, afirmou.

    A declaração foi nesta sexta-feira (20), na saída de um evento sobre política assistencial, na sede da Fundação Getulio Vargas (FGV), no Rio de Janeiro.

    Para Boulos, o aumento do óleo diesel no país não é justificado pela guerra do Oriente Médio, uma vez que o governo federal anunciou medidas para conter a escalada de preços, como a redução a zero das alíquotas de impostos federais que incidem sobre o combustível (PIS e Cofins). 

    O presidente Lula zerou o PIS/COFINS. As distribuidoras não estão pagando a mais pelo óleo diesel, mas estão transferindo para o consumidor um aumento especulativo, criticou.

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    As medidas do governo têm o intuito de evitar que o preço do petróleo no mercado internacional cause impacto na inflação aqui no Brasil.

    O barril do óleo tipo Brent, referência internacional de preço, é negociado nesta sexta-feira por volta de US$ 110 (cerca de R$ 580). Antes do ataque dos Estados Unidos e de Israel ao Irã, o produto era cotado pouco acima de R$ 70.

    Encontro com caminhoneiros

    Boulos confirmou que terá, na próxima quarta-feira (25), um encontro no Palácio do Planalto com lideranças de movimento dos caminhoneiros, que chegaram a ameaçar uma greve da categoria, por causa do combustível mais caro.

    No entanto, em assembleia no Porto de Santos, na quinta-feira (19), os caminhoneiros decidiram contra cruzar os braços

    Boulos afirmou que a ideia de paralisação foi abandonada depois que o governo se comprometeu a atender demanda da categoria.

    Tivemos um diálogo permanente com eles nos últimos dias, desde o fim da semana passada, para evitar uma paralisação que poderia trazer prejuízos importantes para o povo brasileiro, contou.

    O ministro lembrou que o governo se comprometeu a atender a demandas dos caminhoneiros.

    Atuação enérgica, que já está sendo feita, para conter a escalada especulativa do preço do diesel, citou.

    Boulos disse que a Polícia Federal (PF) e órgãos de defesa do consumidor estão nas ruas com operações diárias, que podem resultar em prisão.

    Já foram operações em 400 postos nas últimas 48 horas, em várias distribuidoras, com lacração, aumento de multas e o próximo passo é a prisão de representantes deles, descreveu.

    Piso do frete

    A outra demanda, apontou o ministro, foi atendida pela Medida Provisória (MP) 1.343/2026, publicada na quinta-feira (19), que pune transportadoras que não cumpram o piso estabelecido para o frete. 

    Não dá para as grandes empresas não cumprirem o piso mínimo, reclamou.

    Boulos contou que o texto da MP foi negociado com os caminhoneiros e que apenas multas não estavam inibindo os donos de transportadoras.

    Já havíamos nos reunido com os caminhoneiros no fim do ano, o governo intensificou a fiscalização, mas mesmo com as multas que superam R$ 400 milhões nos últimos três meses, eles continuam [a descumprir], parece que compensa para eles ter a multa e não pagar o piso, disse a jornalistas.

    A MP determina que, em caso de reincidência das grandes transportadoras, as empresas podem ter o registro de funcionamento cassado.

    Petróleo e guerra

    Desencadeadora do choque global de preços do petróleo, a ofensiva dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã foi iniciada em 28 de fevereiro. Uma das formas de retaliação do Irã é o ataque a países vizinhos produtores de petróleo e o bloqueio do Estreito de Ormuz, ligação marítima entre os golfos Pérsico e Omã, ao sul do Irã. Por ali passam 20% da produção mundial de petróleo e gás.

    A tensão na região pressiona a oferta de petróleo no mercado internacional, o que eleva a cotação dos preços. O Irã chegou a alertar o mundo para se preparar para o petróleo a US$ 200.

    Aqui no Brasil, a Petrobras reajustou o preço do diesel em R$ 0,38 no último sábado (14), mas, de acordo com a presidente da estatal, Magda Chambriard, o reajuste nas bombas foi suavizado pela desoneração (redução de tributos) efetuada pelo governo. 

    O governo também propôs aos estados a redução do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) incidente sobre o diesel importado. 

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