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    postado em 23/03/2026 08:14

    O dicionário Michaelis traz 15 definições para a palavra amor. A primeira delas descreve como sentimento que leva uma pessoa a desejar o que se lhe afigura belo, digno ou grandioso. A segunda faz referência a uma grande afeição que une uma pessoa a outra.

    Mas será que o ato de amar se manifesta somente da forma que as linhas do dicionário traduzem?

    Brasília (DF), 17/03/2026 - Programa Caminhos da Reportagem exibe o programa Amar, verbo em transição. Fernando Gomes, neurocientista. Frame: TV Brasil
    Fernando Gomes em entrevista para o Caminhos da Reportagem - TV Brasil

    Para o neurocientista Fernando Gomes, desde criança, todo mundo começa a entender que existe a necessidade de você ter uma pessoa ou alguém para você amar ou, pelo menos, vivenciar uma história romântica.

    A professora de português e literatura Ana Maria de Matos Viegas, quando criança, tinha uma ideia idealizada de amor: Na quinta série primária, eu já tinha um caderno de música, e a primeira música do caderno era A Minha Namorada, do Vinícius. Daí pra cima. Era essa ideia muito romântica do amor, do tudo certo, explica.

    Brasília (DF), 17/03/2026 - Programa Caminhos da Reportagem exibe o programa Amar, verbo em transição. Geni Núñez, psicóloga. Frame: TV Brasil
    Geni Núñez explica que a idealização do amor tem raízes no conceito de amor romântico- TV Brasil

    A psicóloga Geni Núñez explica que essa forma idealizada de enxergar o amor tem raízes no conceito de amor romântico. Para ela, esse tipo de amor tem a inspiração platônica de que só é verdadeiro aquilo que é complementar. Então, a gente vai ver no senso comum a ideia de metade da laranja, a tampa da panela.

    Renato Noguera, filósofo, complementa este pensamento ao mostrar como os contos de fadas, assim como os livros, filmes, novelas, exaltam essa forma de amar.

    Brasília (DF), 17/03/2026 - Programa Caminhos da Reportagem exibe o programa Amar, verbo em transição. Renato Noguera, filósofo. Frame: TV Brasil
    Renato Noguera mostra que os contos de fadas influenciam na construção do amor ideal - TV Brasil

    Quando a gente fala de amor romântico, tem uma genealogia, tem uma evolução. A gente pode imaginar Romeu e Julieta: o Romeu ali falando com a Julieta no balcão, ela numa sacada aos trovadores [...] Aquela cena que todo mundo deve ter visto, que é alguém pedindo outra pessoa em casamento, dobrando um joelho, oferecendo uma joia, oferecendo um anel, exemplifica.

    O matrimônio era, para a bibliotecária Mónica Aliseris, a única opção. Não tinha uma coisa natural, era assim: você um dia vai se apaixonar, vai se casar e vai ter filhos. Nunca pensei em outra coisa porque não tinha outro repertório, enfatiza.

    Ana e Mónica (foto em destaque) se casaram, tiveram filhos, se separaram e se conheceram quando tinham quase 50 anos. Para elas, que se casaram em 2019, o etarismo é uma questão que precisa ser mais discutida quando o assunto é amor:

    O etarismo é uma coisa que está precisando ganhar mais espaço, ser mais discutido para fortalecer as pessoas, para não ficarem mais nesse cantinho onde o velho perdeu todo o valor. E tem também uma coisa de relacionamentos antigos que, de repente, saem do armário. Moram juntos, são amigos, são amigas Não, não, são um casal.

    Além da história de Ana e Mónica, o Caminhos da Reportagem conta outras quatro histórias de amor que abordam temas como assexualidade, transfobia, capacitismo e luto. O programa vai ao ar nesta segunda-feira (23), às 23h, na TV Brasil.

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