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    postado em 25/03/2026 16:40

    A Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, passou a contar com uma tecnologia inédita de contenção de poluentes: barreiras produzidas com cabelo humano começaram a ser instaladas para absorver óleo e reter resíduos. A iniciativa foi implementada na Enseada de Bom Jesus, na Ilha do Fundão, na zona norte da capital fluminense.

    Dispositivos formados por rolos de cabelo humano e envolvidos em malha de algodão foram acoplados a uma barreira flutuante de cerca de 300 metros. A estrutura já era usada para reter lixo e passa agora a absorver também poluentes oleosos um avanço importante para a proteção do manguezal local.

    Estudos indicam que um grama de cabelo pode absorver, em média, cinco gramas de óleo, o que torna o material uma alternativa eficiente e de baixo custo no combate à poluição.

    A ação é liderada pelas organizações não governamentais (ONGs) Orla Sem Lixo Transforma (OSLT) e Fiotrar, com apoio da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza. É a primeira vez que essa tecnologia é aplicada em ambiente natural no país.

    Os rolos de cabelo humano são aproveitados do que seria descartado pela ONG Fiotrar, que recebe doações para produzir perucas para pacientes com câncer.

    Diretora do Fiotrar, Caroline Carvalho celebra que a instalação da barreira é a validação de anos de pesquisa e desenvolvimento dessa tecnologia.

    "Depois de um longo caminho para transformar uma ideia em uma solução aplicável, chegar a essa etapa significa provar, na prática, que é possível unir ciência, sustentabilidade e impacto social de forma concreta.

    A coordenadora do Orla Sem Lixo Transforma e professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Suzana Vinzon, conta que o projeto passou por um ciclo de testes ao longo do último ano, que buscou adaptar a tecnologia às condições ambientais específicas da Baía de Guanabara e às características estruturais das barreiras desenvolvidas.

    A proteção dos manguezais é considerada estratégica para a resiliência da Baía de Guanabara. Esses ecossistemas funcionam como barreiras naturais, reduzindo a força das ondas e protegendo a costa contra erosão e eventos extremos. Ao evitar a contaminação por óleo e lixo, a nova tecnologia ajuda a preservar essas áreas, fundamentais também para o sequestro de carbono e a manutenção da biodiversidade.

    Especialista em conservação da biodiversidade na Fundação Grupo Boticário, a oceanógrafa Liziane Alberti defende que a iniciativa mostra como diferentes soluções podem se complementar para enfrentar desafios ambientais complexos como a poluição marinha.

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