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    postado em 07/04/2026 09:21

    Neste Abril Indígena, diversos equipamentos culturais de São Paulo oferecem programações especiais, em homenagem aos povos originários. O período, celebrado anualmente, não remete apenas às suas expressões tradicionais, mas também à sua obstinação e resistência, a mais antiga do Brasil, iniciada com a chegada dos europeus.

    Por ter como razão de existir a preservação da cultura ameríndia, o Museu das Culturas Indígenas, no bairro Água Branca, conta com várias atividades. Vão de oficina de maracá, instrumento musical, com o grupo Yamititkwa Sato, do povo fulni-ô, de Águas Belas, Pernambuco, ao show da musicista pernambucana Siba Puri, que se autointitula voz do "reggae originário.

    No Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo (MAE-USP), uma boa pedida é a exposição Resistência já!, que trata da luta dos povos kaingang, guarani nhandewa e terena. Nela são exibidos objetos, roupas e fotografias do fim do século 19 a 1947, escolhidos pelos próprios indígenas.

    Caixa Cultural

    Um dos destaques da temporada, da Caixa Cultural, é a peça Ideias para adiar o fim do mundo, saída das páginas da obra do poeta, escritor e líder político-espiritual Ailton Krenak.

    Brasília/DF, 13/05/2024  O Ativista do movimento socioambiental e defensor dos direitos dos povos indígenas, Ailton Krenak, recebe do embaixador da França no Brasil, Emmanuel Lenain, a insígna de Cavaleiro da Ordem Nacional da Legião de Honra, um reconhecimento do governo francês pelo importante trabalho na defesa dos povos originários.   Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil Brasília/DF, 13/05/2024  Ideias para adiar o fim do mundo, obra do poeta, escritor e líder político-espiritual Ailton Krenak. Foto-arquivo: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil - Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

    O livro, uma adaptação de palestras suas, traz reflexões sobre as inúmeras crises desencadeadas na atualidade e é matéria-prima para o espetáculo, protagonizado por Yumo Apurinã e dirigido por João Bernardo Caldeira.

    Fica em cartaz da próxima quinta-feira (9) a domingo (12) e tem entrada gratuita. Na sexta-feira (10), a sessão contará com recursos da Língua Brasileira de Sinais (Libras). Os ingressos serão distribuídos uma hora antes da peça, com limite de um por pessoa.

    Quem quiser espiar o processo por trás das cortinas do teatro poderá aprender exercícios utilizados por atores e atrizes, com Yumo Apurinã, no próximo fim de semana, das 14h às 17h. Para acompanhar esse processo criativo, são ofertadas 25 vagas e as inscrições devem ser feitas pela internet. A classificação indicativa é de 16 anos.

    De 14 a 19 de abril, turmas com adultos e crianças irão cultivar dentro de si uma nova perspectiva para brincadeiras como a peteca, o Jogo da Onça e a corrida de tora. Uma jornada corporal de três horas em direção à valorização da harmonia entre seres humanos, natureza, ancestralidade e cooperação. Para participar, é necessário se inscrever previamente.

    O mês é encerrado na Caixa Cultural com mais uma tarde de Contação de Histórias - Histórias de Povos Ancestrais, no dia 25. A atividade, de classificação livre e voltada, sobretudo, a jovens e adultos, abarca narrações guarani, yanomami e tukano, que demonstram como entendem a origem do mundo e quais princípios os guiam diariamente.

    Sesc SP

    Ao longo de todo o mês de abril, aos sábados, educadores do Sesc em Jundiaí aumentam o repertório de arte indígena do público, compartilhando criações de diferentes povos. Os participantes, de, no mínimo, 3 anos de idade, também poderão produzir obras próprias, tomando-as como referência.

    Interessados em bater o cartão, por vários dias seguidos, em um complexo cultural têm uma opção interessante na Pompeia, em São Paulo: Cosmologia e Pintura Astronômica Indígena. As inscrições já estão abertas para as aulas, que vão de 14 a 17 de abril.

    Na unidade de Piracicaba do Sesc SP, no próximo domingo (12), será a vez de aprender com Duhigó, indígena do povo tukano, sobre grafismos, isto é, composições geométricas usadas para enfeitar objetos e em pinturas corporais, imbuídas de significados. A atividade é voltada a crianças com idade máxima de 12 anos.

    Na mesma data, em Piracicaba, o Sesc exibe o longa-metragem Wiñaypacha. Dirigido por Óscar Catacora, o filme retrata Willka e Phaxsi, um casal de idosos que vive isolado nos Andes peruanos e é afetado pela partida do filho.

    Outras atrações da rede Sesc são a sessão, em São José dos Campos, do filme Amazônia, a Nova Minamata, ainda no domingo, e a de Terras, na terça-feira (14), em Presidente Prudente, esta paga. Na quinta-feira (16), os pankararu permitem ao público entrever um pouco de um de seus rituais espirituais, o toré , em Santo Amaro, na capital paulista.

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