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    postado em 12/05/2026 21:17

    O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta terça-feira (12) ser radicalmente contra qualquer tipo de compensação financeira ou indenização a empresas em caso de aprovação de propostas que reduzam a jornada de trabalho e acabem com a escala 6x1 no Brasil. A declaração foi dada durante audiência pública na comissão especial da Câmara dos Deputados que discute mudanças nas regras trabalhistas.

    Segundo o ministro, o debate sobre redução da jornada faz parte de uma transformação mundial nas relações de trabalho e não deve ser tratado como um prejuízo a ser compensado pelo Estado.

    Muita gente fala em indenização, em compensação. Eu sou radicalmente contra isso, afirmou Durigan.

    Debate no Congresso

    A comissão especial da Câmara analisa atualmente duas propostas de emenda à Constituição (PECs) sobre o tema.

    Uma delas, apresentada pela deputada Erika Hilton (PSOL-SP), prevê jornada semanal de quatro dias de trabalho e prazo de 360 dias para implementação das novas regras.

    A segunda proposta, apresentada pelo deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), reduz gradualmente a jornada para 36 horas semanais ao longo de dez anos.

    Paralelamente, o governo federal enviou ao Congresso um projeto de lei propondo redução da carga horária semanal para 40 horas e diminuição da escala de seis para cinco dias trabalhados por semana.
     

    Brasília  DF  12/05/2026  Reunião da Comissão Especial da Câmara sobre o Fim da Escala 6x1 para debater os impactos econômicos da redução da escala de trabalho, sem redução de salário. Participou ministro da Fazenda, Dario Durigan. Foto Lula Marques/Agência Brasil O ministro da Fazenda, Dario Durigan, durante audiência pública na comissão especial da Câmara dos Deputados que discute mudanças nas regras trabalhistas - Foto: Lula Marques/ Agência Brasil

    Sem indenização

    Durigan argumentou que a hora de trabalho pertence ao trabalhador e não às empresas.

    A titularidade da hora do trabalho não é do empregador, declarou.

    Segundo ele, mudanças nas relações trabalhistas ocorreram historicamente em vários países sem que houvesse compensações financeiras ao setor produtivo.

    Não cabe indenização. Quando a gente reconhece ganhos geracionais, isso não é só Brasil que faz, isso é um debate mundial, afirmou.

    O ministro disse ainda que outros países implementaram jornadas menores há décadas e conseguiram elevar produtividade e qualidade de vida dos trabalhadores.

    Produtividade

    Representantes do setor produtivo demonstram preocupação com possíveis aumentos de custos, impactos sobre competitividade e perda de produtividade em caso de redução da jornada.

    Estudo da Confederação Nacional da Indústria citado durante o debate estima que uma redução para 40 horas semanais poderia provocar impacto negativo de 0,7% no Produto Interno Bruto (PIB), equivalente a cerca de R$ 76,9 bilhões.

    Durigan, porém, afirmou que a mudança pode estimular ganhos de eficiência tanto para empresas quanto para trabalhadores.

    Se a gente tem hoje uma dinâmica de trabalho na empresa, é preciso otimizar essa dinâmica de trabalho. É preciso corrigir gargalos de eficiência, disse.

    Segundo o ministro, jornadas menores tendem a pressionar empresas e empregados a buscarem maior produtividade.

    Pequenos negócios

    Apesar de rejeitar indenizações, Durigan afirmou que o governo está disposto a discutir medidas de apoio para pequenas empresas durante eventual transição.

    O ministro citou a possibilidade de ampliação de linhas de crédito, programas de capacitação e incentivos à digitalização de negócios.

    Acho que o Estado precisa ter linha de crédito, o Estado precisa ajudar na transformação digital, na transformação ecológica, afirmou.

    Durigan também mencionou a possibilidade de programas semelhantes ao Desenrola voltados para pequenos empreendedores.

    Segundo ele, mecanismos já existentes, como o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e o Simples Nacional, ajudam a reduzir custos para empresas de menor porte.

    Negociação coletiva

    O ministro defendeu ainda que acordos coletivos continuarão sendo importantes mesmo com eventuais mudanças na legislação trabalhista.

    Para essa acomodação, para esses ajustes, é muito importante que a gente siga tendo espaço de negociação coletiva entre o setor patronal e o setor trabalhista, declarou.

    Durante a audiência, o relator da proposta, o deputado Leo Prates (Republicanos-BA), afirmou que o Brasil possui uma das maiores jornadas de trabalho do mundo, mas baixa produtividade.

    Nós temos a quarta maior jornada do mundo, 44 horas semanais, e temos uma das piores produtividades do mundo, disse o parlamentar.

    Segundo o cronograma da comissão, o parecer sobre a PEC deve ser apresentado ainda em maio.

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