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    postado em 20/05/2026 08:06

    Os devedores com cobranças na Justiça precisam ter atenção redobrada. O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) colocou em prática um projeto-piloto para reformular o Sistema de Busca de Ativos do Poder Judiciário (Sisbajud), sistema usado pela Justiça para localizar e bloquear dinheiro de devedores em processos judiciais.

    A principal mudança é a possibilidade de bloqueios ocorrerem no mesmo dia da decisão judicial, além do monitoramento contínuo das contas por até um ano.

    Até agora, as instituições financeiras levavam de um a dois dias úteis para cumprir as ordens. Com o novo sistema, que começou a funcionar na semana passada, o tempo de execução caiu para duas horas após a decisão judicial, com os tribunais enviando as ordens duas vezes por dia: às 13h e às 20h.

    Em fase de testes por 18 meses, o novo sistema vale para cinco bancos que assinaram acordo com o CNJ: Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, Itaú Unibanco, Nubank e XP Investimentos. O CNJ pretende ampliar gradualmente a medida para todo o sistema financeiro.

    Além da redução do tempo, o novo sistema aumentou a duração dos bloqueios. Antes, o bloqueio atingia apenas o saldo disponível no momento da ordem judicial. Agora, a determinação poderá permanecer ativa por até um ano, permitindo que novos depósitos recebidos pelo devedor também sejam retidos automaticamente até atingir o valor da dívida.

    A nova versão do sistema amplia o poder de rastreamento do Judiciário sobre contas bancárias e aplicações financeiras. O CNJ afirma que o objetivo é tornar a recuperação de dívidas mais rápida e eficiente e impedir a movimentação para contas de terceiros após a expedição da ordem judicial. Para isso, o sistema passou a automatizar a comunicação entre tribunais e instituições financeiras, reduzindo o tempo de resposta dos bancos para poucas horas. 

    Reação rápida

    Apesar da ampliação dos bloqueios, a legislação continua protegendo salários, aposentadorias, pensões e parte dos valores mantidos em poupança. Mesmo assim, especialistas alertam que o novo modelo exige reação rápida do devedor caso verbas protegidas sejam atingidas indevidamente.

    Em ações de cobrança, normalmente o bloqueio é determinado por liminar. Nesse caso, o devedor não recebe aviso prévio, prática autorizada pelo Código de Processo Civil.

    O objetivo é impedir a movimentação de valores para contas de terceiros, evitando que o devedor tenha tempo de retirar ou transferir os recursos antes do cumprimento da ordem judicial. Por causa disso, é comum que os devedores só tomem conhecimento do bloqueio ao tentar realizar operações cotidianas, como usar um cartão de crédito ou débito.

    Recomendações

    Após o bloqueio por liminar, o Código de Processo Civil determina a intimação do réu por um oficial de Justiça. A partir daí, o devedor tem até cinco dias para entrar com ação revisional e pedir o desbloqueio.

    No entanto, é necessário comprovar que o valor retido compromete a sobrevivência ou que a restrição atingiu valores protegidos pela legislação. Em tese, a mudança no Sisbajud pode ajudar o devedor porque ele percebe mais rápido o bloqueio. Por outro lado, a agilidade do novo modelo exige a procura mais rápida por um advogado.

    A recomendação é acompanhar processos judiciais regularmente, manter comprovantes de renda organizados e buscar orientação jurídica imediata em caso de bloqueio. Isso porque o monitoramento contínuo pode fazer com que salários e outros depósitos sejam retidos automaticamente assim que entrarem na conta.

    O que muda

       Bloqueios poderão ocorrer no mesmo dia da decisão judicial;

       Bancos terão até duas horas para iniciar a restrição de valores;

       O monitoramento poderá durar até um ano;

       Novos depósitos poderão ser bloqueados automaticamente;

       O sistema terá duas janelas diárias de processamento: 13h e 20h;

       Justiça e bancos passarão a trocar informações diretamente pelo sistema.

    Como funciona

    Antes, o bloqueio atingia apenas o saldo disponível na conta no momento da ordem judicial.

    Agora, o chamado bloqueio permanente mantém a ordem ativa por até um ano. Isso significa que salários, transferências ou outros depósitos futuros podem ser retidos automaticamente até que a dívida seja quitada.

    Bancos participantes

    Com duração de 18 meses, o projeto-piloto começou com cinco instituições financeiras:

       Caixa Econômica Federal;

       Banco do Brasil;

       Itaú Unibanco;

       Nubank;

       XP Investimentos.

    Após os testes, a expectativa é que o modelo seja expandido para todo o sistema financeiro.

    O que fazer?

    Caso a conta seja bloqueada, a orientação é agir rapidamente:

       Procurar um advogado imediatamente;

       Verificar qual processo originou o bloqueio;

       Identificar o valor retido;

       Reunir documentos que comprovem a origem do dinheiro;

       Pedir o desbloqueio de valores protegidos por lei.

    Documentos necessários

    Os principais documentos usados para pedir desbloqueio são:

       Extratos bancários;

       Holerites;

       Extratos do INSS;

       Comprovantes de aposentadoria;

       Recibos de aluguel;

       Gastos médicos e despesas essenciais.

    Valores protegidos

    A legislação brasileira protege parte da renda dos devedores. Em geral, não podem ser bloqueados:

       Salários;

       Aposentadorias;

       Pensões;

       Demais benefícios do INSS;

       Valores de até 40 salários mínimos em poupança.

    Exceções previstas

    A proteção não é absoluta. A Justiça pode autorizar bloqueios em situações específicas:

       Dívidas de pensão alimentícia;

       Empréstimos consignados;

       Ativos acima de 50 salários mínimos.

    Originalmente, a legislação permitia o bloqueio de salários apenas acima do limite de 50 salários mínimos. No entanto, em abril de 2023, o STJ admitiu a penhora parcial de salários abaixo desse limite, deste que não comprometa a subsistência da família.

    Cuidados preventivos

    Especialistas recomendam algumas medidas para reduzir riscos:

       Acompanhar processos judiciais no CPF;

       Tentar renegociar dívidas antes da execução;

       Separar conta-salário da conta usada no dia a dia;

       Guardar comprovantes de renda e movimentações;

       Evitar transferências para terceiros após saber da cobrança judicial.

    Transferir dinheiro para outras pessoas para escapar de bloqueios pode ser interpretado pela Justiça como fraude à execução, o que pode agravar a situação do devedor.

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