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    postado em 28/05/2026 18:36

    Brasil e Suriname vão iniciar negociações, a partir do segundo semestre, para ampliar o acordo de comércio entre os dois países e estimular novas oportunidades de negócios.

    A aproximação foi um dos focos do encontro bilateral entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a presidente surinamesa, Jennifer Geerlings-Simons, ocorrido nesta quinta-feira (28), em Brasília. Eleita no ano passado e com mandato até 2030, Simons é a primeira mulher a presidir o país vizinho.

    "Nosso comércio ainda é muito pequeno e concentrado em poucos produtos. Em 2025, foi de apenas 55 milhões de dólares, ou seja, quase nada. O único acordo comercial que temos é extremamente restrito. Com esta visita, conseguimos aprovar termos de referência para aumentar os fluxos entre Brasil e Suriname", afirmou Lula em declaração conjunta à imprensa, no Palácio do Itamaraty.

    O comércio bilateral inclui maquinários, material elétrico, produtos da indústria química e commodities, e quase a totalidade é composta por exportações brasileiras. Segundo Lula, as negociações devem ampliar as medidas de facilitação do comércio e incluir novos setores.

    A programação da delegação do Suriname em Brasília prevê uma reunião empresarial de representantes de entidades brasileiras com empresas e representantes do setor produtivo surinamês, das áreas de energia, logística, transporte, agropecuária e comunicações.

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    Petróleo e minerais críticos

    Nos últimos anos, o Suriname descobriu gigantescas reservas de petróleo offshore, na região conhecida como Bacia da Guiana, no Oceano Atlântico, o que deve impulsionar a economia do país nos próximos anos.

    Em 2024, a Petrobras e a estatal surinamesa Staatsolie firmaram acordos para intercâmbios sobre petróleo, energias renováveis e segurança nas atividades de exploração de hidrocarbonetos. Lula lembrou também que, assim como o Brasil, o Suriname se sobressai pelo potencial em minerais críticos.

    "Temos a oportunidade de cooperar em mineração sustentável, industrialização local e agregação de valor, contribuindo para superar modelos históricos baseados apenas na exportação de matérias-primas", disse o presidente.

    Brasília (DF), 28/05/2026 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (d) recebe a presidente do Suriname, Jennifer Geerlings-Simons (e), em cerimônia oficial de boas-vindas, no Palácio do Planalto. 
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebe a presidente do Suriname, Jennifer Geerlings-Simons (e), em cerimônia oficial de boas-vindas, no Palácio do Planalto. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

    Segurança alimentar

    Outra frente bilateral importante é sobre agricultura e produção de alimentos. "O Brasil pode contribuir muito para a segurança alimentar e nutricional dos surinameses, com o fornecimento de carne bovina, suína e de aves, e outros gêneros alimentícios", destacou Lula.

    A cooperação técnica e científica entre os dois países também foi objeto de acordos e memorandos de entendimento assinados durante o encontro.

    A agenda de Jennifer Geerlings-Simons em Brasília incluirá, ainda essa semana, uma visita a uma das unidades da Empresa Brasileira de Pesquisa e Desenvolvimento Agropecuário (Embrapa), para intercâmbio sobre capacidades em agricultura familiar, segurança alimentar e sistemas agroflorestais sustentáveis.

    "Para o Suriname, baixar os custos da comida e a segurança alimentar permanecem algo crítico, e temos certeza que Brasil é um parceiro que podemos confiar para nos ajudar nisso", afirmou Simons.

     

    Brasília (DF), 28/05/2026 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebe a presidente do Suriname, Jennifer Geerlings-Simons, em cerimônia oficial de boas-vindas, no Palácio do Planalto. 
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
    A presidente do Suriname, Jennifer Geerlings-Simons, em cerimônia oficial de boas-vindas, no Palácio do Planalto. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

    Programas sociais

    A presidente do Suriname também conhecerá de perto uma unidade do Centro de Referência de Assistência Social (Cras), porta de entrada dos programas sociais do governo brasileiro, e um empreendimento do programa habitacional Minha Casa, Minha Vida, que pode servir de inspiração para um modelo que Simons pretende levar ao país vizinho.

    "Acho que nós concordamos que a principal tarefa de todo político é assegurar que as pessoas possam alcançar o nível mais elevado de vida, de bem-estar. Além disso, discutimos questões de desenvolvimento regional e reafirmamos nosso compromisso compartilhado de assegurar a democracia e a integração regional", acrescentou a líder do Suriname.

    Acordos assinados

    Ao todo, Lula e Simons assinaram 13 acordos de cooperação, em setores como segurança cibernética, cooperação policial, combate ao tráfico de pessoas, saúde pública, manejo integrado do fogo, segurança de barragens hidrelétricas e operações militares coordenadas na faixa de fronteira amazônica.

    Os governos de Brasil e Suriname também discutiram medidas para ampliar as conexões marítimas e aéreas entre os países e avançar no chamado "Anel das Guianas", projeto de integração que conecta o Norte do Brasil à Guiana, ao Suriname e à Guiana Francesa, facilitando o acesso ao mercado caribenho e fortalecendo a infraestrutura regional.

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