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    postado em 01/06/2026 18:11

    Os Correios fecharam o primeiro trimestre de 2026 com prejuízo de R$ 3,16 bilhões, resultado 82,3% maior do que o registrado no mesmo período de 2025, quando as perdas somaram R$ 1,72 bilhão. O balanço divulgado pela estatal mostra que a empresa segue enfrentando dificuldades financeiras mesmo após o início de um plano de reestruturação.

    O resultado negativo ocorre após os Correios acumularem prejuízo recorde de R$ 8,5 bilhões em 2025, o pior desempenho da história da companhia.

    Números

    •     Prejuízo líquido: R$ 3,16 bilhões no 1º trimestre de 2026;
    •     Prejuízo no mesmo período de 2025: R$ 1,72 bilhão;
    •     Aumento das perdas: 82,3%;
    •     Prejuízo acumulado em 2025: R$ 8,5 bilhões;
    •     Receita bruta: R$ 4,04 bilhões, queda de 2,2% em relação ao 1º trimestre de 2025;
    •     Despesas financeiras: R$ 985 milhões, alta de 248%;
    •     Provisão para ações judiciais: R$ 1,06 bilhão;
    •     Patrimônio líquido negativo: R$ 16,2 bilhões.

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    Justificativas

    Segundo a estatal, o prejuízo foi provocado por uma combinação de queda nas receitas, aumento das despesas financeiras e revisão das provisões para processos judiciais.

    O principal impacto extraordinário veio do reconhecimento de uma provisão de R$ 1,06 bilhão relacionada a ações trabalhistas. Na prática, trata-se de uma reserva contábil criada para cobrir possíveis perdas em processos que ainda estão em tramitação na Justiça.

    A reclassificação desses passivos já vinha sendo defendida por órgãos de controle, como o Tribunal de Contas da União (TCU) e a Controladoria-Geral da União (CGU).

    Com a atualização, o valor total reservado para contingências judiciais subiu de R$ 3,6 bilhões no fim de 2025 para R$ 4,66 bilhões em março deste ano.

    A receita dos Correios continuou em queda nos primeiros meses do ano.

    Desempenho

    •     Encomendas: R$ 2,2 bilhões (-5,5% em relação ao 1º trimestre de 2025);
    •     Postagens internacionais: R$ 156 milhões (-60,3%);
    •     Mensagens (cartas e documentos): R$ 1,2 bilhão (11,4%);
    •     Outras receitas: R$ 465 milhões (48%).

    A redução das receitas ocorre em meio ao avanço da concorrência no setor de logística e à queda da demanda por serviços postais tradicionais.

    Apesar do resultado negativo, a empresa conseguiu reduzir parte dos custos operacionais em relação ao primeiro trimestre de 2025.

    •     Custos de produtos e serviços: de R$ 4,01 bilhões para R$ 3,7 bilhões (-7,6%);
    •     Despesas com pessoal: de R$ 2,8 bilhões para R$ 2,7 bilhões (-4,1%).

    Segundo os Correios, o Programa de Demissão Voluntária (PDV), implantado em 2024, contribuiu para a diminuição dos gastos com pessoal.

    Dívidas

    As despesas financeiras foram um dos principais fatores de deterioração do resultado.

    O valor saltou de R$ 283 milhões no primeiro trimestre de 2025 para R$ 985 milhões no mesmo período deste ano.

    O aumento está relacionado aos financiamentos contratados pela estatal para reforçar o caixa e sustentar o plano de recuperação financeira.

    Outro indicador que apresentou forte crescimento foi o das indenizações pagas a clientes por atraso na entrega de encomendas.

    Indenizações por atraso:

    •     Março de 2025: R$ 2 milhões;
    •     Março de 2026: R$ 30,5 milhões.

    O valor é mais de 15 vezes superior ao registrado um ano antes e reflete os problemas operacionais enfrentados pela empresa, especialmente após a greve de funcionários ocorrida no fim de 2025.

    Reestruturação

    Sob a presidência de Emmanoel Rondon desde setembro de 2025, os Correios executam um plano de reestruturação para tentar recuperar o equilíbrio financeiro.

    As medidas incluem:

    •     redução de despesas administrativas;
    •     revisão de contratos;
    •     venda de imóveis sem uso operacional;
    •     modernização tecnológica;
    •     ajustes logísticos;
    •     busca por novas fontes de receita.

    Em 2025, a estatal também contratou um empréstimo de R$ 12 bilhões com garantia da União para regularizar passivos e financiar parte da reorganização financeira.

    Situação da estatal

    Embora tenha registrado lucro bruto de R$ 153,4 milhões, indicador que considera apenas receitas e custos diretos da operação, os Correios continuam pressionados por despesas administrativas, financeiras e judiciais.

    Diferentemente do lucro líquido, o lucro bruto exclui impostos e despesas fixas, como aluguel, material de escritório, publicidade e salários administrativos.

    A meta da companhia é concluir o processo de reestruturação e voltar a apresentar resultados positivos a partir de 2027. Até lá, o desafio será reduzir o ritmo de crescimento das perdas e recuperar receitas em um mercado cada vez mais competitivo.

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