
A previsão é da empresa de consultoria em meteorologia Nottus, que apresentou, nesta quinta-feira (18), um estudo sobre como o fenômeno climático vai impactar o país.
O El Niño se caracteriza quando acontece o aquecimento anormal da região equatorial do Oceano Pacífico. A elevação da temperatura do mar 0,5 grau Celsius (C°) acima da média já caracteriza a condição.
A Agência dos Estados Unidos para Oceanos e Atmosfera (Noaa, na sigla em inglês) confirmou na última semana o início do El Niño.
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Chuva e seca
No Brasil, a temporada será marcada pela concentração de chuva além no normal na Região Sul, enquanto as precipitações ficam mais curtas e menos intensas no Norte e Nordeste, favorecendo a chance de secas.
De acordo com o sócio-diretor e meteorologista da Nottus, Alexandre Nascimento, o inverno deve começar com temperaturas mais baixas, mas, os efeitos do El Niño devem frear as baixíssimas temperaturas neste ano, principalmente de agosto em diante.
Isso acontece porque a combinação de períodos mais secos e ventos do Norte favorece a elevação gradual das temperaturas, especialmente na segunda metade do inverno. Com isso, a percepção pode ser de um inverno mais ameno.
Alexandre Nascimento pondera que isso não significa que não haverá frio na estação. El Niño não tem frio? Tem, mas são eventos curtos, muito rápidos, diz.
Ele aponta que algumas áreas da região central do país devem ter a presença dos veranicos, como são chamados os períodos de tempo seco e temperaturas atipicamente elevadas, que ocorrem no meio do outono ou inverno.
Meses e regiões
Ao destacar as principais características climatológicas dos próximos meses, o estudo mostra que julho deve ser marcado pelo volume de chuva acima da média entre as regiões Sudeste e Centro-Oeste. No Sul, a chuva ganha força a partir das áreas do interior.
Agosto deve ter maiores concentrações de chuva no extremo norte do país, além da faixa leste do Nordeste e Região Sul, onde os volumes podem superar a média histórica. Entre Minas Gerais, Goiás e no interior do Nordeste, aos poucos se estabelece o período seco, típico desta época do ano.
De agosto em diante, a gente pode começar a ter pelo interior do país ondas de calor, projeta o meteorologista.
Para setembro, o destaque fica para a chuva ganhando força no Sul, superando a média climatológica, enquanto o Nordeste terá precipitação abaixo da média ao longo das faixas leste e norte.
Mesmo com a previsão de chuva acima da média na Região Sul, o meteorologista da Nottus não identifica, por ora, a chance de temporais como os que devastaram o Rio Grande do Sul em maio e abril de 2024.
Sem previsão de eventos extremos, nada comparado àquilo, por enquanto, pontua.
Super El Niño
Com base em informações da Noaa, Alexandre Nascimento sustenta que, a partir de setembro até fevereiro de 2027, existe grande chance de o El Niño ser muito forte, quando a elevação da temperatura da água supera 2,5 C°.
Preocupado com impactos do que está sendo chamado de Super El Niño, o governo federal criou uma Sala de Situação Interministerial para preparar respostas e gerenciar possíveis desastres.
Sistema elétrico
O El Niño deve persistir até, pelo menos, o primeiro semestre de 2027. Para a empresa de consultoria, é provável que haja efeitos diversos para o sistema elétrico brasileiro, que tem a maior parte da energia gerada por hidrelétricas, ou seja, dependente do regime de chuvas que enchem reservatórios.
Eu acho que, em 2026, o El Niño vai ser até benéfico para o sistema, diz Nascimento, atribuindo a avaliação à chegada da temporada de chuva no Sul e em partes do Sudeste.
No entanto, ele aponta um cenário preocupante para 2027. No ano que vem, existe uma pressão bem grande, por conta do El Niño, de a gente ter um consumo elevado do primeiro trimestre, por conta de ondas de calor, e não chover tanto no Norte e no Nordeste, aponta.
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