
Com 121 objetos do Museu Nacional da China, em Pequim, a mostra ocupa as galerias temporárias do museu até 11 de outubro. A entrada é gratuita.
A mostra cobre um período da pré-história agrícola ao ano de 1911, quando se encerra a dinastia Qing e, com ela, a China imperial.
Segundo os organizadores, o recorte é a China antiga, anterior à República, até as transformações do século 20.
Cinco núcleos temáticos organizam o percurso, cada um iluminando uma camada distinta da relação entre os chineses e sua cultura alimentar: Uma alimentação variada como base da nutrição, Alimentos cozidos e bebidas quentes, Reverenciar o Céu e cumprir os ritos, Deleitar os olhos, apaziguar o espírito e Beleza compartilhada em harmonia.
De acordo com os organizadores, a exposição parte da comida e da bebida para recontar a história de uma civilização. Cada peça do acervo é um fragmento de como os chineses pensavam o mundo, organizavam o poder, cultivavam o prazer e negociavam com o sagrado.
Para a curadoria, a alimentação é o domínio da vida humana onde mais dimensões da cultura se encontram ao mesmo tempo.
Os 121 objetos abrangem um período de aproximadamente 10 mil anos. A diversidade de materiais chama a atenção pela cerâmica, bronze, porcelana, ouro, prata, jade, pedras preciosas, laca e madeira.
Exposição chama a atenção pela cerâmica, bronze, porcelana, ouro, prata, jade, pedras preciosas, laca e madeira - Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
Para o diretor do MHN, Cícero de Almeida, a segurança alimentar é uma questão política.
As várias dinastias chinesas se preocuparam com a segurança alimentar para evitar rebeliões sociais. A alimentação tem importância vital sob o ponto de vista material, espiritual, de organização social, explica Almeida.
O diretor acrescenta que o compartilhamento das refeições tem um ritual de importância como o servir à mesa, a delicadeza com que os recipientes recebem os alimentos.
A exposição tem esse percurso de compreender pelos objetos como esses aspectos marcam os chineses, observa Almeida.
O consultor de conteúdo e tradutor da mostra, Giancarlo Hannud, destaca que a peça mais antiga tem 12 mil anos, um triturador e moedor de trigo.
Mostra reúne objetos originários do Museu Nacional da China - Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
Essa é uma exposição sobre a alteridade, sobre perceber que o mundo é imenso e existem centenas de formas de habitar o mundo. A gente fala muito da cultura ocidental eurocêntrica, mas existe todo um outro lado do mundo que não funciona desse jeito, explica Hannud.
Segundo a curadoria, a China está entre os berços da agricultura do milheto e do arroz, sendo também uma das primeiras regiões a domesticar animais como o cachorro, o porco e a galinha.
Por volta de 4 mil anos atrás, chegaram ao território chinês, vindas da Ásia Ocidental, espécies como o carneiro, o gado bovino e o cavalo, assim como o cultivo do trigo.
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