
Para o representante do governo alemão, a aproximação de países que funcionam ancorados em princípios como a legalidade, a segurança jurídica e a salvaguarda e igualdade de direitos fundamentais é estratégia em "um cenário mundial de maior desconfiança". Wadephul usou os Estados Unidos e a política de impostos de Donald Trump para exemplificar uma desordem que a Alemanha vem rejeitando. El apontou o Brasil como um parceiro de ligações estreitas. "Faz parte da nossa família", disse.
O chanceler disse ainda que continuará investindo em cooperações com a China, mas que é preciso avaliar bem, quando o gigante asiático está conquistando uma parcela grande demais de sua economia. "Em alguns momentos, é um competidor. Porém, a gente adora concorrência, é o que nos move para criar melhores tecnologias, melhores produtos", afirmou.
"A gente aprendeu que também precisa se defender e deve coordenar nossa política nesse sentido", completou, mencionando a exportação de automóveis chineses a preços mais baixos do que os praticados no mercado interno, como saída para a produção excedente.
Brasil
Svenja Ahlburg, porta-voz do Wilo Group no painel, chamou a atenção para a falta de crédito ao Brasil.
"Hoje, o Brasil é muito mais importante para a indústria alemã do que aparece no debate público", disse ela, responsável por mediar negócios em toda a América Latina, como vice-presidente da regional.
Outro aspecto destacado pela porta-voz foi a importância da geração de valor local e competitividade para o Brasil. Segundo ela, o acordo selado "por si só não resolve", com a redução tarifária e demais medidas, se não existirem tais componentes e também inovação.
"Temos que contribuir para que a indústria brasileira seja mais competitiva", avaliou, acrescentando que a meta é tornar o Brasil "um hub" e abandonar a roupagem de mero mercado consumidor.
Preservação ambiental
A Alemanha é, atualmente, a mais potente economia da Europa, a terceira no ranking mundial e o quarto principal parceiro comercial do Brasil, com quem movimenta US$ 21 bilhões. O volume de investimentos diretos é igualmente expressivo, com estoque acumulado de US$ 44 bilhões, o que coloca o país em sétimo lugar na lista.
Em maio deste ano, foi firmado o Acordo Mercosul-União Europeia, com o objetivo de estabelecer cooperação bilateral em setores como defesa, inteligência artificial, tecnologias quânticas, infraestrutura, economia circular, eficiência energética, bioeconomia e pesquisa oceânica e climática. Além disso, a Alemanha figura entre os países que mais liberam recursos para projetos ambientais, como os de desmatamento, restauração florestal e fortalecimento de redes de produção sustentável, pelo Fundo Amazônia, com 18 anos de existência.
Considerados os contratos celebrados em 2010, 2017 e 2022 pelo fundo, contribuiu com R$ 387,8 milhões. Em abril, comprometeu-se a conceder R$ 2,94 bilhões a outro fundo, o Clima, de viabilização de ações, projetos e pesquisa com enfoque no impacto das mudanças climáticas no Brasil e redução de emissões dos gases de efeito estufa.
Concebido pelo governo brasileiro e administrado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o Fundo Amazônia já beneficiou 259 mil pessoas com atividades produtivas sustentáveis, 75 mil indígenas e 122 terras indígenas do bioma, além de 192 unidades de conservação.
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