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    postado em 03/07/2026 17:46

    Com a ajuda do petróleo, da soja, da carne e do ferro, a balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 9,8 bilhões em junho, resultado 66,6% superior ao do mesmo mês de 2025.

    O desempenho foi impulsionado pelo crescimento das exportações, que avançaram quase 25% no período, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (3) pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).

    A corrente de comércio, soma de exportações e importações, alcançou US$ 62,8 bilhões, o maior valor já registrado para um mês na série histórica.

    Principais números

        Superávit: US$ 9,8 bilhões (+66,6% ante junho de 2025);

        Exportações: US$ 36,3 bilhões (+24,9%);

        Importações: US$ 26,5 bilhões (+14,4%);

        Corrente de comércio: US$ 62,8 bilhões (+20,3%).

    O resultado foi o terceiro melhor para o mês, só perdendo para junho de 2021 (US$ 10,414 bilhões) e de 2023 (US$ 10,077 bilhões).

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    Exportações crescem

    O aumento das vendas externas foi liderado pela indústria extrativa, seguida pela indústria de transformação e pelo agronegócio.

    Exportações por setor:

        Indústria extrativa: US$ 9,9 bilhões (+58,4% ante junho de 2025);

        Indústria de transformação: US$ 18 bilhões (+14,7%);

        Agropecuária: US$ 8,1 bilhões (+18%).

    Segundo o diretor de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do Mdic, Herlon Brandão, ainda é cedo para medir os efeitos do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia sobre as exportações brasileiras, embora já existam relatos de maior interesse de importadores europeus.

    Produtos em destaque:

        Indústria extrativa: petróleo bruto  (+78,9% ante junho do ano passado), minério de ferro (+20%);

        Indústria de transformação: combustíveis (+88,8%), carnes de aves (+62,4%) e carne bovina (+39,2%);

        Agropecuária: soja (+17,3%), animais vivos (+208,8%), algodão bruto (+64,1%).

    Destinos das vendas

    As exportações cresceram para a maior parte dos principais mercados do Brasil, incluindo os Estados Unidos, apesar das tensões comerciais entre os dois países.

    Exportações por região:

        Ásia: US$ 17,4 bilhões (+29,9%)

        Europa: US$ 6,4 bilhões (+43,9%)

        América do Norte: US$ 4,9 bilhões (+8,5%)

        América do Sul: US$ 3,9 bilhões (+7%)

    As vendas para os Estados Unidos avançaram 3,7% entre maio e junho, mesmo em meio às negociações para evitar a aplicação de novas tarifas de 25% sobre produtos brasileiros.

    Importações avançam

    As compras brasileiras no exterior também cresceram em junho, principalmente de bens de consumo e bens intermediários.

    Importações por categoria:

        Bens intermediários: US$ 15,1 bilhões (+10,9%)

        Bens de consumo: US$ 5,7 bilhões (+34%)

        Bens de capital: US$ 3,5 bilhões (+5,7%)

        Combustíveis: US$ 2,2 bilhões (+11,6%)

    Primeiro semestre

    No acumulado de janeiro a junho, a balança comercial registrou superávit de US$ 42,4 bilhões.

    No período:

        Exportações: US$ 184,8 bilhões (+11,5%)

        Importações: US$ 142,4 bilhões (+5,1%)

        Saldo comercial: US$ 42,4 bilhões (+40,3%)

    Projeções

    Diante do desempenho do comércio exterior no primeiro semestre, o MDIC revisou para cima sua projeção para 2026. A estimativa de superávit da balança comercial passou de US$ 72,1 bilhões para US$ 90 bilhões.

    A previsão de exportações foi elevada de US$ 364,2 bilhões para US$ 394,4 bilhões. A projeção para as importações passou de US$ 292,1 bilhões para US$ 304,4 bilhões.

    As estimativas estão mais otimistas que a das instituições financeiras. Segundo o boletim Focus, pesquisa semanal com instituições financeiras divulgada pelo Banco Central, os analistas de mercado projetam superávit comercial de US$ 76,2 bilhões para este ano.

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