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    postado em 04/07/2026 12:25

    As cantoras Karol Conká e Linn da Quebrada defenderam que a música e a arte de uma forma geral devem ser instrumentos de resistência pessoal e coletiva para as mulheres pretas no país. Elas participaram de uma mesa de debates na 19ª edição do Festival Latinidades, em Brasília. O tema deste ano é "Saúde mental importa". Eu comecei a fazer minha música e a minha arte para me libertar de uma dor. Aí passou a ser uma missão para libertar outras pessoas. É como se eu tivesse descoberto o segredo para ser mais forte, afirmou Linn da Quebrada.

    Brasília (DF), 04/07/2026  Karol Conká e Linn da Quebrada veem arte como ação de resistência 
Foto: Luiz Claudio Ferreira/Agência Brasil
    Karol Conká e Linn da Quebrada veem arte como ação de resistência Foto: Luiz Claudio Ferreira/Agência Brasil

    A artista defendeu que a cultura tem garantido espaços fundamentais para que o meu modo de existir e lidar com o mundo seja outro, disse a artista, que é trans. Karol Conká e Linn da Quebrada participaram dedebates na 19ª edição do Festival Latinidades

    Em entrevista à Agência Brasil, Linn argumentou que a arte tem o papel de denunciar violações, mas também todas as inspirações que ajudem a construir posicionamentos a serem cultivados e transformados pela sociedade.

    A sensação de que é possível se revoltar e organizar-se coletivamente para que a gente construa uma sociedade mais igualitária, por exemplo, afirmou. 

    Ela acrescenta, porém, que essa não é a única missão da arte, e que deve trazer diferentes olhares sobre a vida. É importante que a gente defenda os nossos direitos, enquanto populações minorizadas, seja a população negra ou de pessoas trans. A cultura tem de vir num lugar onde ela abarque a vida. 

    Coragem

    A cantora Karol Conká manifestou preocupação com o uso que as pessoas mais jovens têm utilizado e sendo alvo de ataques nas redes sociais. 

    A artista exemplificou que ela mesma enfrenta, desde que participou do programa Big Brother Brasil, da Rede Globo, com manifestações de ódio.

    Para ela, é fundamental cultivar rede de apoio, conhecimento, autoestima e coragem.

    A gente tem que ter muita coragem de lutar para a arte e expor nossos lançamentos. Eu tenho o direito de viver e de rir.

    Karol destacou que o Festival Latinidade se tornou um espaço diferenciado para debater temas pouco discutidos principalmente para artistas pretas que vivem cenários dolorosos.

    Esse nosso lado mais doloroso é invisibilizado porque a gente está na indústria. Aprendemos que a gente está ali para servir sorrindo. Mas é importante dizer o que a gente passa chorando, ressaltou para a Agência Brasil

    Ela acrescentou que o mais preocupante para ela, nesse momento, é como a vida das artistas negras passa por descredibilização em relação à própria carreira. São muitas mulheres reclamando de não serem ouvidas. Nós vivemos como se fôssemos produtos vendáveis.

    Além do espaço cultural, a cantora tem se preocupado com a onda de violência contra mulheres.

    Eu não me sinto segura. Acredito que esse sentimento é compartilhado com muitas mulheres e eu torço e desejo que tenhamos mais paz para andar na rua.

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