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    postado em 10/07/2026 10:47

    Os preços dos alimentos tiveram a primeira queda desde novembro de 2025 e ajudaram a inflação oficial fechar o mês de junho em 0,16%. O resultado mensal do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) é o menor desde outubro de 2025

    O dado de junho mostra que a inflação perdeu força pelo quarto mês seguido. Em maio, o índice era de 0,58%. Em 12 meses, o IPCA soma 4,64%, ainda acima da meta do governo de até 4,5%, mas abaixo do acumulado até maio, quando era 4,72%. Em junho de 2025, o IPCA foi de 0,24%.

    Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

    No semestre, a inflação acumulada fica em 3,36%. Veja o comportamento da inflação oficial nos últimos meses:

    • Junho: 0,16%
    • Maio: 0,58%
    • Abril: 0,67%
    • Março: 0,88%
    • Fevereiro: 0,70%
    • Janeiro: 0,33%

    O IPCA do mês passado veio abaixo da estimativa do mercado. O relatório Focus da última segunda-feira (6), sondagem do Banco Central (BC) com agentes do mercado financeiro, projeta que a inflação de junho ficaria em 0,32%. Para o fim de 2026, a projeção do mercado é de 5,3%.

    Alimentos

    Dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados pelo IBGE, os alimentos representaram a maior pressão de baixa de preços.

    Confira os desempenhos e os impactos em pontos percentuais (p.p.):

    • Alimentação e bebidas: -0,24% (-0,05 p.p.)
    • Habitação: 0,63% (0,10 p.p.)
    • Artigos de residência: 0,23% (0,01 p.p.)
    • Vestuário: 0,17% (0,01 p.p.)
    • Transportes: 0,17% (0,03 p.p.)
    • Saúde e cuidados pessoais: 0,23% (0,03 p.p.)
    • Despesas pessoais: 0,25% (0,02 p.p.)
    • Educação: -0,02% (0,00 p.p.)
    • Comunicação: 0,19% (0,01 p.p.)

    Dentro do grupo alimentação, a alimentação no domicílio ficou em média 0,39% mais barata.

    É a primeira deflação (inflação negativa) desde novembro de 2025 e o menor número desde agosto de 2025 (-0,83%). Já a alimentação fora do domicílio ficou em 0,15%.

    Entre os produtos alimentícios, os que mais puxaram o IPCA para baixo foram:

    • Café moído: -3,72% (-0,02 p.p.)
    • Frutas: -1,58% (-0,02 p.p.)
    • Carnes: -0,64% (-0,02 p.p.)
    • Açaí (emulsão): -14,41% (-0,01 p.p.)
    • Óleo de soja: -2,78% (-0,01 p.p.)
    • Tomate: -2,02% (-0,01 p.p.)

    De acordo com o analista da pesquisa, Fernando Gonçalves, o recuo dos preços dos alimentícios mostram uma tendência e representam devolução de altas recentes e maior oferta de alguns produtos, como o tomate.

    Habitação

    A maior pressão de alta ficou com o grupo habitação. Dentro desse grupo fica o custo da energia elétrica, que subiu 1,53%, sendo o elemento que mais contribuiu para a inflação no mês. A explicação está na manutenção da bandeira tarifária amarela, com acréscimo na conta de luz de R$ 1,885 a cada 100 quilowatt-hora (kWh) consumidos, além de reajustes em Porto Alegre, Curitiba, Belo Horizonte e Rio de Janeiro.

    Como o IPCA é um índice nacional, os reajustes locais entram no cálculo da inflação média do país.

    Transportes

    Dentro do grupo transportes, as passagens aéreas (7,12%) puxaram a inflação para cima, enquanto os combustíveis ficaram 0,48% mais baratos:

    • etanol: -3,09%
    • óleo diesel: -1,19%
    • gás veicular: -0,19%
    • gasolina: -0,12%

    Espalhamento

    O índice de difusão, que mostra o quanto a inflação está espalhada, foi de 54%, ou seja, mais da metade dos 377 produtos e serviços pesquisados pelo IBGE teve aumento de preço. O dado de junho é o menor desde outubro de 2025 (52%).

    Preços de serviços e monitorados

    O IBGE desagrega o IPCA em dois grupos, o de serviços, que traz os preços que sofrem mais influência do aquecimento ou esfriamento da economia - ou seja, mais suscetíveis à taxa de juros - e o de preços monitorados, que costumam ser controlados por contratos, e os combustíveis.

    Em junho, o grupo de serviços subiu 0,34%, menos que no mês anterior (0,40%). Já os monitorados variaram 0,29%, também menos que em maio (0,43%).

    Inflação oficial

    O IPCA é o índice utilizado pelo Banco Central (BC) para monitorar a política de meta de inflação.

    A meta atual estipulada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos, ou seja, um intervalo de 1,5% a 4,5%. 

    Desde o início de 2025, o período de avaliação é referente aos 12 meses imediatamente passados e não apenas o alcançado no fim do ano (dezembro). A meta é considerada descumprida se a inflação estourar o intervalo de tolerância por seis meses seguidos.

    O IPCA apura o custo de vida para famílias com rendimentos entre um e 40 salários mínimos. Ao todos, são coletados preços de 377 subitens (produtos e serviços).

    A coleta de preços é feita em dez regiões metropolitanas - Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Vitória, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba, Porto Alegre - além de Brasília e nas capitais Goiânia, Campo Grande, Rio Branco, São Luís e Aracaju. 

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