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    postado em 04/08/2026 12:29

    A Associação Marroquina de Direitos Humanos (AMDH) responsabilizou o Estado de Marrocos pelo movimento migratório de mais de 50 mil pessoas rumo a Ceuta ou Melilla, enclaves espanhóis no continente africano. Quase 100 pessoas morreram no percurso, segundo dados do governo ceuta.

    A falta de perspectivas para os cidadãos e o agravamento dos sentimentos de frustração e desespero, especialmente entre os jovens, deixaram de ser apenas sentimentos individuais e se tornaram a identidade de toda uma geração, para a qual o deslocamento e o desejo de emigrar se transformaram em linguagem de expressão da raiva popular contra o fracasso das políticas estatais, diz a organização local.

    O documento foi aprovado pelo Bureau Central da AMDH, considerada uma das organizações mais importantes e influentes de Marrocos no tema dos direitos humanos.

    A associação critica a desigualdade social e a distribuição injusta da riqueza por meio da apropriação dos recursos do país por um pequeno grupo, por meio de "uma economia rentista, da corrupção, do autoritarismo e da tirania.

    Segundo a ONG, o fenômeno é a expressão gritante de uma profunda crise estrutural e o culminar de décadas de marginalização social e econômica.

    A associação condenou ainda a exploração da crise migratória como pressão política ou de negociação com Espanha ou a Europa, ao alegar que as pessoas não devem ser arrastadas para jogos políticos e diplomáticos à custa de seus direitos fundamentais.

    Especialistas ouvidos pela Agência Brasil divergem em relação à anuência do governo de Marrocos na crise imigratória em Ceuta, que poderia ser usada para barganhar vantagens políticas junto aos países europeus.

    A organização de direitos humanos ainda critica o silêncio suspeito das instituições estatais marroquinas.

    Isso fortaleceu a criação de um estado de mobilização abrangente na maioria das cidades e regiões.

    A escalada retórica na Europa e nos Estados Unidos (EUA) também foi criticada pela organização de direitos humanos marroquina. [A iniciativa] vem da extrema-direita, que incita o ódio contra os imigrantes e os retrata como uma ameaça existencial às sociedades e aos países ocidentais.

    Marrocos é uma monarquia constitucional e parlamentar, marcada pela tradição islâmica e que combina instituições democráticas modernas com um controle forte da dinastia alauíta liderada pelo rei Mohammed VI, que completou 27 anos no trono no último dia 29 de julho. Ele é o comandante das forças armadas e figura central na política marroquina.  

    Juventude

    O professor marroquino de relações internacionais Mohammed Nadir, da Universidade Federal do ABC paulista (UFABC), ressaltou à Agência Brasil que o êxodo em massa de jovens para Ceuta e Melilla expôs o fracasso do projeto de desenvolvimento nacional nos últimos anos.  

    É verdade que o país se modernizou nos últimos anos, se desenvolveu bastante no que diz respeito a infraestruturas e grandes projetos liderados pelo próprio rei de Marrocos, como autoestradas de milhares de quilômetros, energias renováveis, indústria automóvel e aeronáutica, o que transformou Marrocos num hub internacional no Norte de África.

    Apesar disso, o professor Nadir, que visitava Marrocos durante a crise, aponta que as mudanças não atingiram a população marroquina de maioria jovem.

    O que tenho visto aqui na rua é o mal-estar em relação ao aumento custo de vida, falta de oportunidades e o difícil acesso à saúde pública. Tudo isso faz com que a população marroquina sonhe em emigrar para Europa em busca de melhoria de vida.

    Desenvolvimento

    Ao comemorar o 27º aniversário como rei de Marrocos, em meio à crise de imigração em Ceuta, Mohammed VI publicou um texto direcionado à nação para exaltar as conquistas estatais nos últimos anos.

    Nosso país está agora em um momento crucial do seu processo de desenvolvimento, onde um ideal de confiança e otimismo deve prevalecer sobre qualquer retórica que possa alimentar o desespero e a frustração.

    Segundo ele, a segurança e a estabilidade que reinam em Marrocos, bem como o funcionamento eficaz das instituições públicas são motivo de orgulho. Ele citou ainda o crescimento de cerca de 4,9% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2025.

    Marrocos se tornou o principal exportador automotivo da África, com capacidade de produção anual de aproximadamente 1 milhão de veículos. Consequentemente, a participação dos setores automotivo e aeroespacial nas exportações totais de Marrocos aumentou para mais de 40%, superando a indústria de fosfato, argumentou.

    Em 2023, o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de Marrocos foi de 0,71 , o que coloca o país na categoria de alto desenvolvimento humano, posicionando-o em 120º lugar entre 193 países e territórios, segundo dados das Nações Unidas (ONU).

    No continente africano, Marrocos figura com o 10º maior IDH, atrás de países como África do Sul, Egito, Argélia e Tunísia. Em 2022, o desemprego entre a população de 15 a 24 anos somava 24,9%.
     

    Brasília - DF - 03/08/2026 - Crise imigratória em Ceuta repercute na Europa e no mundo. Fonte: Google Maps

    Fonte: Google Maps

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