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    postado em 10/08/2026 15:17

    O manual de jornalismo indígena Poranga Marandúa foi lançado nesta segunda-feira (10), na Câmara dos Deputados, em Brasília. A ferramenta é inédita e traz termos, orientações e princípios a partir da perspectiva dos povos indígenas.

    Segundo a coordenadora geral da Articulação Brasileira de Indígenas Jornalistas (Abrinjor), Luciene Kaxinawá, o manual é o resultado de um trabalho desenvolvido pela articulação entre mais de 40 povos indígenas.

    Este manual carrega essa diversidade e reafirma nosso compromisso com uma comunicação construída a partir dos nossos territórios, das nossas línguas e dos nossos modos de contar histórias, reforça.

    A primeira edição do Poranga Marandúa foi editada e revisada pela Organização Indígena Instituto Kaingáng (Inka) e está disponível online, de forma gratuita.

    Para os integrantes da Abrinjor, a chegada do manual, após um ano e meio de trabalho, é uma boa notícia" que é o significado da expressão Poranga Marandúa, na língua Nheengatu, da família Tupi-Guarani.

    A inovação trazida pelo manual deve servir como um instrumento de trabalho para jornalistas em todo o país, mas também como uma ferramenta de educação, afirma Sônia Kaingáng, jornalista indígena pioneira e comunicadora do Inka.

    A gente precisa destacar que chegamos aqui pela via da educação. Nós somos brasileiros e temos visto que muitos brasileiros querem uma via que não é a da educação, destaca.

    Para a pesquisadora e comunicóloga Andreza Baré, são exatamente os jornalistas que saem das universidades e escolas de jornalismo que muitas vezes invisibilizam os povos indígenas.

    Essa é uma grande oportunidade que a gente oferece para os currículos, para as ementas dos cursos de jornalismo, que inclua esse manual como uma ferramenta pedagógica de redação antirracista para falar de povos indígenas e de outros povos e comunidades tradicionais."

    Samela Sateré Mawé é assessora de comunicação da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) e acredita que a ferramenta também servirá para estimular a chegada de mais indígenas a ocuparem os espaços de comunicação das entidades representativas e dos canais de comunicação de todo o país.

    Esse manual é uma porta que vai se abrir para dentro do movimento indígena que vai se abrir para os jornalistas indígenas ocupando esses espaços, porque ninguém melhor que a gente para falar sobre a gente, conclui Samela.
     

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