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    postado em 23/08/2026 13:07

    A história de retomada dos territórios pelos povos indígenas Katxuyana e Kahyana estará em exposição a partir do dia 25 deste mês no Parque Zoobotânico do Museu Paraense Emílio Goeldi, em Belém. A mostra Katxar kum neero | Nossos lugares verdadeiros reúne fotografias, relatos e artefatos produzidos pelos povos desde 1960.

    São memórias e patrimônios dispersados pelo tempo quando parte dos indígenas foram separados e isolados após serem impedidos de permanecer em seu território tradicional.

    Brasília (DF), 21/08/2026 - Txamatxama estará no centro da exposição.
Foto: Woltaire Masaki/Divulgação
    Txamatxama estará no centro da exposição. Woltaire Masaki/Divulgação

    É uma oportunidade de compartilhar nossas histórias de resistência e resiliência diante de um processo marcado pela violência e pela tentativa de apagamento de nossa existência, diz Angela Kaxuyana, liderança indígena da Associação Indígena Kaxuyana, Tunayana e Kahyana (Aikatuk).

    Os Katxuyana e Kahyana, junto com outros 16 povos, alguns isolados, sempre habitaram a região localizada no oeste do Pará, divisa com o Amazonas. Na década de 1960, foram removidos de seus territórios pelo regime militar em processos de colonização da Amazônia.

    Brasília (DF), 21/08/2026 - Angela Kaxuyana preparando detalhes da exposição 
Foto: Woltaire Masaki/Divulgação
    Museu Goeldi recebe exposição sobre as retomadas dos povos indígenas Katxuyana e Kahyana, por Woltaire Masaki/Divulgação

    Sem nunca perder a conexão com o lugar de pertencimento, os povos resistiram até em 2008, quando a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) inicia o processo de demarcação da Terra Indígena KaxuyanaTunayana, um território de 2 milhões de hectares que abrange os municípios de Faro e Oriximiná (PA) e Nhamundá (AM).

    O processo foi finalizado somente em 2025, quando um decreto reconheceu a homologação, última etapa do processo de devolução do território aos indígenas.

    Curadoria

    A manutenção dos vínculos com a terra, os rios, os antepassados e seus modos de existir até o momento da retomada dos territórios, também estão presentes nas obras escolhidas por uma curadoria compartilhada com o Instituto de Pesquisa e Formação Indígena (Iepé) e o Museu Paraense Emílio Goeldi.

    Na exposição, teremos peças dos Katxuyanas e dos Kahyanas, que são contemporâneas, que eles fazem e utilizam atualmente, e vamos ter peças que pertencem à Coleção Etnográfica do Museu Goeldi, coletadas pelo pesquisador Protásio Frikel na década de 1960, detalha Lúcia van Velthem, museóloga e pesquisadora do Museu Emílio Goeldi.

    Um dos elementos de destaque da exposição é o txamatxama, um artefato plumário usado para diplomacia entre povos e comunicação com outros seres vivos. É considerado de grande importância cosmológica e sociopolítica pelos povos Katxuyana e Kahyana.

    A exposição fica aberta até o dia 30 de abril de 2027, de quarta a domingo, de 9h às 16 h, no Centro de Exposições Eduardo Galvão, localizado dentro do Parque Zoobotânico do Museu Paraense Emílio Goeldi.

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