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    postado em 06/09/2026 11:03

    Uma nova estratégia de fraude de identidade usa tecnologia de comparação facial para encontrar pessoas com características físicas semelhantes às dos próprios criminosos. O método, chamado de golpe do sósia, foi identificado pela equipe de inteligência analítica da Serasa Experian e descrito na edição do Mapa da Fraude referente ao primeiro semestre de 2026.

    A tática explora sistemas de reconhecimento facial para tentar fazer com que o fraudador se passe por outra pessoa durante processos de validação de identidade, como cadastros e abertura de contas.

    Como funciona

    Segundo a Serasa Experian, os criminosos utilizam ferramentas capazes de comparar o próprio rosto com imagens disponíveis em diferentes bases, inclusive aquelas obtidas de forma ilícita.

    Os chamados motores de comparação facial podem localizar identidades legítimas com elevado grau de semelhança física. A partir disso, o fraudador escolhe uma identidade que considere mais propensa a passar por uma validação biométrica.

    A estratégia muda a lógica tradicional desse tipo de crime:

    • o criminoso começa pelo próprio rosto;
    • procura pessoas fisicamente semelhantes;
    • identifica uma possível vítima;
    • tenta utilizar os dados dessa identidade em uma fraude.

    Em modalidades mais tradicionais, o fraudador parte dos dados de uma pessoa específica e procura maneiras de assumir sua identidade.

    Biometria isolada

    Para Leandro Bartolassi, diretor de Autenticação e Prevenção à Fraude da Serasa Experian, a nova tática demonstra como os criminosos também podem explorar tecnologias desenvolvidas para aumentar a segurança.

    A empresa defende que o reconhecimento facial não seja utilizado como única camada de autenticação. A combinação com outros sinais pode ajudar a identificar inconsistências que não seriam detectadas apenas pela análise do rosto.

    Entre os mecanismos citados estão:

    • validação de documentos;
    • prova de vida;
    • conferência de dados cadastrais;
    • análise do dispositivo utilizado;
    • identificação de padrões de comportamento;
    • avaliação de outros sinais de risco.

    Prejuízos evitados

    Os dados do Mapa da Fraude apontam que as soluções antifraude da Serasa Experian identificaram e barraram 2,86 milhões de tentativas de fraude de identidade no primeiro semestre de 2026.

    O volume representa um crescimento de 32,9% em relação ao mesmo período de 2025. De acordo com a empresa, isso equivale a uma ocorrência de alto risco identificada a cada 5,5 segundos.

    As tentativas bloqueadas estavam associadas a um prejuízo estimado em R$ 3,77 bilhões que teria sido evitado no período.

    Como se proteger

    A Serasa Experian recomenda que consumidores adotem cuidados para reduzir o risco de exposição de documentos, fotografias e dados biométricos.

    Entre as principais orientações estão:

    •  não compartilhar fotos de documentos ou selfies segurando documentos em redes sociais e aplicativos de mensagem;
    • fornecer dados pessoais e biométricos somente em sites e aplicativos oficiais;
    • proteger celular e aplicativos com senhas fortes e autenticação em dois fatores;
    • desconfiar de pedidos inesperados de reconhecimento facial por links, e-mails, mensagens ou Códigos QR;
    • não permitir que desconhecidos fotografem seu rosto ou documentos;
    • evitar publicar imagens de documentos, mesmo com parte das informações ocultadaproteger celular e aplicativos com senhas fortes e autenticação em dois fatores;
    • manter sistemas e aplicativos atualizados;
    • monitorar regularmente o CPF;
    • procurar os canais oficiais das empresas diante de movimentações desconhecidas.

    Empresas precisam combinar

    Para as empresas, a recomendação é adotar uma estratégia de prevenção em camadas, evitando que uma única imagem ou informação seja suficiente para concluir um cadastro.

    A Serasa Experian orienta combinar diferentes mecanismos de segurança, como:

    • biometria facial e prova de vida;
    • validação e análise documental;
    • cruzamento de dados cadastrais;
    • análise do dispositivo e da jornada digital;
    • monitoramento de tentativas repetidas;
    • identificação de padrões suspeitos;
    • atualização contínua de regras e modelos antifraude.

    A análise conjunta desses elementos pode ajudar a detectar situações em que o rosto apresenta alta similaridade, mas outros dados da operação indicam uma possível tentativa de fraude.

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