
Enquanto a iniciativa alcança mais de 300 municípios em São Paulo e 358 em Minas Gerais, ainda são pontuais as ações dirigidas especificamente aos eleitores com 70 anos ou mais, faixa etária para a qual o voto é facultativo. A comunicação também aparece no levantamento como um desafio: nem sempre esse público é informado de maneira clara das possibilidades de solicitar o serviço, cujo prazo expira nesta segunda-feira (14).
Criado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a partir da Resolução 23.753/2026, o Seu Voto Importa estabelece as diretrizes para a oferta do serviço pelos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs). A norma inclui os idosos entre as pessoas com mobilidade reduzida quando essa condição dificulta ou impede o deslocamento por meios próprios. Para o primeiro turno, a solicitação pode ser feita pela própria pessoa ou por curador, apoiador ou procurador , presencialmente no cartório eleitoral ou pelos canais disponibilizados por cada TRE.
Os pedidos são avaliados individualmente, considerando fatores como grau de limitação funcional, existência de transporte público acessível e distância entre a residência e o local de votação. O transporte pode incluir os trajetos de ida e volta entre a residência e a seção eleitoral e, quando necessário ao exercício do voto, um acompanhante.
A disponibilidade do serviço e as informações sobre o transporte devem ser confirmadas ao eleitor até 48 horas antes da votação. A oferta está condicionada às possibilidades materiais, orçamentárias e financeiras dos tribunais com prioridade para situações de maior vulnerabilidade.
Cléa Klouri, fundadora do data8 e coordenadora do mapeamento que integra o Movimento Voto 70+, a criação de uma política nacional que reconheça e busque remover barreiras concretas de acesso às urnas representa um avanço.
Um dos problemas identificados pelo data8 está na linguagem. Embora a resolução inclua idosos no conceito de mobilidade reduzida quando houver dificuldade ou impedimento para o deslocamento por meios próprios, uma pessoa de 75 ou 80 anos pode não se identificar espontaneamente com essa classificação.
De acordo com análise do data8, embora as dificuldades de deslocamento e acesso à informação atinjam a população idosa de maneira geral comprometendo o exercício do voto , a partir dos 70 anos surge uma questão adicional: o voto passa a ser facultativo. Nesse grupo, remover a barreira física para chegar à urna não basta, necessariamente, para estimular a participação.
Segundo Cléa Klouri, o mapeamento identificou uma abstenção muito grande das pessoas acima de 70 anos nas últimas eleições.
Fizemos uma campanha desde o início do ano para incentivar essas pessoas a votarem. Uma das razões é que pessoas a partir dessa idade acabam se sentindo um pouco invizibilizadas, acham que seu voto não tem mais importância, que ninguém mais quer saber sua opinião. Como toda a experiência que tiveram, elas têm muito a contribuir para o país, explicou.
Atualmente o país conta com cerca de 16 milhões de idosos com mais de 70 anos, 10,6% do total de eleitores aptos. Na última eleição, dos 25 milhões de brasileiros que não foram às urnas em 2022, 8 milhões faziam parte desse grupo, registrando quase 60% de abstenção.
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