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    postado em 23/09/2026 15:24

    Menos veículos motorizados nas ruas e mais mobilidade ativa, com segurança para pedalar e caminhar. Essas são algumas propostas do Dia Mundial Sem Carro, celebrado em 22 de setembro e comemorado ao longo desta semana em diversas cidades de todo o mundo.

    A iniciativa estimula uma reflexão sobre o uso excessivo do automóvel. Aos condutores que dirigem todos os dias, é proposta uma reflexão sobre a dependência em relação aos veículos motorizados e a adoção de formas alternativas de mobilidade, como transporte público, bicicleta, patinete ou mesmo a caminhada.

    Nesta semana, no Distrito Federal, a organização não governamental Rodas da Paz tem realizado atividades com o tema Cidades Mais Humanas começam com escolhas diferentes, o que representa um convite para a sociedade experimentar, discutir e defender mais possibilidades de deslocamento, segurança e espaço para as pessoas.

    O coordenador-geral da Rodas da Paz, Raphael Barros Dorneles, explica que, para promover o uso de bicicletas, é necessário adotar uma estratégia dupla.

    Um ponto necessário é o investimento na melhoria da infraestrutura cicloviária, com segurança, iluminação, sinalização, conectividade viária, conforto e arborização. O outro é a implementação de medidas que desestimulem o uso de veículos automotores, como cobrança de estacionamento, fiscalização rigorosa de infrações e priorização do transporte público e de ciclistas no trânsito.

    Não basta somente estimular o uso da bicicleta. Tem que desestimular o uso do carro, se não as pessoas não migram. Só o fato de ser dada prioridade à fluidez do trânsito para o transporte público e para a bicicleta já desestimula o uso do carro, disse o representante da ONG Rodas da Paz, Raphael Dorneles.

    Ganha-pão mais seguro

    Nesta quinta-feira (24), a ONG planeja doar itens de segurança a entregadores por aplicativos que fazem uso de bicicletas. São espelhos retrovisores, campainhas, luzes, fitas refletivas e kits de remendo de pneus que serão disponibilizados, conforme a necessidade individual.

    Ítalo Santos Vieira, de 25 anos, trabalha há seis meses como entregador, por sete a oito horas diárias, transportando principalmente comidas e bebidas. O jovem relata que, por falta de recursos, trabalha sem itens essenciais de segurança, mesmo após já ter sofrido quedas durante o serviço sobre duas rodas.

    Eu tenho que pagar, senão, não tenho. Ainda estou sem espelho e cotoveleira, lamenta.

    Brasília (DF) 23/09/2026 - O Entregador de bike Ítalo Alves, fala com a Agência Brasil sobre os desafios da profissão  Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
    O entregador de bike Ítalo Alves Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

    Adicionalmente, Ítalo aponta que sua maior dificuldade é lidar diariamente com a falta de infraestrutura urbana e a falta de redes cicloviárias conectadas com ciclovias e calçadas em boas condições o que o obriga a pedalar disputando espaço com carros e ônibus.

    Essa realidade é semelhante à de Ivan Gabriel, de 31 anos, que há cinco meses tem como principal fonte de renda as entregas na bicicleta. Todos os dias, ele se desloca ao centro de Brasília, combinando o metrô e a bicicleta, para trabalhar por seis horas, em média.

    Ivan Gabriel conta que também comprou o capacete, o cadeado e até a caixa térmica de isopor para levar as refeições, já que os itens não são fornecidos pela plataforma de delivery.

    Outra dificuldade relatada por Ivan é não encontrar um lugar seguro para guardar o veículo enquanto vai ao balcão dos estabelecimentos buscar os produtos a serem transportados.

    Há muitos roubos nesta área. A gente sempre tem que estar atento.

    Brasília (DF) 23/09/2026 - O Entregador de bike Ivan Gabriel, fala com a Agência Brasil sobre os desafios da profissão  Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
    O entregador Ivan Gabriel Foto:  Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

    Ocupação das ruas

    Dentro da programação do Dia Mundial Sem Carro, no Distrito Federal, a ONG apoiou a realização, na noite de terça-feira (22), da Bicicletada. No evento, dezenas de condutores de bicicletas partiram da Universidade de Brasília (UnB) e percorreram cerca de 15 quilômetros nas vias da Asa Norte.

    A Rodas da Paz promoveu, na última segunda-feira (21), a edição 2026 do Desafio Intermodal de Brasília. O teste prático de mobilidade urbana compara a eficiência de diferentes meios de transporte, que partem juntos de um mesmo local em direção a um mesmo destino.

    O objetivo é avaliar a alternativa de deslocamento mais inteligente e sustentável nas grandes cidades. São considerados fatores como o tempo real de percurso, o impacto ambiental, a emissão de poluentes por passageiro, a emissão de ruídos e o custo financeiro da viagem, que inclui o custo social e o investimento de recursos públicos na mobilidade urbana.

    A última atividade prevista dentro da Semana do Dia Mundial Sem Carro será no próximo domingo (27), no Eixão do Lazer Sul, em Brasília. Será o lançamento da Carta-Compromisso da Mobilidade Sustentável, criada por organizações da sociedade civil.

    O documento será entregue aos candidatos nas eleições de 2026, para que, se eleitos, assumam compromissos práticos por um trânsito mais seguro, inclusivo e ecologicamente responsável nos espaços urbanos.

    23/09/2026 -  ONG Rodas da Paz apoia realização da Bicicletada, evento que marca o Dia Mundial Sem Carro. Foto: ONG Rodas da Paz/ Divulgação
    ONG Rodas da Paz apoia realização da Bicicletada, evento que marca o Dia Mundial Sem Carro. Foto: ONG Rodas da Paz/ Divulgação

    Controle social na mobilidade

    Raphael Dorneles explicou à Agência Brasil que um dos objetivos da ONG é a criação de um conselho deliberativo de mobilidade urbana sustentável e transporte.

    Queremos ter um espaço estrutural deliberativo dentro da estrutura do GDF [Governo do Distrito Federal]. Brigamos pela participação popular, pelo controle social, pela governança e transparência de todo o processo da mobilidade urbana.

    Coletivos urbanos defendem ainda que o uso da bicicleta como meio de transporte, lazer e esporte pode trazer diversos benefícios para a saúde e para o bolso do ciclista, incluindo também a redução de emissões de gases de efeito estufa e da poluição.

    O coordenador-geral da Rodas explica que a bicicleta é um modal muito menos poluidor e tem um impacto ambiental muito menor.

    Até a própria construção da bicicleta, a quantidade de material necessário para a construção, é muito menor do que para a fabricação de um carro. Além da estrutura viária necessária para a bicicleta ser muito menor do que para outros veículos, sobrando espaço para as pessoas, para casas, para comércio, para a área verde.

    O especialista em mobilidade ativa projeta que o uso de bicicletas deve ser incentivado para tornar as cidades mais resilientes às crises climáticas.

    Ministério das Cidades

    O Ministério das Cidades informou à Agência Brasil que tem, entre outras iniciativas, o Programa Avançar Cidades  Mobilidade Urbana, para a melhoria da circulação urbana e segurança viária.

    A iniciativa financia ações de mobilidade urbana voltadas ao transporte não motorizado (transporte ativo), ao transporte público coletivo e à elaboração de planos de mobilidade urbana municipais e metropolitanos, estudos e projetos básicos.

    Segundo a pasta, o Avançar Cidades recebeu investimentos federais de R$ 4,7 bilhões. Entre os projetos financiados estão a construção de calçadas acessíveis, ciclovias, iluminação pública e sinalização viária.

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