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    postado em 13/10/2026 17:55

    O Banco Central (BC) informou nesta terça-feira (13) que ainda há R$ 5,79 bilhões em dinheiro esquecido em bancos e outras instituições financeiras. Os valores, contabilizados até agosto de 2026, podem ser consultados por pessoas físicas, incluindo falecidos, e empresas por meio do Sistema Valores a Receber (SVR).

    Do total disponível, R$ 4,31 bilhões pertencem a 23,94 milhões de pessoas físicas. Outros R$ 1,48 bilhão são destinados a 2,36 milhões de empresas.

    O montante representa uma alta de 2,6% em relação aos R$ 5,65 bilhões registrados no mês anterior, indicando uma retomada do crescimento dos recursos disponíveis para resgate após a redução provocada pela transferência de parte do dinheiro para o programa de renegociação de dívidas do governo federal.

    Onde está o dinheiro?

    Os recursos estão distribuídos entre diferentes tipos de instituições financeiras. Os bancos concentram a maior parcela do montante disponível.

    Confira a distribuição:

    • Bancos: R$ 2,46 bilhões, o equivalente a 42,4% do total
    • Administradoras de consórcios: R$ 1,97 bilhão
    • Cooperativas de crédito: R$ 805,6 milhões
    • Instituições de pagamento: R$ 369,6 milhões
    • Financeiras: R$ 121 milhões
    • Corretoras e distribuidoras: R$ 68 milhões
    • Outras instituições: R$ 5 milhões.

    A maior parte dos beneficiários tem direito a quantias pequenas. Segundo os dados divulgados:

    • 69,4% dos valores a receber são de até R$ 10;
    • 18,95% estão na faixa entre R$ 10,01 e R$ 100;
    • 9,39% variam de R$ 100,01 a R$ 1 mil;
    • 2,21% dos beneficiários têm valores superiores a R$ 1 mil para resgatar.

    Como consultar valores

    A consulta deve ser feita exclusivamente pelo Sistema Valores a Receber, do Banco Central.

    O procedimento permite verificar se há dinheiro disponível e identificar a instituição responsável pela devolução.

    Para consultar, é necessário informar o CPF e a data de nascimento, no caso de pessoas físicas, ou os dados da empresa, conforme solicitado pelo sistema.

    Para solicitar o resgate, o interessado deve seguir as orientações apresentadas na plataforma. Quando a devolução por Pix estiver disponível, o valor poderá ser transferido em até 12 dias úteis, segundo as instruções do serviço.

    Confira as etapas:

    • Acesse o site oficial do Sistema Valores a Receber
    • Faça a consulta dos valores disponíveis;
    • Entre no sistema com uma conta Gov.br de nível prata ou ouro, quando solicitado para o resgate;
    • Leia e aceite o termo de responsabilidade;
    • Confira o valor e a instituição responsável pelo pagamento;
    • Selecione a opção de resgate disponível e siga as instruções.

    Quem não possui chave Pix deverá entrar em contato com a instituição financeira indicada pelo sistema para combinar outra forma de recebimento.

    No caso de valores pertencentes a pessoas falecidas, a consulta e a solicitação devem ser feitas por herdeiros, testamentários, inventariantes ou representantes legais, conforme as exigências do sistema e da instituição financeira.

    De onde vêm os valores?

    O chamado dinheiro esquecido corresponde a recursos que pertencem a clientes, mas permaneceram em instituições financeiras sem resgate. Entre as principais situações estão:

    • Contas correntes ou poupanças encerradas com saldo disponível
    • Tarifas ou parcelas de operações de crédito cobradas indevidamente
    • Recursos de grupos de consórcio encerrados
    • Valores de contas de pagamento pré-pagas ou pós-pagas encerradas
    • Cotas de capital e sobras líquidas de cooperativas de crédito
    • Saldos remanescentes em contas encerradas de corretoras e distribuidoras.

    O sistema reúne informações fornecidas pelas instituições participantes e permite que os titulares verifiquem a existência de recursos a receber.

    Atenção aos golpes

    O Banco Central alerta que o serviço é gratuito e que não é necessário pagar intermediários para consultar ou recuperar os valores.

    Para evitar fraudes, é importante observar algumas recomendações:

    • Utilize somente o endereço oficial do Banco Central;
    • Não clique em links suspeitos enviados por e-mail, SMS ou aplicativos de mensagens;
    • Não compartilhe senhas ou códigos de acesso;
    • Desconfie de cobranças antecipadas para liberar o dinheiro;

    O Banco Central não envia links nem entra em contato para solicitar dados pessoais ou confirmar informações sobre valores a receber.

    A consulta pelo sistema oficial é a forma indicada para verificar a existência de recursos e conhecer os procedimentos para solicitar a devolução.

    Recursos para o Desenrola

    Em maio, o governo anunciou o uso de recursos esquecidos em instituições financeiras para viabilizar o Desenrola 2.0, programa voltado à renegociação de dívidas.

    No fim daquele mês, cerca de R$ 5,7 bilhões foram transferidos para o Fundo de Garantia de Operações (FGO), mecanismo que oferece garantias às instituições financeiras em operações de crédito.

    Na prática, o fundo pode cobrir parte das perdas dos bancos em caso de inadimplência dos tomadores de empréstimos.

    Segundo o governo, 10% do saldo transferido ficariam segregados para atender a eventuais pedidos de resgate dos titulares dos recursos.

    A operação passou a ser investigada pelo Tribunal de Contas da União (TCU), que apura o uso de recursos em programas federais fora do Orçamento da União.

    A preocupação envolve o fato de que valores movimentados fora do orçamento não ficam submetidos aos mesmos limites fiscais aplicáveis às despesas públicas. A inclusão formal desses gastos poderia exigir o bloqueio de outras despesas discricionárias do governo.

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