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    postado em 15/10/2026 13:22

    A aprovação do fim da escala 6x1, com a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, repercutiu na imprensa internacional, que destacou que a votação foi uma vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva às vésperas do 2º turno das eleições no Brasil.

    O jornal espanhol El País escreveu no título que dezenas de milhões de trabalhadores conquistam um segundo dia livre no Brasil, uma vitória política para Lula.

    Na Argentina, o jornal Clarín classificou a aprovação como jogada política de Lula: Brasil aprova redução da jornada de trabalho, a menos de duas semanas do segundo turno das eleições.

    O também argentino La Nacion disse que a votação é a grande aposta de Lula antes do segundo turno, acrescentando que o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro mudou de posição e anunciou seu voto favorável 48 horas antes da sessão".  

    O jornal inglês Financial Times, especializado em economia e finanças, destacou que os legisladores brasileiros votaram para abolir uma semana de trabalho de seis dias na maior economia da América Latina.

    O jornal diz que a votação foi uma vitória para Lula próxima ao segundo turno eleitoral, acrescentando ainda as críticas dos grupos empresariais que reclamam de aumento de custos. 

    Terminar a semana de trabalho de seis dias alinhará o Brasil com muitas nações de renda mais alta, onde as horas de trabalho diminuíram à medida que a produtividade e a eficiência melhoraram, escreveu o Financial Times.

    O também britânico The Guardian aponta vitória de Lula com a aprovação e calcula que a mudança pode afetar até 30 milhões de pessoas no Brasil.

    A proposta começou como um movimento do TikTok chamado Vida Além do Trabalho, fundado por um assistente de farmácia que entrou na política após seu sucesso e mais tarde foi abraçado por Lula, escreveu o The Guardian.

    Mudança de posição

    A imprensa estrangeira ainda lembrou que o candidato Flávio Bolsonaro (PL), que disputa o 2º turno contra Lula, era contrário à proposta de emenda à constituição (PEC) que acaba com a 6x1, mas acabou mudando de posição poucos dias antes da votação.

    Mesmo depois de mudar sua posição, Bolsonaro disse na terça-feira que apoia algo ainda melhor, referindo-se a uma proposta alternativa que há muito tempo defendia em que o pagamento seria baseado nas horas realmente trabalhadas, acrescentou o The Guardian.

    A agência de notícias dos Estados Unidos (EUA) Associated Press (AP) apontou que o único voto contrário foi do ex-vice-presidente Hamilton Mourão, que atuou durante o governo do presidente Jair Bolsonaro.

    A AP explicou que os aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL) deixaram de bloquear a medida popular para que ele não fosse prejudicado em sua disputa acirrada contra Lula.

    Rio de Janeiro (RJ), 30/06/2026  Manifestantes participam de ato pelo fim da escala 6x1 e caminham pela Avenida Brasil, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
    Manifestantes participam de ato pelo fim da escala 6x1 e caminham pela Avenida Brasil, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

    Aprovação no Senado

    O plenário do Senado concluiu a aprovação da PEC do fim da 6x1 na noite de quarta (14), com 75 votos a favor e apenas um contrário.

    A oposição, que era contrária à aprovação da matéria, mudou de lado após o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), pautar o tema no plenário.

    Em entrevista à TV Jovem Pan, o líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), afirmou que, se eleito, Flávio Bolsonaro deve aprovar a PEC 12/2026, que prevê um contrato por hora trabalhada.

    Entenda a PEC

    O texto da PEC que acaba com a 6x1 prevê descanso remunerado obrigatório de dois dias por semana, em jornada máxima de 5x2, sem redução salarial, e também reduz a atual jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, com uma regra de transição total de 14 meses.

    >> Saiba mais detalhes sobre como vai funcionar o fim da 6x1

    Pelo texto, 60 dias após a promulgação da emenda constitucional, as empresas deverão adotar a escala 5x2 e reduzir a jornada máxima para até 42 horas semanais de trabalho. Depois de mais 12 meses, a jornada será reduzida para 40 horas semanais.

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