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    postado em 25/10/2026 14:25

    A disputa acirrada deste segundo turno tem sido acompanhada por episódios de violência política contra candidatos, militantes, agentes públicos e cidadãos. 

    Em Montes Claros (MG), a vereadora Iara Pimentel (PT) foi atingida no rosto por um objeto durante ato político realizado na noite de ontem e teve de deixar o local em uma ambulância do Samu. Segundo o relato, o carro de som em que estava foi alvo de garrafas, tijolos e outros objetos.

    A vereadora afirmou que a agressão é incompatível com a democracia, defendeu a liberdade de manifestação política e cobrou investigação rigorosa, apuração dos fatos e responsabilização dos envolvidos. Também afirmou que a violência política não pode ser naturalizada e que nenhuma divergência justifica agressões.

    Pensar diferente é um direito. A violência política é uma ameaça à democracia. Nenhuma divergência pode justificar agressões ou colocar vidas em risco, argumentou.

    O episódio de Montes Claros foi citado também pela deputada federal eleita Ana Elisa (PT-MG), que classificou a agressão sofrida por Iara Pimentel como inadmissível. Ela afirmou que a democracia não combina com pedras, ameaças e agressões e manifestou solidariedade à vereadora e às demais pessoas feridas, defendendo a responsabilização dos autores.

    A parlamentar já havia denunciado ser alvo de violência política, a ponto de ter de desativar sua conta no X após sucessivas ameaças de morte e estupro.

    Ana Elisa afirmou que recebia ataques "a cada dois minutos", declarou estar "totalmente vulnerável" e informou ter levado o caso à Polícia Civil de Minas Gerais. As mensagens continham conteúdos racistas, misóginos e de violência sexual.

    Diante das ameaças sofridas, a deputada eleita foi incluída no Programa Estadual de Proteção de Minas Gerais.

    Após votar em São Bernardo do Campo (SP), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva citou episódios de violência registrados durante a campanha e defendeu a convivência democrática entre pessoas com opiniões políticas, religiosas e visões de mundo diferentes.

    O presidente afirmou que divergências políticas não podem resultar em agressões. A coisa mais sagrada na democracia é a convivência democrática na diversidade, disse o presidente, citando o caso da vereadora mineira.

    Os vizinhos não precisam torcer para o mesmo time, mas não precisam brigar. Os vizinhos não precisam ter o mesmo candidato, mas também não precisam brigar. Não precisam gostar da mesma religião, mas também não precisam brigar. Se cada um aprender a respeitar o direito dos outros, a fé dos outros, o time dos outros e o partido dos outros, a gente exerce a democracia na sua plenitude, acrescentou.

    Ameaças a servidores da Justiça Eleitoral

    Há também relatos de ameaças contra servidores da Justiça Eleitoral. A Federação Nacional dos Trabalhadores e das Trabalhadoras do Judiciário Federal e Ministério Público da União (Fenajufe) divulgou nota de repúdio às intimidações que vêm sendo feitas desde o primeiro turno das eleições. Diante da situação, tem cobrado a responsabilização dos envolvidos.

    A União Brasileira de Mulheres do Distrito Federal (UBM-DF) denunciou, na véspera do segundo turno, agressão contra sua presidenta, Maria das Neves Filha, e contra a presidenta da Mocidade do Gama, Edilamar Melo.

    O caso ocorreu durante uma atividade de panfletagem em frente ao CEMI-Gama e foi registrado em vídeo. Segundo a entidade, o homem identificado é policial militar aposentado e teria arremessado uma mesa e derrubado materiais da atividade.

    A UBM-DF informou ter registrado boletim de ocorrência, anunciado medidas judiciais e divulgado vídeo do episódio. Na nota, a entidade afirma que não podemos naturalizar a barbárie e a violência contra mulheres e caracteriza o caso como violência política de gênero.

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