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    postado em 02/11/2026 12:39

    Ainda é possível limitar o aquecimento global entre 1,7 graus Celsius (°C) e 1,8°C e retornar ao limite de 1,5°C acima dos níveis pré-industriais até 2100, se as emissões globais de gases de efeito estufa (GEE) forem reduzidas em 18% até 2030; em 45% até 2035 e em 69% até 2040, na comparação com os níveis de 2025. 

    Na prática, é necessário um esforço global capaz de alcançar uma redução média de 5,7% ao ano, de 2025 até 2035.

    A projeção está no novo Relatório sobre a Lacuna de Emissões 2026: O Ponto de Retorno, lançado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma).

    O documento aponta a necessidade de esforços muito acima dos compromissos assumidos nas novas gerações de Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs), mas também traz evidências de que retornar a um limite de aquecimento global de 1,5°C ou menos é possível.

    "Ultrapassar a meta não significa desistir. Ainda podemos mantê-la o mais pequena e curta possível e trazer as temperaturas de volta para menos de 1,5 graus até o final do século", avalia o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres.

    A necessidade de manter o aquecimento global controlado foi evidenciado no estudo anterior Limitar a Ultrapassagem Lidar com a Ultrapassagem de 1,5 °C e Caminhos para o Retorno, que mostrou os efeitos no planeta do pico de aquecimento e a subsequente queda de temperatura.

    Quanto maior a temperatura e mais longa a duração, maiores são os impactos como:

    • aumento do nível do mar,
    • colapso de ecossistemas como os recifes de coral,
    • ondas de calor e incêndios florestais, e
    • alterações profundas na criosfera, que inclui calotas polares, gelo marinho, geleiras, solo congelado e neve.

    Com a trajetória atual mantida, o aquecimento global poderá atingir 2,8°C neste século. Caso as NDCs sejam plenamente cumpridas e a restauração de biomas seja capaz de neutralizar as emissões globais até 2050, ainda assim, o aquecimento global chegaria a 2,1°C neste século.

    Um exemplo do que poderá ocorrer como consequência desse aquecimento é o derretimento de um quarto das geleiras do planeta, com a elevação do nível do mar em até 12,5 centímetros (cm).

    Na prática, isso afetaria de forma permanente a disponibilidade de água potável em várias localidades do mundo.

    Políticas que funcionam

    Para cessar essa trajetória, o relatório de emissões traz a análise de mais de 220 avaliações de políticas adotadas pelo mundo e os resultados apontam números positivos, apesar da concentração dessas iniciativas em poucos países, setores e por períodos específicos.

    De acordo com o estudo, as políticas no setor elétrico foram capazes de reduzir as emissões em uma média de 9%. Já instrumentos econômicos, como impostos sobre carbono e comércio de captação, foram capazes de diminuir as emissões entre 5% e 13%.

    A diretora executiva do Pnuma, Inger Andersen, os casos de sucesso são muitos, variados e demonstram que as emissões podem ser reduzidas rapidamente.

    Agora cabe às nações implementar urgentemente políticas que promovam reduções de emissões rápidas, profundas e sustentáveis, e que coloquem o mundo no caminho certo para um clima mais estável e para economias e sociedades mais estáveis, reforça.

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