
Os documentos foram concluídos dentro do prazo anunciado, a menos de uma semana do início da 31ª Conferência sobre Mudança do Clima (COP31). O encontro ocorrerá na cidade de Antália, Turquia, de 9 a 20 de novembro.
Com duas estruturas similares, as ferramentas trazem caminhos orientados para que os países tracem seus próprios diagnósticos, identifiquem a etapa em que estão para atingiram as metas, consigam alavancar os resultados a partir de ações para implementação e finalmente se juntem em um mutirão global de resultados.
Segundo o presidente da COP30, embaixador André Corrêa do Lago, os mapas não são mais parte da negociação, mas sim contribuições efetivas para ajudar os países a implementar o que já foi acordado.
Nossa intenção é ajudar os países a terem políticas, tanto na direção de zerar o desmatamento quanto na direção do afastamento dos [combustíveis] fósseis. Políticas baseada nas informações, na ciência e nos dados que já estão disponíveis hoje, destaca Corrêa do Lago.
Brasília (DF) 03//11/2026 - André Corrêa do Lago participa do lançamento dos Mapas do Caminho da Presidência da COP30 Foto - Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
Combustíveis fósseis
Na proposta do Mapa do Caminho para Longe dos Combustíveis Fósseis o primeiro passo que conduzirá os países pela estratégia é a realização de uma avaliação nacional chamada Preparação de Belém.
Nessa análise, os países deverão medir como ocorre a oferta e a demanda de energia atualmente em seus territórios e também como isso se relaciona com a economia interna.
Deverão constar, por exemplo, o nível de dependência fiscal do mercado energético, os investimentos mais recentes e a expectativa de retorno dos investidores e os sinais de preço emitidos por produtores aos consumidores.
Além dessa análise, a presidência da COP30 também propõe algumas alavancas de base para acelerar as ações de transição nos países que ainda estão no início do processo.
- Fortalecer o planejamento de longo prazo para que a transição acompanhe o crescimento da demanda
- Promover a articulação institucional e colaboração público-privada
- Ampliar oferta de energia confiável, acessível e sustentável
- Fortalecer a gestão sobre a demanda e a participação do consumidor, por meio de sistemas digitais
- Acelerar a eletrificação, a adoção de energia de baixas emissões e a eficiência energética
Segundo a diretora-executiva da COP30, Ana Toni, os mapas do caminho mostram que a transição é possível e que todos os países já estão em condições de iniciar o trabalho nacional imediatamente.
A transição é inevitável, então, comece a planejar agora e o mais breve possível. Porque isso vai ser bom para o seu país, para a sua sociedade, para a sua economia, reforça.
Na prática, os países poderão descarbonizar a forma de gerar energia e também desenvolver ainda mais suas economias, ampliando a oferta no setor, protegendo trabalhadores e comunidades locais. E o caminho pode ser seguido de forma diferente, conforme a realidade de capa país, mas com o mesmo objetivo global.
Brasília (DF) 03//11/2026 - Ana Toni participa do lançamento dos Mapas do Caminho da Presidência da COP30 Foto - Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
A partir de cada contribuição nacional, chamadas pelos integrantes da COP de arquétipos, os países deverão formar um grande mutirão de esforço para resultados globais.
A gente criou arquétipos de países para mostrar que os países começam essa transição de lugares muito diferentes. Onde está o Brasil é muito diferente de onde está a União Europeia, a Noruega, os Estados Unidos ou o Canadá, explica Ana Toni.
Fim do Desmatamento
O Mapa do Caminho para o Fim do Desmatamento e da Degradação Florestal traz uma abordagem global, com foco nas florestas tropicais, subtropicais, temperadas e boreais, bem como ecossistemas relacionados às florestas, como turfeiras e manguezais.
A proposta para os países trilharem o caminho até o fim do desmatamento também tem foco na degradação, que afeta a capacidade de armazenar carbono, regular os sistemas de chuvas e sustentar a biodiversidade nas florestas de forma mais silenciosa que o desmatamento.
As orientações seguem a mesma trilha do mapa para longe dos combustíveis fósseis, do diagnóstico até a soma dos resultados globais. Mas no caso do enfrentamento ao desmatamento e à degradação, foram observadas seis dimensões:
Conservação;
- Manejo florestal sustentável
- Agrossilvicultura e bioeconomia
- Combate à degradação florestal
- Combate ao desmatamento
- Restauração, reflorestamento e plantio de florestas.
Segundo o ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, muitas das alavancas sugeridas no mapa do fim do desmatamento são inspiradas em políticas que já foram adotadas pelo Brasil e apresentaram resultados expressivos como a redução do desmatamento no Brasil.
Os Mapas do Caminho fazem exatamente isso, criam uma plataforma e um processo, que mostram no horizonte o que é possível a partir de experiências das mais diversas formas e vindas de diferentes povos. Colocam isso em perspectiva, que permite avançar em pequenos aspectos que vão se somando, criando uma sinergia e avançando em soluções globais, conclui.
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