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    postado em 11/01/2026 11:10

    Com a partida de Manoel Carlos neste último sábado (10), aos 92 anos de idade, a televisão brasileira não perde apenas um autor de novelas, mas o seu maior cronista urbano. Maneco, como era chamado pelos íntimos e pelo público, criou um universo paralelo onde o drama e a sofisticação caminhavam de mãos dadas pelas calçadas de pedras portuguesas da Zona Sul carioca.

    Para Manoel Carlos, o Leblon não era apenas uma locação, mas um personagem vivo. Enquanto outras novelas apostavam em cidades cenográficas grandiosas, Maneco preferia a luz natural da Praia do Arpoador e o movimento real das ruas Dias Ferreira e Delfim Moreira.

    O luxo de Manoel Carlos era silencioso. Não se tratava de “novos ricos” exibindo joias, mas de uma elite intelectualizada. Seus personagens eram médicos, livreiros, galeristas e pianistas. Outro ponto alto das suas novelas eram as trilhas sonoras, que se tornavam um elemento narrativo. Tom Jobim, Vinícius de Moraes e João Gilberto ditavam o ritmo das transições de cena.

    Manoel Carlos deixa um legado onde a estética e a ética se fundem. Ele provou que era possível fazer sucesso popular com uma linguagem erudita, provando que o público brasileiro se interessa tanto por grandes explosões quanto pelo silêncio carregado de significado de uma Helena caminhando sozinha pela orla do Leblon.

    Você está lendo um conteúdo originalmente publicado no Observatório da TV. Confira mais em: https://observatoriodatv.com.br

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