Especialista dá detalhes do transplante de rim que salvou a vida de Jackson Antunes - (crédito: Observatório dos Famosos)
O ator Jackson Antunes conseguiu recuperar a sua saúde após ter recebido um transplante de rim doado pela sua esposa, Cristiana Britto. Com isso, aumentaram as curiosidades de quem tem enfrentado a doença ou quem tem um parente, ou amigo nessa situação.
A diretora médica de transplantes da América Latina da Werfen, Sílvia Casas, detalhou quais são os sinais que as pessoas podem descobrir ao mau funcionamento do rim, além de revelar como pessoas próximas podem ser cruciais em salvar a vida de quem enfrenta a doença.
Observatório dos Famosos: No caso de Jackson Antunes, ele recebeu o rim da esposa. Geralmente, são pessoas próximas que acabam doando ou ainda existe receio?
Sílvia: Quando ocorre uma doação de rim em vida, o mais comum é que o doador seja
uma pessoa próxima ao paciente: familiares diretos, como pais, filhos ou irmãos, ou o
cônjuge. No Brasil, esse tipo de procedimento é regulamentado pela Lei de Transplantes,
que estabelece o marco legal para a retirada e o transplante de órgãos no país. De acordo com essa norma, a doação em vida é permitida quando o doador é um familiar consanguíneo até o quarto grau ou o cônjuge do receptor. Esse sistema de controle foi
criado, entre outros motivos, para prevenir a comercialização ou o tráfico de órgãos. Ainda
assim, a doação em vida ainda é relativamente restrita. Embora os familiares tenham maior
probabilidade de serem compatíveis, o grupo de possíveis doadores ainda é relativamente
pequeno, o que dificulta encontrar uma compatibilidade ideal que garanta bons resultados
funcionais do órgão após o transplante.
Observatório dos Famosos: Quais são os primeiros sinais que o rim alerta sobre mau funcionamento?
Sílvia: Quando pensamos em doença renal crônica, os sinais mais confiáveis
geralmente vêm dos exames laboratoriais como elevação da creatinina, redução da taxa
de filtração glomerular estimada e presença de microalbuminúria. A creatinina sérica é um
dos exames mais usados para estimar a função renal. No entanto, deve ser interpretada
com cautela, pois é relativamente pouco sensível e pode permanecer dentro dos valores
normais até que haja um comprometimento significativo da função renal. Infelizmente, as
manifestações clínicas costumam ser inespecíficas e aparecer em fases mais avançadas, o
que atrasa o diagnóstico. Por isso, o rastreamento em pacientes com fatores de risco como
diabetes, hipertensão arterial, doença cardiovascular, idade avançada ou histórico familiar
de doença renal crônica é fundamental.
Observatório dos Famosos: Quanto tempo leva o período de recuperação de um transplante de rim? O que o paciente precisa abrir mão ao longo da vida após transplantado?
Sílvia: Um transplante de rim pode transformar profundamente a vida das pessoas com
doença renal crônica, permitindo recuperar a autonomia e melhorar a qualidade de vida. No entanto, como qualquer cirurgia de grande porte, implica um período de recuperação e
alguns cuidados permanentes. Após a operação, o paciente geralmente permanece
internado entre cinco e dez dias. Durante esse período, a equipe médica monitora se o novo rim começa a funcionar corretamente e ajusta a medicação necessária. Já em casa,
inicia-se uma fase de recuperação progressiva que costuma durar entre quatro e seis
semanas. Nesse período, são comuns as consultas médicas e os exames de sangue para
acompanhar a evolução do órgão transplantado. A maioria das pessoas pode retomar
grande parte das atividades cotidianas entre seis e doze semanas após o transplante,
embora a recuperação completa possa se estender por vários meses.
Além da recuperação inicial, o transplante envolve cuidados de longo prazo para proteger o novo órgão. Um dos mais importantes é o uso diário e contínuo de medicação
imunossupressora, que impede o sistema imunológico de rejeitar o rim transplantado. Esses medicamentos são essenciais, embora também possam aumentar a suscetibilidade a
infecções. Por isso, os pacientes devem manter acompanhamento médico regular,
especialmente durante o primeiro ano, além de adotar hábitos de vida saudáveis, como
seguir uma alimentação equilibrada, controlar a pressão arterial, evitar o tabagismo e
praticar atividade física moderada quando orientado pelo médico. De modo geral, o
transplante permite retomar uma vida bastante próxima do normal, mas é fundamental
nunca interromper a medicação, evitar certos medicamentos que podem prejudicar o rim,
como alguns anti-inflamatórios, e ter maior cuidado com infecções ou alimentos de risco.
Em muitos casos, o transplante também possibilita deixar para trás tratamentos como a
diálise, o que representa uma melhora significativa na qualidade de vida. Com o
acompanhamento adequado, muitas pessoas transplantadas conseguem voltar ao trabalho,
viajar e manter uma vida ativa.
Observatório dos Famosos: Durante a pandemia, teve uma queda de transplante de rim. A que se explica isso?
Sílvia: Durante os momentos mais críticos da emergência sanitária, a atividade de
transplantes apresentou uma queda significativa em nível global, motivada por múltiplos
fatores. Estudos internacionais mostram que a redução dos transplantes variou de 22% a
80%, dependendo do país, da fase da pandemia e do tipo de procedimento. No caso da
América Latina, embora não exista um percentual único consolidado para toda a região
devido à ausência de um registro regional unificado, as fontes disponíveis indicam que a
diminuição variou aproximadamente de 25% a 40%. É importante destacar, porém, que no
Brasil esse monitoramento é sólido e contínuo, graças aos dados sistematizados pela
Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), que acompanha e publica
regularmente informações detalhadas sobre a atividade transplantadora no país.
Entre os fatores relacionados à essa queda, destacam-se as restrições sanitárias, o alto
risco clínico para pacientes imunossuprimidos, a redução na disponibilidade de doadores, a
sobrecarga ou colapso de muitos hospitais e as limitações logísticas que afetaram tanto a
coordenação quanto a realização dos procedimentos. Nos primeiros meses de 2020, a
queda foi particularmente acentuada. Gradualmente, os programas de transplante
começaram a se recuperar graças à implementação de protocolos de rastreamento,
campanhas de vacinação e à reorganização dos sistemas hospitalares para garantir a
continuidade desses tratamentos essenciais. Além da redução na atividade cirúrgica, a
pandemia gerou outro efeito relevante: o aumento de pacientes em lista de espera. No
Brasil, por exemplo, a lista de espera para transplante renal cresceu 6,8%, refletindo o
impacto acumulado que a crise sanitária teve sobre milhares de pessoas que dependem
desse tipo de intervenção para melhorar ou salvar suas vidas.
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