Entretenimento

MAIS LIDAS

    postado em 03/04/2026 10:44

    A televisão aberta vive uma transformação silenciosa, mas profunda. Um dos produtos mais tradicionais da programação os chamados ‘enlatados, como filmes e séries comprados de terceiros vem perdendo espaço de forma consistente nos últimos anos. E o motivo é claro: o avanço do streaming.

    Durante décadas, esses conteúdos foram pilares importantes da grade das emissoras. Sessões de filmes e séries estrangeiras atraíam audiência e preenchiam horários estratégicos. No entanto, esse modelo já não conversa mais com o comportamento atual do público.

    Streaming muda hábitos e enfraquece os ‘enlatados na TV aberta

    Com plataformas como Netflix, HBO Max, Disney+ e Prime Video, o consumo de conteúdo audiovisual mudou completamente. O espectador deixou de ser refém da grade fixa da televisão para assumir o controle da própria experiência.

    Hoje, é possível assistir ao que quiser, quando quiser e da forma que preferir. Maratonar uma série inteira em um único dia ou acompanhar episódios semanalmente virou uma escolha individual e não mais uma imposição da emissora.

    Diante desse cenário, filmes e séries no streaming se tornaram muito mais atrativos do que na TV aberta. Como consequência direta, observa-se uma queda progressiva no número de sessões desse tipo de conteúdo nas emissoras tradicionais um movimento que, na prática, é inevitável.

    Exibir filmes e séries ainda faz sentido na TV aberta?

    A resposta, hoje, tende a ser: depende.

    Exibir conteúdos prontos, adquiridos de terceiros, perdeu grande parte do seu valor estratégico. Afinal, o público já encontra esses mesmos títulos muitas vezes com mais qualidade e sem interrupções nas plataformas digitais.

    Além disso, esses produtos custam caro, comprar pacotes de filmes e séries exigem investimentos altos em dólar e não é garantia de retorno.

    Por outro lado, há uma exceção importante: a produção própria.

    Quando uma emissora investe em séries originais, novelas inéditas ou conteúdos exclusivos, há um diferencial competitivo claro. O produto passa a ser único naquele momento, o que pode atrair audiência e gerar repercussão.

    A dificuldade está no custo. Produzir é caro, no cenário atual as TVs abertas não dispões de recursos suficientes para bancar sozinhas produções de séries, novelas e até mesmo filmes. A solução pode estar nas coproduções.

    No caso dos filmes, esse movimento ainda é mais tímido, já que as emissoras brasileiras não têm tradição como produtoras de cinema, com exceção da Globo. Ainda assim, parcerias e coproduções podem abrir novas possibilidades nesse campo.

    Novelas estrangeiras ainda resistem mas até quando?

    As novelas mexicanas, turcas e de outros países continuam presentes na programação da TV aberta e ainda têm público fiel. No entanto, esse formato também começa a sentir os efeitos do streaming.

    Hoje, essas produções estão cada vez mais disponíveis sob demanda, o que reduz a dependência da exibição linear. A tendência, portanto, é de perda gradual de espaço ainda que de forma mais lenta em comparação com filmes e séries.

    O futuro da TV aberta: menos enlatados, mais identidade

    Diante desse novo cenário, a TV aberta precisa reforçar aquilo que sempre foi sua maior força: o conteúdo original e ao vivo.

    Jornalismo, realities, programas de auditório e produções próprias continuam sendo os grandes diferenciais das emissoras. Mesmo quando utilizam formatos internacionais, o que faz a diferença é a adaptação local e a produção própria.

    Esses formatos têm algo que o streaming ainda não entrega com a mesma força: imediatismo, interação e identificação cultural.

    Conclusão: a TV aberta está mudando e rápido

    A tendência é clara: filmes, séries e até novelas adquiridas os ‘enlatados’ devem migrar cada vez mais para o streaming. Já a TV aberta tende a se especializar em conteúdos exclusivos, mesmo em coproduções, ao vivo e com forte identidade nacional.

    Mais do que competir diretamente com o streaming, as emissoras precisam entender seu papel nesse novo ecossistema.

    Afinal, a pergunta que fica é: o que realmente faz sentido na TV aberta daqui para frente?

    O texto Com o avanço dos streaming, filmes e séries perdem espaço na TV aberta foi publicado primeiro no Observatório da TV.

    Veja também:

    Coproduções viram regra na TV aberta e apontam o futuro do entretenimento no Brasil

    Comédia SBT aposta em humor ultrapassado e levanta debate sobre limites na TV

    Viva a Noite volta ao SBT com Luis Ricardo: até que ponto repetir o passado é suficiente para dialogar com o público atual?

    Gostou da matéria? Escolha como acompanhar as principais notícias do Correio:

    Dê a sua opinião! O Correio tem um espaço na edição impressa para publicar a opinião dos leitores. Clique aqui e saiba mais.