Com o avanço dos streaming, filmes e séries perdem espaço na TV aberta - (crédito: Obeservatório da TV)
A televisão aberta vive uma transformação silenciosa, mas profunda. Um dos produtos mais tradicionais da programação os chamados ‘enlatados, como filmes e séries comprados de terceiros vem perdendo espaço de forma consistente nos últimos anos. E o motivo é claro: o avanço do streaming.
Durante décadas, esses conteúdos foram pilares importantes da grade das emissoras. Sessões de filmes e séries estrangeiras atraíam audiência e preenchiam horários estratégicos. No entanto, esse modelo já não conversa mais com o comportamento atual do público.
Streaming muda hábitos e enfraquece os ‘enlatados na TV aberta
Com plataformas como Netflix, HBO Max, Disney+ e Prime Video, o consumo de conteúdo audiovisual mudou completamente. O espectador deixou de ser refém da grade fixa da televisão para assumir o controle da própria experiência.
Hoje, é possível assistir ao que quiser, quando quiser e da forma que preferir. Maratonar uma série inteira em um único dia ou acompanhar episódios semanalmente virou uma escolha individual e não mais uma imposição da emissora.
Diante desse cenário, filmes e séries no streaming se tornaram muito mais atrativos do que na TV aberta. Como consequência direta, observa-se uma queda progressiva no número de sessões desse tipo de conteúdo nas emissoras tradicionais um movimento que, na prática, é inevitável.
Exibir filmes e séries ainda faz sentido na TV aberta?
A resposta, hoje, tende a ser: depende.
Exibir conteúdos prontos, adquiridos de terceiros, perdeu grande parte do seu valor estratégico. Afinal, o público já encontra esses mesmos títulos muitas vezes com mais qualidade e sem interrupções nas plataformas digitais.
Além disso, esses produtos custam caro, comprar pacotes de filmes e séries exigem investimentos altos em dólar e não é garantia de retorno.
Por outro lado, há uma exceção importante: a produção própria.
Quando uma emissora investe em séries originais, novelas inéditas ou conteúdos exclusivos, há um diferencial competitivo claro. O produto passa a ser único naquele momento, o que pode atrair audiência e gerar repercussão.
A dificuldade está no custo. Produzir é caro, no cenário atual as TVs abertas não dispões de recursos suficientes para bancar sozinhas produções de séries, novelas e até mesmo filmes. A solução pode estar nas coproduções.
No caso dos filmes, esse movimento ainda é mais tímido, já que as emissoras brasileiras não têm tradição como produtoras de cinema, com exceção da Globo. Ainda assim, parcerias e coproduções podem abrir novas possibilidades nesse campo.
Novelas estrangeiras ainda resistem mas até quando?
As novelas mexicanas, turcas e de outros países continuam presentes na programação da TV aberta e ainda têm público fiel. No entanto, esse formato também começa a sentir os efeitos do streaming.
Hoje, essas produções estão cada vez mais disponíveis sob demanda, o que reduz a dependência da exibição linear. A tendência, portanto, é de perda gradual de espaço ainda que de forma mais lenta em comparação com filmes e séries.
O futuro da TV aberta: menos enlatados, mais identidade
Diante desse novo cenário, a TV aberta precisa reforçar aquilo que sempre foi sua maior força: o conteúdo original e ao vivo.
Jornalismo, realities, programas de auditório e produções próprias continuam sendo os grandes diferenciais das emissoras. Mesmo quando utilizam formatos internacionais, o que faz a diferença é a adaptação local e a produção própria.
Esses formatos têm algo que o streaming ainda não entrega com a mesma força: imediatismo, interação e identificação cultural.
Conclusão: a TV aberta está mudando e rápido
A tendência é clara: filmes, séries e até novelas adquiridas os ‘enlatados’ devem migrar cada vez mais para o streaming. Já a TV aberta tende a se especializar em conteúdos exclusivos, mesmo em coproduções, ao vivo e com forte identidade nacional.
Mais do que competir diretamente com o streaming, as emissoras precisam entender seu papel nesse novo ecossistema.
Afinal, a pergunta que fica é: o que realmente faz sentido na TV aberta daqui para frente?
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