Novelas com muita maldade? O público reclama, mas existe história sem vilão? - (crédito: Obeservatório da TV)
Nos últimos tempos, um tipo de comentário tem se tornado cada vez mais comum entre os telespectadores de novelas: a sensação de que há maldade demais nas tramas. Vilões cruéis, personagens perversos e conflitos intensos têm gerado críticas nas redes sociais, com parte do público dizendo estar cansada desse tipo de narrativa. Que já basta as maldades e coisas ruins da vida real.
Mas a pergunta que fica é: existe novela sem vilão e maldades?
A base da dramaturgia sempre foi o conflito
Desde o surgimento das novelas, o conflito é o elemento central da história. É ele que movimenta a narrativa, prende o público e cria expectativa ao longo dos capítulos.
Tradicionalmente, esse conflito se estabelece entre dois polos bem definidos: o mocinho e o vilão. Enquanto o protagonista enfrenta dificuldades, injustiças e obstáculos, o antagonista é responsável por gerar esses problemas muitas vezes de forma cruel.
E isso não é por acaso.
Sem conflito, não há história. Se tudo dá certo o tempo todo, simplesmente não existe desenvolvimento dramático.
O sofrimento do mocinho é parte da fórmula
Outro ponto clássico das novelas é o chamado ‘arco de sofrimento’ do protagonista. O mocinho sofre ao longo da trama muitas vezes de forma intensa para, apenas no final, conquistar sua redenção e o tão esperado final feliz.
Esse modelo é repetido há décadas e, em muitos casos, ainda funciona. Casamentos, reconciliações familiares e reviravoltas positivas continuam sendo marcas registradas do gênero.
Mas será que o público está começando a rejeitar esse formato?
Existe excesso de vilania nas novelas atuais?
É possível que algumas produções tenham, sim, exagerado na dose. Vilões mais violentos, tramas mais pesadas e conflitos extremos podem causar a sensação de desgaste em parte da audiência.
No entanto, afirmar que hoje tem mais maldade do que antes pode ser uma percepção distorcida. A presença de vilões sempre foi constante o que muda é a forma como essas histórias são contadas.
Hoje, há mais realismo, mais intensidade e, muitas vezes, personagens menos caricatos e mais complexos.
Como seria uma novela sem vilão?
Essa é a grande questão.
Sem um antagonista, como a história se desenvolve? Como criar tensão, expectativa e engajamento do público?
Se o protagonista começa a trama com tudo dando certo e sem enfrentar obstáculos, a narrativa perde força. A novela, nesse cenário, praticamente não teria conflito e, consequentemente, não teria continuidade.
É por isso que o vilão não é apenas um recurso: ele é uma peça estrutural da dramaturgia.
O público quer mudança mas qual?
As críticas são válidas. O público pode, sim, desejar menos violência, menos exagero ou até vilões mais humanos e complexos.
Mas eliminar completamente a figura do antagonista parece inviável.
Talvez o caminho não seja acabar com os vilões, mas reinventá-los: criar conflitos mais sutis, personagens mais realistas e histórias que fujam do óbvio sem perder a essência do gênero.
Conclusão
Reclamar da presença de vilões nas novelas é compreensível principalmente quando há excesso ou repetição de fórmulas. No entanto, imaginar uma novela sem conflito é praticamente impossível.
O desafio da dramaturgia atual não é eliminar a maldade das histórias, mas encontrar novas formas de contá-las.
E você, o que acha?
Dá para existir novela sem vilão ou isso acabaria com a graça da história?
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