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    postado em 04/04/2026 10:34

    O SBT anunciou ao mercado sua estratégia de programação para a cobertura da Copa do Mundo de 2026, que será realizada no México, Estados Unidos e Canadá. A iniciativa, no entanto, levanta questionamentos importantes sobre o posicionamento da emissora e o retorno real desse investimento, especialmente no que tange a audiência.

    Apesar de ser um dos maiores eventos esportivos do planeta e com forte apelo comercial, a Copa do Mundo não será exclusividade de uma única emissora. Pelo contrário: trata-se de um conteúdo amplamente distribuído, o que tende a fragmentar a audiência e o investimento publicitário.

    Segundo a assessoria do SBT, todas as cotas de patrocínio foram vendidas, o que é um bom sinal, embora para conseguir tenha sido necessário vários descontos expressivos.

    Nesse caso, pelo menos a emissora não terá prejuízos financeiros. O que contribuiu para a venda foi a parceria com o N Sports, ampliando a visibilidade das marcas para além da TV aberta.

    Concorrência forte pode limitar alcance do SBT

    Com a presença de emissoras tradicionais como a Globo e canais por assinatura, além das plataformas de streaming e VOD na cobertura do torneio, o SBT entra em uma disputa direta com players que já possuem forte identificação com o público no segmento esportivo.

    Historicamente, o telespectador brasileiro associa grandes eventos esportivos a grupos consolidados, que contam com tradição, equipes especializadas e credibilidade nesse tipo de transmissão. Nesse cenário, o SBT que não tem tanta tradição como emissora esportiva, pode enfrentar dificuldades para se tornar a principal escolha do público.

    Alto investimento para retorno incerto

    A emissora não economizou: adquiriu direitos de transmissão, contratou profissionais renomados como Galvão Bueno e iniciou a montagem de uma estrutura robusta para a cobertura do evento.

    Ainda assim, o retorno desse investimento é incerto. Embora a Copa traga visibilidade, prestígio e repercussão, isso não garante liderança de audiência nem fidelização do público.

    Na prática, a tendência é que o SBT funcione como uma alternativa secundária para o telespectador, e não como a principal tela de consumo dos jogos.

    Esporte não é o DNA do SBT

    Outro ponto relevante é o histórico da emissora. O SBT já teve experiências pontuais com transmissões esportivas que chegaram a registrar bons índices de audiência, mas nunca consolidou o esporte como parte central de sua identidade.

    Vale lembrar que o SBT, embora transmita atualmente alguns torneios de futebol e tenha feito investimentos nesse setor, não é reconhecido pelo público e pelo mercado como um canal de TV com tradição em transmissões esportivas.

    Em se tratando de Copa do Mundo, o SBT transmitiu a edição de 1986 (México) em parceria com a TV Record. Em 1990 (Itália) e 1998 (França): A última transmissão da emissora antes do longo intervalo, focada na final.

    Estratégia questionável diante de outras prioridades

    Diante desse cenário, a decisão de investir pesado na Copa do Mundo 2026 pode ser vista como um movimento desalinhado com o DNA da emissora e o momento atual de grande crise audiência e identidade.

    O SBT construiu sua força ao longo dos anos com entretenimento, programas de auditório, realities e dramaturgia. Direcionar recursos para essas áreas poderia representar uma estratégia mais consistente e alinhada com a expectativa do público, que é fiel ao canal, quando tem suas expectativas atendidas.

    Vale a pena o risco?

    A aposta na Copa do Mundo de 2026 pode até trazer ganhos institucionais, algum prestígio e não dar prejuízo financeiro, mas dificilmente se traduzirá em audiência, algo que a emissora precisa muito nesse atual momento, ou retorno proporcional ao investimento em forma de lucro.

    Fica, portanto, a reflexão: vale a pena investir alto em um segmento que não faz parte da essência da emissora e onde a concorrência já está consolidada?

    O texto SBT aposta alto na Copa do Mundo 2026, mas decisão levanta dúvidas estratégicas foi publicado primeiro no Observatório da TV.

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