Último capÃtulo de Três Graças: final apressado, vilã carismática e audiência abaixo do esperado - (crédito: Obeservatório da TV)
A novela Três Graças chegou ao fim na noite desta sexta-feira (15) encerrando mais uma trama assinada por Agnaldo Silva na faixa das nove da Globo. E, como costuma acontecer em muitos finais de novela, o último capítulo apostou em um ritmo acelerado para resolver todos os conflitos de uma vez só com direito a casamento, sequestro, prisão de vilões, passagem de tempo e até um gancho que pode abrir espaço para uma continuação futuramente.
Embora tenha entregado ao público aquilo que tradicionalmente se espera de um desfecho de novela, Três Graças terminou de maneira previsível e excessivamente corrida, sacrificando parte da construção dramática em troca de um encerramento grandioso e emocional.
Final de novela segue fórmula clássica e cansativa
O maior problema do último capítulo de Três Graças foi justamente repetir uma estrutura já bastante conhecida pelo público. Em poucos minutos, a trama precisou concluir o arco dos protagonistas, punir os vilões e garantir o famoso final feliz.
A sequência envolvendo Gerluce e Paulinho resume bem essa correria narrativa. Durante o casamento, a neta da protagonista é sequestrada, Gerluce acaba em cativeiro e o mocinho surge como o tradicional herói salvador para resgatá-la. Tudo acontece rápido demais, sem tempo para aprofundamento emocional ou tensão real.
É uma dinâmica típica das novelas brasileiras, especialmente das produções das nove, mas que há tempos dá sinais de desgaste. Em vez de deixar os grandes desfechos para um único capítulo, talvez fosse mais eficiente distribuir essas conclusões ao longo da última semana, permitindo que o capítulo final fosse mais contemplativo e emocional.
Arminda rouba a cena e entrega o melhor momento do final
Se houve um grande destaque não só no encerramento de Três Graças, mas ao longo de toda a trama, esse mérito pertence à vilã Arminda. Interpretada com carisma e ironia por Grazi Massafera, a personagem protagonizou o momento mais criativo do capítulo final.
Após aparentar estar debilitada mentalmente, quase em estado vegetativo, Arminda revela que tudo não passava de fingimento. Em uma sequência que brinca com a quarta parede e até dialoga indiretamente com a própria direção da novela, a vilã engana todos e foge misteriosamente levando consigo a estátua das três graças.
O recurso funcionou justamente porque rompeu um pouco a previsibilidade do restante do capítulo. Enquanto todos os outros personagens receberam finais tradicionais e fechados, Arminda permaneceu em aberto uma estratégia inteligente de Agnaldo Silva para deixar uma possível continuação, spin-off ou derivação no horizonte.
A personagem se consolidou como uma das figuras mais marcantes da novela justamente por unir humor, sarcasmo e maldade na medida certa. Foi uma vilã popular, divertida e capaz de movimentar as redes sociais ao longo da trama.
Audiência de Três Graças ficou abaixo das expectativas
No quesito audiência, Três Graças teve desempenho apenas razoável para o padrão esperado da faixa das nove. No capítulo final não bateu recorde, mas manteve a média da última semana na faixa dos 27 pontos. Levando em conta toda a trajetória, a novela fechou com média geral de aproximadamente 22,6 pontos na Grande São Paulo, abaixo de Vale Tudo, sua antecessora, que registrou 23,5.
No ranking das novelas da década, a trama aparece entre as menores médias do horário, ficando atrás apenas de produções como Um Lugar ao Sol e Mania de Você. Ainda assim, os números precisam ser analisados com cautela.
O modelo atual de medição do Kantar Ibope Media já não consegue representar totalmente o consumo contemporâneo de televisão. Boa parte do público acompanha novelas pelo streaming, especialmente pelo Globoplay, algo que não entra na medição tradicional da TV aberta.
Esse novo comportamento do telespectador ajuda a explicar por que muitas novelas parecem ter repercussão intensa nas redes sociais e no streaming, mas apresentam índices inferiores aos registrados em décadas passadas.
O último capítulo marcou cerca de 27 pontos em São Paulo, com pico de 28, enquanto praças como Rio de Janeiro e Recife chegaram aos 29. Apesar do bom desempenho para os padrões atuais, o desfecho ficou abaixo da barreira simbólica dos 30 pontos que a Globo costuma esperar de um grande final de novela das nove atualmente.
Três Graças termina como uma boa novela mas longe de ser memorável
Mesmo com problemas de ritmo e audiência apenas mediana, Três Graças deixa uma trajetória positiva. A novela conseguiu criar personagens populares, teve boa repercussão nas redes sociais e apresentou um elenco que conquistou o público.
Tecnicamente, foi uma produção competente, com assinatura de Agnaldo Silva, Virgílio Silva e Zé DaSilva, a novela trouxe: humor, exagero, vilões caricatos, conflitos familiares e reviravoltas melodramáticas.
No entanto, faltou à novela aquele elemento realmente memorável capaz de transformá-la em um fenômeno histórico da dramaturgia da Globo. O final correto, previsível e acelerado reforçou essa sensação.
Ainda assim, Três Graças encerra sua trajetória como uma novela eficiente, popular e divertida e deixa no ar uma curiosidade inevitável: Arminda realmente voltará algum dia?
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