TV Connect USA recebe Elemar Júnior em entrevista sobre uso da inteligência artificial - (crédito: Observatório dos Famosos)
A inteligência artificial invadiu o cotidiano e o ambiente corporativo, trazendo consigo uma onda de inovações e, inevitavelmente, o medo da substituição. Foi exatamente para desmistificar esse cenário que a apresentadora Vivi Romanelli recebeu o especialista em tecnologia Elemar Júnior no programa Breaking Fast, da TV Connect USA. Em uma conversa reveladora, a pauta foi além do uso básico de chatbots e mergulhou no impacto da automação no mercado de trabalho.
Com mais de três décadas de experiência na digitalização de gigantes do mercado, Elemar Júnior foi categórico ao afastar o pânico geral sobre demissões em massa causadas por máquinas. Quando questionado se avatares ou robôs assumiriam de vez as funções humanas, ele tranquilizou o público: não é por aí.
Para o especialista, o termo correto para o momento atual deveria ser inteligência aumentada. A tecnologia não chega para anular o profissional, mas para habilitá-lo a produzir mais, melhor e com mais rapidez. A IA atua como uma aceleradora de processos, especialmente naquelas atividades operacionais que exigem muita leitura, síntese e pesquisa.
A ascensão da IA agêntica
O ponto alto da entrevista foi a definição do que vem a seguir no mercado: a IA agêntica. Elemar Júnior explicou que o uso atual, no qual fazemos perguntas a um sistema como se fosse um Google, está evoluindo rapidamente. Os agentes autônomos são sistemas capazes de conduzir trabalhos complexos com muito mais independência.
Esses agentes elaboram documentos, acompanham fluxos, transcrevem reuniões e organizam pesquisas. No entanto, a eficiência dessas ferramentas depende de um fator crucial. Contexto é o nome do jogo, cravou o especialista, orientando que os usuários devem fornecer exemplos de estilo, tom e diretrizes claras para que as respostas deixem de ser genéricas e passem a ter real utilidade profissional.
Esse avanço traz um efeito colateral curioso: a tendência humana de antropomorfizar as máquinas. Durante o bate-papo, Vivi Romanelli confessou tratar sua assistente virtual, Lume, com carinho e educação, quase como uma amiga. Elemar Júnior compartilhou que também interage via WhatsApp com sua própria assistente, Márc.IA, que possui foto e voz. Apesar da familiaridade que o trabalho remoto impõe, o alerta foi claro: a máquina não é humana e os limites dessa relação precisam estar bem definidos.
O framework 10-80-10 e as alucinações da IA
Se a tecnologia acelera a produção, ela também escala os riscos. A entrevista abordou o perigo de confiar cegamente nos resultados entregues pela máquina, lembrando o famoso caso de um escritório de advocacia que apresentou uma petição repleta de jurisprudências falsas criadas pela inteligência artificial. Segundo Elemar Júnior, o erro central não foi da ferramenta, mas do processo humano que falhou ao não revisar o material. Em tecnologia, essa invenção de dados plausíveis porém falsos é chamada de alucinação.
Quando um erro desse porte ocorre, a credibilidade profissional vai para o espaço. Para evitar desastres reputacionais e jurídicos, o especialista propôs uma regra de ouro para a governança corporativa: o modelo 10-80-10. O ser humano entra com os 10% iniciais, dando o comando e o contexto; a IA assume os 80% do trabalho pesado de pesquisa e redação; e, obrigatoriamente, o humano retorna para os 10% finais de validação, revisão e tomada de decisão.
Nesse cenário, a checagem de dados continua sendo indispensável. Não é porque uma informação foi gerada por uma IA que ela é necessariamente verdadeira, exigindo o cruzamento de múltiplas fontes.
Ética e o fator humano
Para quem busca se posicionar no futuro do trabalho, a resposta não está em competir com a capacidade de processamento dos computadores. Relembrando os princípios do filósofo Kant, o convidado ressaltou que as máquinas não têm capacidade de tomar decisões éticas. Treinadas por meio de exemplos e estatísticas, elas não possuem discernimento sobre o que é certo, justo ou moral.
A máxima deixada na entrevista resume o desafio das empresas modernas: 0% de uso de IA é fatal para a competitividade, mas 100% de delegação à IA também é fatal pela falta de controle. A saída para o medo não é a fuga, mas a familiarização responsável com a tecnologia. No fim das contas, para continuar relevante, o profissional não precisa tentar ser uma máquina melhor, mas sim gente melhor, fortalecendo a empatia, o senso de responsabilidade e a ética.
Veja um trecho da entrevista aqui.
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