Tiago Leifert como narrador da Copa 2026 no SBT: competente, moderno e cada vez mais confortável no microfone - (crédito: Obeservatório da TV)
A Copa do Mundo de 2026 representa um marco importante na carreira de Tiago Leifert. Conhecido nacionalmente como apresentador, editor e comunicador, ele assumiu no SBT uma responsabilidade que muitos consideravam improvável alguns anos atrás: narrar partidas de uma Copa do Mundo em televisão aberta. E, até aqui, o saldo é mais positivo do que negativo.
A aposta do SBT em Leifert não foi por acaso. A emissora já havia definido que ele seria responsável pela maior parte dos jogos transmitidos pelo canal, enquanto Galvão Bueno ficaria concentrado nos jogos da Seleção Brasileira e nos confrontos de maior apelo. Dos 32 jogos adquiridos pela emissora, Leifert foi escalado para narrar 22 partidas, tornando-se a principal voz da cobertura diária do canal.
O desafio era enorme. Afinal, uma Copa do Mundo costuma eternizar narradores, mas também expõe suas fragilidades.
Uma narração mais próxima do streaming
O principal mérito de Tiago Leifert é não tentar ser outra pessoa.
Ao contrário de muitos narradores que buscam reproduzir o estilo clássico de Galvão Bueno, Luciano do Valle ou Cléber Machado, Leifert aposta em uma linguagem mais informal, próxima da cultura digital e das transmissões por streaming.
Sua narração conversa com um público acostumado ao YouTube, à Twitch e às transmissões da CazéTV. Há menos formalidade, mais espontaneidade e um tom de conversa entre amigos. Em vez de transformar cada lance em um acontecimento épico, ele prefere contextualizar o jogo e compartilhar observações de forma mais natural.
Essa característica agrada especialmente ao público mais jovem, que já acompanhava seu trabalho desde os tempos do Globo Esporte e da Central da Copa. Sua experiência em formatos descontraídos acaba aparecendo naturalmente na transmissão.
O ponto forte: leitura de jogo
Talvez a maior surpresa seja sua evolução técnica.
Quando começou a narrar partidas regularmente, muitos críticos apontavam limitações no ritmo e na emoção. Hoje, porém, Leifert demonstra uma leitura de jogo bastante eficiente. Ele sabe identificar momentos importantes, respeita os silêncios quando necessário e evita exageros narrativos.
Seu estilo lembra mais os narradores norte-americanos de esportes do que o modelo tradicional brasileiro. Há menos gritos e mais análise.
Isso não significa falta de emoção. Pelo contrário. Quando o jogo pede intensidade, ela aparece. A diferença é que ela surge de maneira mais controlada e menos teatral.
O principal problema: a comparação com Galvão
Existe, porém, um obstáculo que talvez seja impossível superar.
O SBT colocou lado a lado duas gerações completamente diferentes de narradores. De um lado, Galvão Bueno, uma das vozes mais emblemáticas da história da televisão brasileira. Do outro, Tiago Leifert, representante de uma nova forma de consumir esporte.
A comparação é inevitável e, em muitos casos, injusta.
Enquanto Galvão transforma um jogo em evento, Leifert transforma o evento em conversa. São propostas distintas.
Nas redes sociais, parte do público elogia a leveza e a modernidade da narração de Leifert, enquanto outra parcela sente falta da grandiosidade emocional que marcou as transmissões de Copa durante décadas. Essa divisão acompanha sua carreira desde que passou a atuar como narrador esportivo.
A repercussão do público
A reação dos espectadores durante a Copa tem seguido exatamente essa lógica.
Os elogios destacam a naturalidade, a linguagem contemporânea e a capacidade de dialogar com um público que não necessariamente cresceu ouvindo narradores tradicionais. Já as críticas costumam apontar uma suposta falta de emoção em momentos decisivos.
Mas há um detalhe importante: boa parte dessas críticas parte da expectativa de que ele deveria narrar como Galvão Bueno.
E talvez o maior acerto de Tiago Leifert seja justamente não tentar fazer isso.
Veredito
Tiago Leifert ainda não é um narrador histórico de Copa do Mundo. Seria precipitado afirmar isso após apenas uma edição do torneio.
Mas ele já provou algo importante: tem personalidade própria, competência técnica e uma identidade clara diante do microfone.
Em uma televisão que busca renovar suas vozes esportivas, Leifert representa uma alternativa legítima ao modelo tradicional. Sua narração pode não agradar a todos, mas dificilmente passa despercebida.
Se Galvão Bueno representa a memória afetiva das Copas do passado, Tiago Leifert parece representar o caminho das transmissões esportivas do futuro.
O texto Tiago Leifert como narrador da Copa 2026 no SBT: competente, moderno e cada vez mais confortável no microfone foi publicado primeiro no Observatório da TV.
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