Julgamento de Adriana transforma Quem Ama Cuida em um poderoso drama de tribunal - (crédito: Obeservatório da TV)
Os capítulos de Quem Ama Cuida exibidos nos últimos dias marcaram mais um dos grandes momentos da novela das nove da Globo. O julgamento de Adriana (Letícia Colin), acusada pela morte de Arthur Brandão (Antonio Fagundes), reuniu todos os ingredientes clássicos do melodrama: injustiça, manipulação, reviravoltas, discursos emocionantes e personagens divididos entre a verdade e seus próprios interesses.
Mais do que uma simples sequência processual, o tribunal se transformou em um palco para expor as verdadeiras faces dos personagens. E foi justamente aí que a novela encontrou sua maior força.
Letícia Colin sustenta a trama com uma atuação madura
Se havia alguma dúvida sobre quem carregaria o núcleo principal da novela após a morte de Arthur Brandão, os capítulos do julgamento responderam de forma definitiva: Letícia Colin.
A atriz construiu uma Adriana fragilizada pela acusação, mas sem abrir mão da dignidade. Em diversas cenas, especialmente durante os depoimentos e na reta final da condenação, Colin evitou exageros e apostou em uma interpretação contida, baseada em olhares, pausas e reações emocionais. O resultado foi uma protagonista que desperta empatia mesmo quando o roteiro a coloca em situações extremas.
Nas redes sociais, muitos espectadores destacaram justamente essa capacidade da atriz de transmitir sofrimento sem cair na caricatura, algo cada vez mais raro em novelas que frequentemente confundem intensidade com histeria.
O grande vilão do julgamento não foi Pilar
Curiosamente, a personagem que mais chamou atenção não foi Pilar (Isabel Teixeira), principal antagonista da trama, mas sim Ademir (Dan Stulbach).
A estratégia do advogado de transformar o próprio filho, Pedro (Chay Suede), em testemunha de acusação para impedir que ele defendesse Adriana foi um dos momentos mais comentados pelo público. A atitude reforçou a imagem de um homem disposto a ultrapassar qualquer limite para vencer.
Dan Stulbach encontrou o tom exato para o personagem: frio, calculista e elegante. Ademir não precisa gritar para assustar. Sua perversidade surge justamente da racionalidade com que destrói adversários e até familiares.
Foi uma escolha narrativa inteligente porque deslocou momentaneamente o foco da tradicional vilã da novela para um antagonista mais sofisticado e imprevisível.
O tribunal virou um desfile de máscaras
Outro mérito dos capítulos foi utilizar o julgamento para desmontar a imagem de vários personagens.
Pilar aproveitou o tribunal para posar como irmã exemplar enquanto atacava Adriana. Diná (Rosi Campos) revelou ressentimentos acumulados. Ulisses (Alexandre Borges) reescreveu a própria história diante do júri. Já Tom (Allan Souza Lima), apresentado como testemunha-surpresa, reforçou a narrativa de que Adriana teria interesse apenas na fortuna de Arthur.
A sensação transmitida ao público era clara: Adriana estava sendo julgada não apenas por um crime, mas também por preconceitos, interesses financeiros e disputas familiares.
Esse aspecto tornou a sequência mais interessante do que muitos julgamentos vistos recentemente em novelas brasileiras, porque o foco deixou de ser apenas quem matou? para se tornar quem está manipulando a verdade?.
Chay Suede entregou o melhor momento de Pedro
Se em capítulos anteriores Pedro parecia excessivamente passivo, durante o julgamento o personagem finalmente ganhou relevância.
Seu depoimento em defesa de Adriana, ressaltando a honestidade e a trajetória da fisioterapeuta, funcionou tanto como argumento jurídico quanto como declaração amorosa. A cena ajudou a fortalecer o casal perante o público e deu mais profundidade ao romance central da trama.
Chay Suede encontrou um equilíbrio interessante entre emoção e sobriedade, evitando transformar o discurso em um mero espetáculo sentimental.
O excesso novelesco continua existindo
Nem tudo, porém, funcionou perfeitamente.
Em alguns momentos, o julgamento pareceu mais um programa de auditório do que um tribunal. Certos depoimentos foram exageradamente teatrais, e a quantidade de testemunhas convenientes exigiu do público uma boa dose de suspensão da descrença.
Além disso, a condenação de Adriana a doze anos de prisão, apesar de dramaticamente eficiente, reforça uma tendência da novela de acelerar acontecimentos para produzir impacto imediato.
É emocionante? Sim.
É totalmente verossímil? Nem sempre.
Mas talvez esse seja justamente o pacto que Quem Ama Cuida propõe ao telespectador: trocar o realismo jurídico pela intensidade emocional.
Veredito
Os capítulos do julgamento de Adriana representam, até agora, um dos pontos mais alto de Quem Ama Cuida. A combinação entre um texto ágil, atuações inspiradas e uma direção que soube explorar a tensão do ambiente transformou a sequência em um verdadeiro evento dentro da novela.
Mesmo com alguns exageros típicos do gênero, o tribunal conseguiu movimentar praticamente todos os núcleos da trama, fortalecer personagens importantes e criar novas perguntas para os próximos capítulos.
Se o objetivo era fazer o público discutir a novela nas redes sociais e aguardar ansiosamente os desdobramentos da condenação de Adriana, a missão foi cumprida com sucesso. Afinal, os melhores julgamentos da ficção não são aqueles que apresentam respostas, mas os que deixam a sensação de que a verdade ainda está longe de aparecer.
O texto Julgamento de Adriana transforma Quem Ama Cuida em um poderoso drama de tribunal foi publicado primeiro no Observatório da TV.
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