Duda Santos alcança o auge em A Nobreza do Amor e confirma evolução impressionante como protagonista da Globo - (crédito: Obeservatório da TV)
Poucas atrizes da nova geração chegaram ao posto de protagonista da TV Globo com uma curva de evolução tão consistente quanto Duda Santos. Depois de conquistar espaço em produções como Malhação, chamar atenção em Travessia, emocionar o público em Renascer e assumir o protagonismo de Garota do Momento, a atriz dá um passo ainda mais ambicioso em A Nobreza do Amor. No papel duplo de Alika e Lúcia, ela enfrenta aquele que provavelmente é o maior desafio artístico de sua carreira até aqui e responde com uma atuação madura, segura e tecnicamente refinada.
Mais do que interpretar duas identidades, Duda constrói uma personagem dividida entre mundos, culturas, responsabilidades políticas e conflitos emocionais. É um papel que exige domínio corporal, mudanças sutis de comportamento, diferentes registros vocais e uma enorme capacidade de transmitir sentimentos sem recorrer ao excesso dramático. O resultado é uma protagonista que cresce capítulo após capítulo.
A crítica especializada rapidamente identificou esse amadurecimento. Entre os elogios, destacou-se a construção minuciosa da personagem, a naturalidade com que a atriz diferencia a altiva princesa africana da jovem refugiada que precisa sobreviver no Brasil e a coragem de sustentar uma protagonista firme e orgulhosa sem transformá-la em alguém antipática.
Alika e Lúcia são duas mulheres, não apenas dois nomes
Um dos maiores méritos da atuação está justamente na diferença entre Alika e Lúcia. Seria fácil recorrer apenas à troca de figurino ou de contexto para sugerir duas versões da mesma personagem. Duda vai além.
Como Alika, a postura corporal é ereta, o olhar permanece elevado, os movimentos são calculados e cada palavra transmite autoridade. Existe uma elegância quase aristocrática que nunca soa artificial.
Já como Lúcia, a atriz reduz esse distanciamento. A personagem continua forte, mas revela vulnerabilidades que antes estavam escondidas atrás do protocolo da realeza. O sorriso aparece com mais frequência, o olhar se torna mais acolhedor e o corpo ganha espontaneidade.
São detalhes discretos, porém fundamentais. É justamente essa economia de recursos que diferencia interpretações maduras das atuações excessivamente demonstrativas.
Um papel delicado diante da realidade brasileira
Outro aspecto que merece destaque é a maneira como Duda conduz as cenas que abordam racismo, preconceito e xenofobia.
A Nobreza do Amor coloca esses temas no centro da narrativa sem abandonar sua estrutura clássica de novela das seis. Para que isso funcionasse, a protagonista precisava transmitir dignidade sem cair na vitimização. Duda encontra esse equilíbrio.
Em diversos momentos, Alika reage às agressões preservando sua autoestima e sua condição de princesa. Essa escolha narrativa poderia gerar resistência em parte do público, acostumado a protagonistas excessivamente submissas. Em vez disso, a atriz sustenta sua firmeza com naturalidade, tornando compreensível cada reação da personagem. Essa construção foi amplamente destacada por críticos especializados como um dos principais acertos da novela.
Química com Ronald Sotto fortalece o romance
Grande parte do sucesso de uma novela romântica depende da credibilidade do casal principal. Nesse aspecto, a parceria entre Duda Santos e Ronald Sotto funciona muito bem.
As cenas entre Alika/Lúcia e Tonho têm leveza, cumplicidade e um crescimento gradual que evita soluções apressadas. Existe uma troca de olhares convincente e uma comunicação silenciosa que reforça a construção do romance.
Essa química também ajuda a potencializar os conflitos envolvendo Mirinho, Omar e os demais personagens, tornando o triângulo amoroso emocionalmente mais interessante.
A evolução em relação aos trabalhos anteriores
Comparando sua trajetória, fica evidente como Duda Santos vem ampliando seu repertório.
Em Malhação: Toda Forma de Amar, demonstrava carisma, mas ainda buscava maior domínio técnico. Em Travessia, ganhou mais segurança diante das câmeras e passou a explorar registros emocionais mais complexos. A breve participação como Maria Santa em Renascer foi suficiente para emocionar o público e revelar uma atriz capaz de criar impacto mesmo com pouco tempo em cena.
Já em Garota do Momento, sustentou sua primeira protagonista de longa duração com competência, embora ainda existissem momentos em que determinadas explosões emocionais seguissem um mesmo padrão interpretativo.
Em A Nobreza do Amor, percebe-se um salto qualitativo. As pausas são melhores utilizadas. Os silêncios ganharam significado. A expressão corporal tornou-se mais sofisticada. A voz passou a acompanhar as transformações emocionais da personagem.
São elementos que normalmente aparecem quando um ator começa a confiar menos no texto e mais na própria interpretação.
A repercussão do público confirma o crescimento
Nas redes sociais, Duda Santos tem recebido elogios frequentes pela força de Alika, pela representatividade da personagem e pela maneira como diferencia a princesa da jovem refugiada.
Boa parte do público destaca justamente aquilo que também chama atenção da crítica: a naturalidade da composição e o fato de Alika permanecer uma protagonista forte sem perder sua humanidade.
Mesmo espectadores que inicialmente estranharam a postura rígida da personagem passaram a compreender melhor sua construção conforme a narrativa avançou, indicando que a atuação conseguiu acompanhar a evolução dramática da novela.
Veredito
Duda Santos entrega em A Nobreza do Amor o trabalho mais completo de sua carreira até o momento. A atriz demonstra crescimento técnico evidente, amplia seu repertório dramático e confirma que está preparada para protagonizar produções cada vez mais complexas dentro da televisão brasileira.
Ainda há espaço para evoluir em alguns momentos de maior intensidade emocional, nos quais eventualmente recorre a recursos já vistos em trabalhos anteriores. Porém, essas pequenas limitações são facilmente superadas pela consistência geral da interpretação.
Alika e Lúcia exigem nuances, sofisticação e presença cênica permanente. Duda responde ao desafio com maturidade rara para uma atriz tão jovem.
Se Garota do Momento a transformou em protagonista, A Nobreza do Amor a consolida como uma das principais intérpretes da nova geração da dramaturgia brasileira.
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