PatrÃcia Poeta completa quatro anos no Encontro: entre comparações inevitáveis, turbulências e a busca por uma identidade própria - (crédito: Obeservatório da TV)
Nesta segunda-feira-feira, 6 de julho de 2026, Patrícia Poeta celebrou quatro anos à frente do Encontro, um dos programas mais importantes da programação matinal da Globo. O período representa uma trajetória marcada por altos e baixos, mudanças estruturais, crises de imagem, reformulações editoriais e um constante esforço para consolidar uma identidade própria em uma atração que permaneceu durante uma década profundamente associada à imagem de Fátima Bernardes.
Poucas substituições na televisão brasileira carregaram tamanho peso simbólico. Afinal, Patrícia não assumia apenas um programa de sucesso. Ela herdava um formato consolidado, uma audiência fiel e, principalmente, uma apresentadora que havia criado praticamente um gênero próprio dentro da televisão aberta: um híbrido entre jornalismo, entretenimento, comportamento e prestação de serviço.
Desde o primeiro dia, a comparação tornou-se inevitável.
Um começo muito mais difícil do que a Globo imaginava
A própria Globo tratou a transição como uma simples passagem de bastão. Fátima Bernardes despediu-se do público e apresentou oficialmente Patrícia Poeta e Manoel Soares como seus sucessores, transmitindo a ideia de continuidade.
Na prática, porém, o cenário mostrou-se muito mais complexo.
Embora Patrícia chegasse credenciada por uma carreira sólida no jornalismo, com passagens pelo Jornal Nacional, Fantástico e É de Casa, seu perfil profissional era bastante diferente daquele construído por Fátima ao longo de dez anos no comando do Encontro.
A naturalidade nas conversas, a espontaneidade com os convidados e o tom acolhedor que caracterizavam a antiga apresentadora ainda não faziam parte do repertório televisivo de Patrícia. O resultado foi uma adaptação que precisou acontecer diante das câmeras e sob intenso escrutínio das redes sociais.
A relação com Manoel Soares virou protagonista
Se havia um elemento capaz de acelerar as críticas naquele primeiro ano, ele atendia pelo nome de Manoel Soares.
Logo nas primeiras semanas, telespectadores passaram a apontar uma evidente falta de sintonia entre os dois apresentadores. Pequenos momentos de interrupções, diferenças no tempo de fala e situações interpretadas como constrangedoras ganharam enorme repercussão nas redes sociais e alimentaram uma narrativa de desgaste interno.
Mesmo sem confirmações oficiais durante muito tempo, a percepção pública passou a ser de que havia uma disputa por protagonismo.
Quando Manoel deixou a Globo em 2023, o episódio acabou encerrando uma fase particularmente delicada do programa. A partir dali, Patrícia passou a conduzir o Encontro praticamente como apresentadora única, cercada por colaboradores fixos, formato que se mostrou mais funcional para sua maneira de conduzir a atração.
A sombra de Fátima Bernardes nunca desapareceu
Talvez o maior desafio enfrentado por Patrícia Poeta nesses quatro anos jamais tenha sido Manoel Soares. Foi Fátima Bernardes.
Toda substituição em televisão gera comparações, mas poucas permaneceram por tanto tempo quanto essa.
Fátima criou uma relação afetiva muito forte com o público. Durante dez anos, moldou o DNA do programa, estabeleceu sua linguagem e construiu uma comunidade fiel de espectadores.
Patrícia herdou exatamente esse público. O problema é que ninguém consegue substituir dez anos de memória afetiva apenas repetindo um formato.
Durante muito tempo, a apresentadora pareceu presa entre dois caminhos: preservar o estilo criado por Fátima ou imprimir sua própria personalidade.
Essa indecisão ficou evidente em diversos momentos dos primeiros anos.
A audiência mostrou estabilidade, mas não protagonismo
Outro fator frequentemente utilizado para avaliar o desempenho de Patrícia Poeta foi a audiência.
É verdade que o Encontro deixou de apresentar os números alcançados em alguns dos melhores momentos da fase Fátima Bernardes. Também é verdade que o consumo da televisão aberta mudou profundamente nos últimos quatro anos, impactando praticamente toda a programação matinal.
Nesse contexto, talvez a principal vitória da apresentadora tenha sido evitar uma deterioração ainda maior dos índices.
O programa permaneceu competitivo dentro da realidade atual da TV aberta, continuou liderando seu horário na maior parte do país e manteve relevância comercial para a Globo, ainda que sem repetir os tempos em que era considerado uma das maiores vitrines das manhãs da emissora.
Mais do que buscar recordes, o desafio passou a ser preservar estabilidade. E isso foi alcançado.
A troca de direção ajudou na reconstrução
Outro momento importante dessa trajetória ocorreu nos bastidores. Ainda antes da estreia da nova fase, a Globo promoveu mudanças na direção do programa justamente para marcar uma ruptura em relação ao ciclo anterior. O objetivo era reposicionar o Encontro e adaptá-lo ao perfil da nova apresentadora.
As alterações foram acontecendo gradualmente. O ritmo do programa tornou-se mais ágil, a linguagem passou a privilegiar pautas de atualidade, prestação de serviço e entretenimento leve, enquanto os debates mais longos deram espaço a quadros de variedades, música e jornalismo factual.
A transformação não aconteceu de uma vez. Foi construída aos poucos.
Patrícia encontrou um caminho próprio
Se o primeiro ano foi marcado pela tentativa de reproduzir uma fórmula que não lhe pertencia, os anos seguintes mostraram uma apresentadora mais segura.
Hoje, Patrícia Poeta parece compreender melhor quais características funcionam dentro do seu estilo.
Sua experiência no jornalismo aparece com mais naturalidade em coberturas especiais, entrevistas e momentos informativos, enquanto o entretenimento passou a surgir de forma menos forçada.
Ainda existem críticas. Parte do público considera sua condução excessivamente informal em determinadas situações. Outros apontam falta de espontaneidade em momentos emocionais.
Mas também é inegável que houve evolução. A Patrícia de 2026 apresenta um domínio muito maior do formato do que aquela que estreou em julho de 2022.
Quatro anos depois, o Encontro ainda está em transformação
Talvez a maior conclusão desses quatro anos seja justamente esta: Patrícia Poeta não conseguiu transformar completamente o Encontro em o programa da Patrícia, como Fátima fez ao longo de uma década. Mas também deixou de ser apenas a substituta da Fátima.
Existe uma diferença importante entre essas duas condições. A jornalista enfrentou uma das transições mais difíceis da televisão brasileira recente, suportou críticas diárias, viu sua relação com Manoel Soares dominar o noticiário de entretenimento, conviveu com comparações inevitáveis e precisou reconstruir um programa diante do público.
Nem todas as escolhas deram certo. Nem todas as mudanças agradaram. Ainda assim, quatro anos depois, o saldo parece mais positivo do que negativo.
O Encontro permanece relevante, comercialmente sólido e continua sendo uma das principais vitrines da programação matinal da Globo.
Talvez Patrícia Poeta nunca consiga apagar completamente a memória afetiva deixada por Fátima Bernardes e nem precise. O desafio, agora superada a fase mais turbulenta, é outro: consolidar definitivamente um legado próprio. Afinal, quatro anos já são tempo suficiente para deixar de ser herdeira e passar a ser, de fato, dona da própria história.
O texto Patrícia Poeta completa quatro anos no Encontro: entre comparações inevitáveis, turbulências e a busca por uma identidade própria foi publicado primeiro no Observatório da TV.
Veja também:
Eliminação precoce do Brasil na Copa do Mundo 2026 muda planos da TV e do streaming e provoca efeito dominó no mercado
Quem Ama Cuida entra na segunda fase: veja tudo o que muda na novela e o que esperar dos próximos capítulos
Isabelle Drummond brilha como Naiane em Coração Acelerado e comprova maturidade artística em sua volta às novelas
Gostou da matéria? Escolha como acompanhar as principais notÃcias do Correio:
Dê a sua opinião! O Correio tem um espaço na edição impressa para publicar a opinião dos leitores. Clique aqui e saiba mais.