Fofocalizando completa 10 anos: como um programa criado por Silvio Santos sobreviveu às crises e se tornou uma das marcas mais resistentes do SBT - (crédito: Obeservatório da TV)
Poucos programas da televisão brasileira passaram por tantas transformações quanto o Fofocalizando. Criado por uma ideia de Silvio Santos, o programa estreou em 1º de agosto de 2016 inicialmente com o nome Fofocando como uma aposta ousada para ocupar as tardes do SBT com notícias sobre celebridades, bastidores da televisão e entretenimento. Dez anos depois, a atração permanece no ar, atravessando diferentes gestões da emissora, mudanças profundas de formato e até a ausência de seu criador, consolidando-se como um dos programas mais longevos do gênero na TV aberta brasileira.
Mais do que sobreviver, o programa se tornou um interessante retrato da capacidade e também das dificuldades do SBT em reinventar seus produtos.
Uma ideia genuinamente de Silvio Santos
O nascimento do programa carregava uma característica típica de Silvio Santos: apostar em formatos simples, baratos e altamente populares.
O objetivo era oferecer uma alternativa nacional aos programas de celebridades que dominavam outros canais, mas com a linguagem espontânea que sempre marcou o SBT.
Na formação inicial estavam Leão Lobo, Mamma Bruschetta e o então misterioso Homem do Saco, personagem criado pelo próprio Silvio para comentar notícias sem revelar sua identidade. Pouco depois chegaram Mara Maravilha e Leo Dias, enquanto Gabriel Cartolano ganhava espaço e se tornaria o único integrante presente desde a estreia até os dias atuais.
Desde o início, Silvio interferia diretamente na dinâmica do programa, alterando quadros, apresentadores, cenário e até mesmo o tom das discussões praticamente em tempo real.
Essa imprevisibilidade acabou se tornando parte da identidade do Fofocalizando.
Mudanças constantes que viraram marca registrada
Talvez nenhum outro programa do SBT tenha mudado tanto ao longo da última década.
Vieram alterações de nome, mudanças de horário, reformulações editoriais e uma verdadeira dança das cadeiras entre apresentadores.
Passaram pela bancada nomes como:
- Leão Lobo
- Mamma Bruschetta
- Mara Maravilha
- Lívia Andrade
- Chris Flores
- Flor Fernandez
- Leo Dias
- Ana Paula Renault
- Matheus Baldi
- Cariúcha
- Gabriel Cartolano
- Gabriela Cabrini
- Carol Lekker
- Thayse Teixeira
Cada fase refletia também um momento diferente do SBT.
Houve períodos em que a emissora buscou um jornalismo de celebridades mais informativo; em outros, privilegiou debates acalorados e opiniões fortes; e também momentos em que o humor ganhou protagonismo.
Nem todas as mudanças deram certo.
Algumas acabaram confundindo o público e provocando perda de identidade. Outras, porém, renovaram completamente a atração.
O auge impulsionado por Leo Dias
É difícil falar da história do Fofocalizando sem destacar a importância de Leo Dias.
Embora o programa já tivesse conquistado espaço antes de sua consolidação como protagonista, foi durante suas fases de maior protagonismo que o formato viveu seus melhores momentos editoriais.
O colunista trouxe furos jornalísticos, entrevistas exclusivas, bastidores inéditos e informações que frequentemente repercutiam em toda a imprensa.
Na prática, o programa passou a deixar de apenas comentar notícias para produzi-las.
Essa mudança elevou o prestígio da atração e fez com que diversos artistas escolhessem o Fofocalizando para responder crises ou lançar novidades.
Foi também nesse período que o programa frequentemente alcançou índices competitivos de audiência para o horário vespertino do SBT, brigando pela vice-liderança em diversas ocasiões.
Audiência: uma década de altos e baixos
Como praticamente toda a programação vespertina da televisão aberta, o Fofocalizando sofreu com as mudanças de hábito do público e com o crescimento das redes sociais.
A internet acelerou a circulação das notícias de entretenimento e reduziu a exclusividade que programas televisivos possuíam anos atrás.
Mesmo assim, o programa conseguiu manter relativa estabilidade.
Houve momentos de forte crescimento, especialmente em períodos de grande repercussão envolvendo celebridades ou reality shows, mas também fases de desgaste, que levaram o SBT a testar diferentes horários e reformulações para recuperar público.
Ainda assim, considerando sua permanência de uma década na grade diária, trata-se de um desempenho bastante consistente para um formato que muitos julgavam ter prazo de validade curto.
O grande mérito: sobreviver sem perder sua essência
Na minha avaliação, o maior mérito do Fofocalizando não está necessariamente em liderar audiência ou produzir grandes furos exclusivos.
Seu verdadeiro feito foi sobreviver.
Em dez anos, a televisão mudou completamente.
Streaming, TikTok, Instagram, YouTube e inúmeros perfis especializados passaram a disputar a atenção do mesmo público interessado em celebridades.
Mesmo diante dessa concorrência, o programa conseguiu preservar um espaço relevante.
Isso acontece porque a televisão ainda oferece algo que as redes sociais dificilmente reproduzem: debate ao vivo, opinião coletiva, repercussão imediata e uma sensação de companhia durante as tardes.
Quando encontra equilíbrio entre informação, bastidores e entretenimento, o Fofocalizando continua funcionando muito bem.
Os desafios da próxima década
O futuro do programa dependerá menos da troca de apresentadores e mais de sua capacidade de acompanhar o consumo digital.
A integração com redes sociais, conteúdos exclusivos, entrevistas ao vivo e reportagens próprias tende a ser cada vez mais importante.
Também será essencial evitar o excesso de opiniões vazias que muitas vezes dominam programas de celebridades e investir em jornalismo de entretenimento com apuração consistente.
O atual momento demonstra que a direção parece compreender esse desafio ao apostar em novos quadros, reformulações visuais e uma equipe renovada para marcar os dez anos da atração.
Veredicto
O Fofocalizando jamais foi um programa perfeito.
Em alguns momentos exagerou nas polêmicas, em outros perdeu foco editorial e também sofreu com mudanças excessivas que confundiram seu público.
Ainda assim, poucos formatos conseguem atravessar dez anos de televisão aberta permanecendo relevantes.
A criação de Silvio Santos mostrou uma característica que sempre marcou seus maiores sucessos: simplicidade, capacidade de adaptação e identificação popular.
Se conseguir manter esse espírito enquanto dialoga com uma audiência cada vez mais conectada, o Fofocalizando tem todas as condições de continuar sendo uma das principais vitrines do jornalismo de entretenimento do SBT também na próxima década.
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