Quem Sabe, Sobe estreia com potencial, mas precisa provar que não é só mais um game show no Domingo Legal - (crédito: Obeservatório da TV)
O SBT escolheu o mês de comemoração de seus 45 anos para lançar mais uma aposta em sua principal vitrine de entretenimento dominical. Neste domingo (2), o Domingo Legal estreou o quadro Quem Sabe, Sobe, adaptação brasileira do formato internacional Switch, apresentado por Celso Portiolli.
A proposta é simples: transformar perguntas de conhecimento geral em uma disputa dinâmica, misturando estratégia, rapidez de raciocínio e carisma dos participantes. A emissora aposta que o novo game pode se tornar um dos pilares do programa nas próximas temporadas.
A estreia mostrou que existe potencial. Mas também evidenciou que o formato ainda precisa amadurecer para alcançar o nível dos grandes sucessos históricos do próprio Domingo Legal.
Um formato que conversa com o DNA do SBT
Se existe algo que o SBT sempre soube fazer bem são programas de auditório baseados em competições leves, participação do público e entretenimento familiar. Silvio Santos construiu esse legado ao longo de décadas, e Celso Portiolli se tornou um dos maiores herdeiros dessa linguagem. Não por acaso, Quem Sabe, Sobe parece um produto que encaixa naturalmente na identidade do apresentador.
Portiolli conduz o jogo com enorme segurança. Seu ritmo é ágil, evita excessos e consegue explicar regras relativamente complexas sem deixar o telespectador perdido. Sua experiência faz diferença justamente porque o formato exige rapidez e improviso. Mais uma vez, o apresentador demonstra por que se consolidou como um dos comunicadores mais consistentes da televisão brasileira.
O jogo funciona mas ainda pode emocionar mais
O grande mérito do novo quadro está na mecânica. Ao contrário de muitos games tradicionais, em que apenas acertar respostas basta, Quem Sabe, Sobe exige também estratégia. Essa característica mantém a disputa viva praticamente até os momentos finais, criando uma tensão interessante.
Entretanto, na estreia, faltou um pouco mais de emoção. Em alguns momentos, a dinâmica ficou excessivamente técnica. O público ainda está aprendendo as regras, e isso naturalmente reduz o envolvimento emocional.
Esse é um problema comum em estreias de formatos internacionais. Com o passar das semanas, conforme a audiência compreender melhor a mecânica do jogo, a tendência é que o engajamento aumente.
Produção eficiente e ritmo acertado
Tecnicamente, a produção merece elogios. O cenário moderno conversa com a proposta do game, os recursos gráficos ajudam a acompanhar a evolução da disputa e a edição mantém um ritmo bastante acelerado.
Não há sensação de enrolação. Cada rodada acontece rapidamente, algo fundamental na televisão atual, onde a atenção do público é disputada também pelas redes sociais. Nesse aspecto, o SBT acertou ao evitar excesso de explicações e apostar numa linguagem visual bastante clara.
Os famosos ajudam, mas não são o principal atrativo
Na estreia, participaram Pepita, Nizam Hayek, Patrick Congo, Rosiane Pinheiro e Ingrid Vasconcelos, nomes conhecidos do entretenimento e das redes sociais. O elenco cumpriu bem sua função de tornar o programa mais leve e descontraído.
Mas a impressão é de que o verdadeiro protagonista precisa ser o próprio jogo. Se o formato continuar interessante, pouco importará quem esteja competindo. Esse talvez seja justamente o maior trunfo do projeto: depender mais da mecânica do que do elenco convidado.
Audiência dá sinais animadores
Embora ainda seja cedo para qualquer conclusão definitiva, os primeiros números divulgados pelo próprio SBT indicam um desempenho competitivo. Durante a exibição do quadro, o Domingo Legal chegou a assumir a liderança por alguns minutos na Grande São Paulo, registrando vantagem momentânea sobre a Globo em determinados horários.
É importante ponderar que lideranças pontuais não significam, necessariamente, vitória na média geral do programa. Ainda assim, esses picos demonstram que a novidade despertou curiosidade e conseguiu aumentar a competitividade do horário, um dos principais objetivos da emissora.
Mais importante do que os números da estreia será observar o comportamento da audiência nas próximas semanas. É a manutenção e não apenas o impacto inicial que determinará o sucesso do quadro.
A crítica especializada e a reação do público
Como costuma acontecer em lançamentos de novos formatos, a recepção inicial foi predominantemente positiva. Grande parte dos comentários nas redes sociais elogiou o ritmo acelerado da competição, a condução segura de Celso Portiolli e o fato de o programa trazer uma proposta diferente dos tradicionais games de perguntas e respostas.
Também houve observações apontando que algumas regras poderiam ser explicadas de maneira ainda mais simples e que o quadro deverá ganhar força conforme o público se familiarizar com sua dinâmica. São críticas naturais para qualquer estreia e que tendem a ser ajustadas ao longo das próximas edições.
Vale a aposta?
Na minha avaliação, sim. Quem Sabe, Sobe não revolucionou a televisão brasileira. Também não precisava. Sua missão é fortalecer um programa que há anos figura entre os produtos mais sólidos da programação dominical do SBT. E, nesse aspecto, a estreia foi bastante eficiente.
O quadro apresenta boa dinâmica, produção competente, ritmo moderno e um apresentador completamente à vontade. Ainda falta criar momentos realmente memoráveis e aumentar a carga emocional da competição, mas isso normalmente acontece com o tempo.
Se o SBT mantiver investimentos no formato e promover pequenos ajustes de ritmo e dramaturgia, há boas chances de Quem Sabe, Sobe transformar-se em mais um quadro duradouro dentro da história do Domingo Legal.
Não é uma revolução. Mas é exatamente o tipo de novidade que o programa precisava para continuar competitivo, atual e relevante na televisão aberta brasileira.
O texto Quem Sabe, Sobe estreia com potencial, mas precisa provar que não é só mais um game show no Domingo Legal foi publicado primeiro no Observatório da TV.
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