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    postado em 04/08/2026 16:31

    A estreia do SBT Cidades, na última segunda-feira (03), marcou um dos movimentos mais importantes do jornalismo do SBT nos últimos anos. Depois de um longo período de instabilidade na faixa do fim de tarde, a emissora apostou em dois nomes de credibilidade Rodrigo Bocardi e Érica Reis para liderar um projeto que pretende reposicionar sua cobertura jornalística e recuperar relevância em um dos horários mais competitivos da televisão aberta.

    O resultado inicial permite certo otimismo, mas também evidencia que o novo telejornal ainda está em fase de construção e precisa mostrar que não é mais um noticiário policial e muito menos uma vitrine para divulgar a plataforma digital BocaTV.

    Um novo momento para o jornalismo do SBT

    Desde a morte de Silvio Santos e as mudanças implementadas pela nova gestão da emissora, o SBT tem demonstrado o desejo de fortalecer novamente seu departamento de jornalismo. A contratação de Rodrigo Bocardi, após sua saída da Globo, foi um dos sinais mais claros dessa estratégia.

    A estreia do SBT Cidades mostrou uma produção bem cuidada, ritmo dinâmico e uma proposta que combina cobertura factual, prestação de serviço, participação popular e entradas ao vivo. Trata-se de uma fórmula conhecida, mas eficiente quando bem executada.

    Rodrigo Bocardi rapidamente mostrou por que se consolidou como um dos principais apresentadores do jornalismo brasileiro. Seu estilo informal, a capacidade de dialogar diretamente com o público e a experiência em conduzir coberturas ao vivo deram segurança ao telejornal desde os primeiros minutos.

    Ao seu lado, Érica Reis exerceu um papel complementar importante. Discreta, objetiva e bastante segura, ajudou a equilibrar a apresentação sem transformar a dupla em uma disputa de protagonismo. A química entre ambos foi um dos principais acertos da estreia.

    Um formato eficiente mas ainda familiar demais

    Se há um ponto que merece ressalvas é justamente a identidade do programa. Durante a divulgação, Bocardi afirmou que o SBT Cidades seria um projeto inovador. Na prática, porém, a estreia apresentou uma estrutura bastante próxima dos telejornais locais que dominam o horário há muitos anos como Cidade Alerta, Brasil Urgente e o próprio Aqui Agora do SBT.

    A crítica especializada também observou essa característica. Embora tenha elogiado o desempenho dos apresentadores, parte da imprensa avaliou que o programa ainda não apresentou elementos suficientemente novos para justificar o discurso de inovação. 

    Na minha avaliação, isso não representa exatamente um problema neste momento. Antes de inovar, talvez fosse mais importante ao SBT recuperar credibilidade e criar hábito de audiência. Para uma estreia, optar por uma linguagem conhecida parece ter sido uma decisão estratégica bastante inteligente. Agora, naturalmente, será preciso evoluir.

    Prestação de serviço volta a ganhar protagonismo

    Outro aspecto positivo foi a valorização da prestação de serviço. Trânsito, segurança pública, denúncias, problemas urbanos e informações úteis ao telespectador ocuparam espaço relevante na edição inaugural.

    Essa aproximação com o cotidiano da população sempre foi uma das maiores virtudes dos telejornais locais de sucesso e pode se tornar um diferencial competitivo caso o SBT consiga ampliar sua rede de afiliadas e fortalecer o conteúdo regional.

    A proposta apresentada pela emissora já indicava justamente esse caminho: aproximar o jornalismo das diferentes cidades brasileiras, com forte participação das praças locais. A parceria com a plataforma digital BocaTV pode ser a maneira mais rápida de viabilizar esse fortalecimento local e regional.

    A audiência mostrou que existe espaço para crescer

    Os números da estreia também foram positivos dentro do contexto da emissora. Na Grande São Paulo, o SBT Cidades registrou média próxima de 3,3 pontos, chegando a picos de 3,9, desempenho superior ao da Band na faixa horária e acima de boa parte das edições recentes do Aqui Agora, programa que ocupava anteriormente esse espaço. Ainda ficou distante da Record, mas interrompeu uma sequência de baixos índices na faixa do fim de tarde. 

    É evidente que uma estreia sempre desperta curiosidade. O verdadeiro teste acontecerá nas próximas semanas, quando o público decidirá se incorporará ou não o telejornal à rotina diária.

    A repercussão foi majoritariamente positiva

    Nas redes sociais, a recepção foi predominantemente favorável. Grande parte dos comentários destacou o retorno de Rodrigo Bocardi à televisão aberta e elogiou sua naturalidade diante das câmeras. Também houve reconhecimento ao desempenho de Érica Reis, considerada uma boa parceira na bancada.

    Ao mesmo tempo, surgiram comparações inevitáveis com o estilo adotado por Bocardi durante seus anos na Globo e observações de que o formato ainda precisa encontrar uma identidade mais própria. Na prática, isso é absolutamente natural para um programa que acaba de nascer.

    Outro ponto questionado pelo público foi a liberdade de Bocardi para divulgar a plataforma digital BocaTV. É sabido que o SBT Cidades só foi viabilizado com a apresentação de Rodrigo Bocardi mediante essa parceria. Porém, é importante salientar que o telejornal não pode se tornar apenas um trampolim para promover o canal BocaTV.

    A parceria entre a TV aberta e a plataforma digital tem sim aspectos muito positivos, mas é preciso cuidado do SBT para não criar um monstro que mais tarde possa ser prejudicial ao próprio SBT Cidades. Utilizar o melhor dos dois mundos, a credibilidade do SBT com o alcance em massa do digital pode fazer do telejornal um grande êxito.

    Nossa opinião

    A estreia do SBT Cidades foi boa. Não foi revolucionária. Não reinventou o telejornalismo. Mas talvez nem precisasse fazer isso.

    O programa cumpriu aquilo que se espera de um primeiro capítulo: apresentou seus apresentadores, estabeleceu seu ritmo, transmitiu credibilidade e mostrou que existe um projeto consistente por trás da nova fase do jornalismo do SBT. O maior desafio daqui para frente será criar uma personalidade própria.

    Se conseguir aproveitar o carisma de Rodrigo Bocardi, o profissionalismo de Érica Reis e investir em conteúdo regional realmente diferenciado, o SBT Cidades poderá deixar de ser apenas mais um jornal policial para se tornar um dos principais produtos jornalísticos da emissora.

    O potencial existe. Agora começa a parte mais difícil: transformar uma boa estreia em um hábito diário para o telespectador.

    O texto SBT Cidades estreia com potencial, mas não pode ser apenas mais um telejornal policial nem um trampolim para a BocaTV foi publicado primeiro no Observatório da TV.

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