Sessão +SBT cumpre a missão de transformar a memória da emissora em entretenimento para os telespectadores de ontem e de hoje - (crédito: Obeservatório da TV)
Celebrar a própria história é um movimento natural para qualquer emissora que alcança 45 anos no ar. O desafio está em fazer isso sem cair na armadilha da simples repetição de arquivos. Na estreia do +SBT, exibida na segunda-feira (3) e nos programas seguintes, o SBT encontrou um caminho interessante ao transformar seu imenso acervo em um programa diário de entretenimento, conduzido por Gabriel Cartolano e Gaby Cabrini.
A proposta, anunciada como uma das principais atrações das comemorações do aniversário da emissora, nasceu justamente com a missão de revisitar momentos marcantes da programação, de Silvio Santos a Hebe Camargo, passando por Gugu Liberato, Eliana, Maisa e tantos outros nomes que construíram a identidade do canal.
A ideia não é inédita. Diversos canais já recorreram ao próprio acervo para despertar a memória afetiva do público. A diferença é que, no caso do SBT, existe um patrimônio emocional muito particular. Durante décadas, a emissora construiu uma relação quase familiar com seus telespectadores, e isso torna o material de arquivo um ativo poderoso.
Nostalgia como estratégia e não apenas como lembrança
O maior mérito da estreia foi compreender que a nostalgia funciona melhor quando serve para contar histórias, e não apenas para exibir vídeos antigos.
Em vez de simplesmente empilhar cenas clássicas, o programa procurou contextualizar acontecimentos, explicar curiosidades e relembrar bastidores de momentos históricos da televisão brasileira. Essa abordagem faz com que o conteúdo converse tanto com quem viveu aquelas épocas quanto com um público mais jovem que conhece esses personagens apenas por meio das redes sociais.
Também chama atenção a escolha do horário. Exibido diariamente no período noturno, o +SBT ocupa um espaço que permite ao telespectador encerrar o dia com um conteúdo leve, funcionando quase como um grande álbum de memórias da televisão brasileira.
Gabriel Cartolano e Gaby Cabrini funcionam como dupla
A escolha dos apresentadores parece acertada. Gabriel Cartolano demonstra segurança diante das câmeras, conduzindo as informações com naturalidade e equilíbrio. Já Gaby Cabrini imprime leveza e espontaneidade, tornando o programa menos formal. Os dois evitam exageros e deixam que o verdadeiro protagonista seja o material de arquivo.
Talvez justamente por isso a química entre ambos funcione. Não há disputa por protagonismo nem excesso de performance. O resultado é uma apresentação agradável e suficientemente discreta para não competir com as imagens históricas.
Ainda assim, há espaço para que ambos desenvolvam uma identidade mais marcante ao longo das próximas semanas. A estreia evidenciou um formato bem executado, mas que ainda procura um estilo próprio de condução.
O acervo continua sendo o maior patrimônio do SBT
Poucas emissoras brasileiras possuem um arquivo tão rico em momentos populares quanto o SBT. Programas de auditório, humorísticos, infantis, novelas, telejornais e entrevistas históricas oferecem praticamente um universo inesgotável de conteúdo. O +SBT demonstra que esse patrimônio continua extremamente valioso quando utilizado com inteligência.
Ao mesmo tempo, o programa reforça um aspecto importante da estratégia da emissora em 2026: valorizar sua marca justamente em um período de reconstrução da grade. As comemorações dos 45 anos envolvem diversos especiais e ações comerciais, transformando o aniversário em uma grande vitrine institucional.
Repercussão positiva nas redes e boa receptividade
A repercussão inicial entre o público foi majoritariamente favorável. Nas redes sociais, muitos telespectadores elogiaram o resgate de momentos históricos da emissora e destacaram o sentimento de nostalgia provocado pelo programa, especialmente pelas lembranças envolvendo Silvio Santos, Hebe Camargo, Gugu Liberato e atrações clássicas do canal.
A crítica especializada também recebeu positivamente a proposta, destacando que o SBT conseguiu transformar seu acervo em um produto atraente e coerente com as comemorações dos 45 anos, sem limitar a atração a uma simples sequência de vídeos antigos.
Naturalmente, parte do público já manifesta o desejo de ver episódios ainda mais aprofundados, explorando bastidores, entrevistas inéditas e curiosidades menos conhecidas um indicativo de que o formato desperta interesse suficiente para evoluir.
Veredito
A estreia do +SBT mostra que nem toda inovação precisa nascer de um formato inédito. Às vezes, basta olhar para trás com criatividade. O programa compreende que o maior patrimônio da emissora não está apenas em seus estúdios, mas na memória afetiva construída ao longo de quase meio século. Gabriel Cartolano e Gaby Cabrini cumprem bem a missão de conduzir essa viagem no tempo, enquanto o acervo faz aquilo que sempre fez de melhor: emocionar, divertir e aproximar gerações.
Ainda falta ao +SBT desenvolver uma personalidade editorial mais própria, capaz de ir além da celebração institucional. Porém, como ponto de partida para as comemorações dos 45 anos do SBT, os primeiros programas entregam exatamente o que prometeu: uma homenagem respeitosa, bem produzida e agradável de assistir.
Se conseguir manter a criatividade na seleção das histórias e aprofundar seus bastidores, o programa tem condições de deixar de ser apenas um especial comemorativo para se consolidar como uma das produções mais interessantes da programação do SBT em 2026.
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