Entre o exagero e a ameaça: Lázaro Ramos encontra o tom e supreende como Jendal - (crédito: Obeservatório da TV)
Lázaro Ramos encontrou em Jendal um dos personagens mais desafiadores de sua trajetória na televisão. Em A Nobreza do Amor, o ator assumiu pela primeira vez o posto de grande vilão de uma novela e construiu um antagonista que chama atenção não apenas pelas maldades, mas principalmente pela presença que impõe quando entra em cena.
Jendal foi apresentado como o primeiro-ministro que toma o poder de Batanga, declara-se rei e transforma sua obsessão por Alika (Duda Santos) em perseguição. É um personagem deliberadamente grandioso, quase operístico, que poderia facilmente resultar em uma interpretação exagerada. Lázaro, porém, encontrou um caminho interessante entre a teatralidade exigida pela proposta da novela e uma composição mais controlada.
A força está principalmente no olhar, na postura corporal e na maneira como o ator utiliza a voz. Jendal não precisa estar permanentemente gritando para parecer ameaçador. Há momentos em que a tranquilidade com que ele exerce o poder produz um efeito mais eficiente do que a explosão. É justamente essa capacidade de variar a temperatura do personagem que impede o vilão de se tornar completamente previsvisível.
A crítica especializada percebeu essa característica desde os primeiros capítulos. O NaTelinha destacou o vigor da composição e as nuances encontradas pelo ator para evitar que Jendal se transformasse simplesmente em um estereótipo da maldade. Posteriormente, o próprio veículo voltou a apontar a atuação de Lázaro como um dos atrativos da novela.
Existe ainda um componente particularmente interessante na construção: Jendal não foi pensado apenas como alguém que deseja o poder pelo poder. Uma de suas falas iniciais associa sua ambição ao lugar que acredita ocupar no mundo fora de Batanga. Lázaro já explicou que essa motivação foi importante para compreender o personagem, sem que isso significasse justificar seus crimes.
É aí que sua interpretação ganha maior complexidade. O ator não tenta tornar Jendal inocente nem procura desesperadamente uma redenção para fazê-lo mais simpático. Em vez disso, acrescenta contradições. A relação com a filha Kênia, por exemplo, permite revelar outra dimensão do personagem. O próprio Lázaro contou ter recebido mensagens de espectadores tanto condenando as maldades de Jendal quanto elogiando sua interpretação.
Isso não significa que toda a trajetória tenha funcionado igualmente bem. Parte do público passou a apontar justamente o isolamento de Jendal em relação aos principais acontecimentos da novela. Em discussões de espectadores, aparecem elogios à atuação acompanhados da percepção de que o roteiro nem sempre oferece ao vilão material suficiente e de que sua permanência prolongada em um núcleo separado reduz seu impacto sobre a trama principal.
Essa diferença é fundamental. Quando A Nobreza do Amor enfrenta críticas pelo ritmo algo que também apareceu recentemente na repercussão nas redes sociais o problema parece estar mais relacionado à condução da história do que ao desempenho de Lázaro Ramos.
Mesmo quando o texto faz Jendal repetir movimentos de perseguição e demonstração de poder, o ator procura pequenas variações para não entregar sempre a mesma cena. É um trabalho que depende de presença e carisma para sustentar um vilão durante muitos capítulos.
Na reta final, com o personagem chegando ao Brasil e entrando em sequências de perseguição, corrida e luta, Lázaro ganha ainda a oportunidade de acrescentar uma dimensão física ao trabalho. O ator afirmou recentemente que as gravações finais exigiram preparação maior justamente pelo componente de ação incorporado ao desfecho.
No conjunto, Jendal confirma a versatilidade de Lázaro Ramos. O personagem talvez pudesse ter sido ainda mais poderoso com uma integração mais rápida aos demais núcleos de A Nobreza do Amor, mas a interpretação consegue superar parte dessas limitações. Entre imponência, crueldade, humor pontual e vulnerabilidades cuidadosamente dosadas, Lázaro construiu um vilão que ampliou seu repertório na televisão e se tornou um dos elementos mais marcantes da novela.
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