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    postado em 28/09/2026 10:33

    O The Voice Brasil voltou ao ar neste domingo (27), tentando provar que ainda existe espaço para um grande reality musical na televisão aberta. Em sua segunda temporada no SBT, agora exibido aos domingos e novamente em parceria com o Disney+, o programa mostrou uma produção caprichada, bons candidatos e um painel de técnicos mais diversificado. O resultado artístico foi positivo. Na audiência, porém, a estreia deixou um importante sinal de alerta.

    A principal mudança está justamente no horário. O SBT transferiu o programa para as 18h de domingo, colocando a atração entre o Domingo Legal e o Programa Silvio Santos, duas das faixas mais competitivas da emissora. A estratégia parecia lógica: aproveitar o público entregue por Celso Portiolli e fortalecer ainda mais a programação dominical. Ao mesmo tempo, a decisão colocou o reality diante de concorrentes fortes, especialmente o Domingão com Huck, na Globo, e a combinação de Acerte ou Caia! e Domingo Espetacular, na Record. Antes mesmo da estreia, a imprensa especializada já apontava o potencial e o risco da mudança.

    Dentro do palco, o The Voice apresentou uma temporada visualmente forte e com uma vantagem importante: Tiago Leifert continua sendo praticamente sinônimo do formato no Brasil. O apresentador conhece a dinâmica, sabe conduzir as histórias sem exagerar no sentimentalismo e, principalmente, consegue desaparecer quando a música precisa ser protagonista. É uma condução segura, leve e natural.

    O novo quarteto de técnicos também funciona. Lauana Prado, Diogo Nogueira e Paulo Ricardo chegaram para dividir as cadeiras com Matheus & Kauan, únicos remanescentes da temporada anterior. A escolha amplia o leque musical do programa, reunindo sertanejo, samba e rock, e ajuda a diminuir a sensação de repetição que costuma ameaçar formatos longevos. Oficialmente, a temporada também manteve Gaby Cabrini nos bastidores.

    Lauana Prado carrega ainda uma narrativa particularmente interessante: ela própria participou da primeira temporada do The Voice Brasil e, dez anos depois, retorna como técnica. É uma história que simboliza bem aquilo que o formato sempre vendeu a possibilidade de um palco televisivo servir como vitrine para novos artistas.

    As vozes continuam sendo o maior patrimônio

    A estreia acertou principalmente na seleção dos candidatos. Lia Lira abriu a temporada cantando Purple Rain e conseguiu virar as quatro cadeiras. Clara Carolina também conquistou os quatro técnicos com Miss Celies Blues, enquanto nomes como Bidesão, Bella Kahun, Paulo Bentes, MaLuê e Junior Azevedo ajudaram a garantir variedade ao primeiro episódio.

    Outro acerto foi a criação dos chamados Diamantes, mecanismo que permite o retorno de ex-participantes. Jade Baraldo, que esteve na primeira edição do programa, em 2016, inaugurou a novidade e entrou para o time de Lauana Prado.

    A ideia é inteligente porque explora a memória afetiva do público sem transformar o programa simplesmente em uma reprise de si mesmo. Em um formato que já atravessou mais de uma década no Brasil, encontrar mecanismos capazes de renovar as Audições às Cegas é fundamental.

    O problema do The Voice, portanto, não parece estar em sua execução. A estreia mostrou um programa tecnicamente bem realizado e fiel à identidade construída ao longo dos anos. O desafio é outro: convencer o público de que ainda vale acompanhar semanalmente uma fórmula que já deixou de ser novidade.

    Audiência contrasta com a qualidade da estreia

    É justamente aqui que aparece a maior preocupação.

    Nos números prévios da Grande São Paulo divulgados após a exibição, o The Voice Brasil marcou cerca de 4,5 pontos de média, com 8,33% de share, entre 18h e 19h05. A Globo registrou 11,73 pontos no confronto e a Record, 5,44. Assim, o SBT terminou em terceiro lugar.

    Mais significativo do que a colocação foi o comportamento da audiência. O reality chegou a 5,4 pontos em seu primeiro minuto, beneficiado pela entrega do Domingo Legal, mas não conseguiu conservar todo esse público. Segundo levantamento publicado após a estreia, houve uma queda de aproximadamente 30% em relação ao desempenho que o SBT vinha obtendo na faixa. Por outro lado, a estreia ficou cerca de 10% acima da abertura da temporada de 2025, quando o programa era exibido às segundas-feiras.

    O desempenho abaixo da Record também não ficou restrito a São Paulo. Dados prévios divulgados de dez mercados apontaram o SBT atrás da concorrente em todas as praças analisadas durante o horário do programa. No Rio de Janeiro, por exemplo, foram 4,34 pontos para o SBT contra 4,80 da Record; em Belo Horizonte, 2,31 contra 6,89; e em Recife, 3,85 contra 7,10.

    São números iniciais e não permitem decretar uma tendência para toda a temporada, mas mostram que simplesmente colocar o The Voice no domingo não garante que o público do SBT migre automaticamente para o reality.

    Um bom programa que precisa voltar a parecer indispensável

    A estreia também deixa evidente uma contradição interessante. O The Voice Brasil continua sendo um bom programa de televisão, mas já não possui sozinho o caráter de acontecimento que teve em seus primeiros anos.

    As Audições às Cegas continuam eficientes. A cadeira girando ainda produz expectativa. A disputa dos técnicos pelos candidatos permanece divertida. Histórias pessoais continuam criando identificação. O palco impressiona. As vozes são boas. O problema é que o telespectador conhece perfeitamente cada uma dessas engrenagens.

    Por isso, a temporada de 2026 precisa fazer mais do que executar corretamente a fórmula. Precisa produzir momentos capazes de extrapolar o próprio programa, gerar conversa nas redes sociais e transformar participantes em personagens que o público queira acompanhar até a final.

    A repercussão em torno das primeiras apresentações e da novidade dos Diamantes oferece material para isso, mas a audiência da estreia mostra que existe uma distância entre despertar curiosidade e transformar essa curiosidade em hábito semanal.

    Nesse aspecto, a mudança para domingo pode ser simultaneamente a maior oportunidade e o maior risco da temporada. O SBT oferece ao programa uma vitrine muito mais estratégica, cercada por atrações fortes de sua própria grade. Em contrapartida, o The Voice passa a ser cobrado como uma atração dominical capaz de sustentar essa audiência e não apenas como um produto de prestígio.

    A primeira impressão artística é boa. Tiago Leifert permanece perfeitamente adaptado ao formato, o novo grupo de técnicos trouxe frescor, a seleção musical foi eficiente e as primeiras vozes justificaram a proposta do programa. Mas o Ibope mostrou que qualidade de produção e reconhecimento de marca já não bastam.

    O desafio do The Voice Brasil em 2026 será justamente transformar um formato conhecido em televisão novamente necessária. A estreia mostrou que o programa ainda sabe fazer espetáculo. Agora precisa convencer o público a permanecer diante da tela.

    O texto The Voice Brasil estreia renovado no SBT, mas audiência acende sinal de alerta foi publicado primeiro no Observatório da TV.

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